Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/9861

TitleVariáveis psicossociais e reactividade emocional em cuidadores de dependentes de substâncias
Author(s)Soares, António José de Almeida
Advisor(s)Pereira, M. Graça
Issue date5-Nov-2009
Abstract(s)Os problemas causados pelo abuso e dependência de substâncias assumem-se como um dos mais difíceis de resolver nas sociedades ocidentais. Estes problemas causam dano não só no próprio toxicodependente mas também no seu espectro relacional mais próximo (família e amigos) e alargado (comunidade). Para além disso, trata-se de um problema de saúde que requer um conjunto de cuidados informais associados. Daí que os familiares responsáveis pela prestação de cuidados possam experienciar uma forma de stress crónico com repercussões psicofisiológicas, colocando-os em risco para o aparecimento e desenvolvimento de doenças físicas e psicológicas. Este trabalho, intitulado “Variáveis Psicossociais e Reactividade Emocional em Cuidadores de Dependentes de Substâncias”, procura avaliar o impacto psicossocial e físico devido ao desempenho dessas tarefas. A amostra é constituída por 156 indivíduos, divididos por 4 grupos. Assim, o Grupo 1 é constituído por 45 cuidadores de Dependentes de Substâncias que não estão em abstinência, o Grupo 2 é constituído por 39 cuidadores de Dependentes de Substâncias que estão em abstinência há menos de 5 anos, o Grupo 3 é constituído por 36 cuidadores de Dependentes de Substâncias que estão em abstinência há mais de 5 anos e o Grupo 4 que é constituído por 36 indivíduos que não prestam cuidados a pacientes com qualquer doença crónica e debilitante, funcionando como grupo controlo. Os instrumentos utilizados foram o Beck Depression Inventory – BDI (Beck et al., 1961), Brief Symptom Inventory – BSI (Derogatis, 1993), Caregiver Reaction Assessment – CRA (Given et al., 1992), Escala de Avaliação da Resposta ao Acontecimento Traumático – EARAT (McIntyre & Ventura, 1996), WHOQOL – BREF (OMS, 1998), Escala de Apoio Social Instrumental e Expressivo – IESSS (Faria, 1999) e o Family Crisis Oriented Personal Evaluation Scales - FCOPES (McCubbin, Larsen, & Olson, 1982). Na recolha da informação fisiológica foi utilizado o sistema Physiolab (J&J Engineering, 2004) na mediação dos Batimentos Cardíacos e Condutância da Pele, tendo o Cortisol Salivar sido avaliado por meio de Salivettes (Sarstedt, Germany). Os dados foram recolhidos junto de comunidades terapêuticas de tratamento de problemas de Dependência de Substâncias, de grupos de auto-ajuda a familiares de Dependentes de Substâncias e de serviços comunitários. Foram colocadas cinco hipóteses tendo-se verificado na primeira hipótese que os cuidadores com diagnóstico de PTSD apresentavam menor Sobrecarga, maior Coping Familiar e maiores níveis de Cortisol do que aqueles sem diagnóstico de PTSD. Na segunda hipótese, verificou-se que coabitação com o Dependente, níveis inferiores de Distress psicológico, menor Sobrecarga, menor Qualidade de Vida psicológica, maior Qualidade de Vida nas relações sociais e maior Reactividade Cardíaca nas imagens neutras prevêem maior Suporte Social nos cuidadores, explicando 50% da variância observada. Em resultado desta hipótese também se verificou que um menor número de detenções devido à Dependência de Substâncias, um maior número de desintoxicações em clínicas, menor Idade do Cuidador, menor Suporte Social, menos sintomas de PTSD, menores níveis de Batimentos cardíacos em repouso e menores níveis de produção de Cortisol prevêem maior Sobrecarga nos cuidadores, explicando 52% da variância observada. A terceira hipótese identificou variáveis que discriminam os cuidadores em termos da Sobrecarga, sendo que maior Suporte Social, menor Distress psicológico e menor Reactividade Cardíaca estão associados aos cuidadores sem Sobrecarga. Na quarta hipótese verificou-se que Coping Familiar modera a relação entre a Sintomatologia Traumática e a Sobrecarga. Assim, a relação preditiva negativa entre a Sintomatologia Traumática e a Sobrecarga acontece, quando existe menos Coping Familiar. A quinta hipótese identificou a Sobrecarga como variável mediadora entre o Distress psicológico e a Baseline Cardíaca (27% da força da mediação) e entre o Distress psicológico e o Cortisol - AUCg (49% da força da mediação). As análises exploratórias realizadas com variáveis demográficas e clínicas permitiram identificar determinados factores associados a índices inferiores de saúde mental, tal como idade mais jovem do cuidador, ser do sexo feminino, solteiro, ter encargo com outros familiares significativos, coabitar com o Dependente, o Dependente não estar abstinente do uso de substâncias e lidar com a Dependência do familiar há mais de 5 e menos de 16 anos. O facto de o cuidador lidar com a Dependência do familiar há mais de 17 anos está associado a uma activação geral do eixo HPA (Batimentos Cardíacos e níveis de Cortisol). São discutidas as implicações destes dados no desenvolvimento de estratégias orientadas para a promoção da saúde nos cuidadores, para a intervenção terapêutica na Dependência de Substâncias e na formação e prática dos profissionais. Os resultados deste estudo sublinham a importância de uma avaliação multimodal do stress nos cuidadores e da necessidade de estudos adicionais para uma compreensão mais abrangente do tema.
The problems caused by drug abuse and addiction are among the most difficult to solve in western societies. These problems damage not only the addict himself but also the people around him, either family or community members. Besides, addiction requires a whole body of informal caregiving tasks. Family members responsible for these tasks experience a form of chronic stress with corresponding psychophysiological changes, putting them at risk for the development of physical and psychological conditions. This study intitled “Psychosocial Variables and Emotional Reactivity in Addicts Informal Caregivers” aims to assess the psychosocial and physical consequences due to the performance of caregiving tasks. The sample is composed of 156 participants, divided by 4 groups. Group 1 is composed of 45 caregivers of addicts that are not abstinent; Group 2 is composed of 39 caregivers of addicts that have been abstinent for less than 5 years; Group 3 is composed of 36 caregivers of addicts that have been abstinent for more than 5 years; and Group 4 is composed of 36 participants that are not caregivers, serving as a control group. The following instruments were used: Beck Depression Inventory – BDI (Beck et al., 1961), Brief Symptom Inventory – BSI (Derogatis, 1993), Caregiver Reaction Assessment – CRA (Given et al., 1992), Assessment Scale of Traumatic Event Response – EARAT (McIntyre & Ventura, 1996), WHOQOL – BREF (OMS, 1998), Instrumental and Emotional Social Support Scale – IESSS (Faria, 1999) e o Family Crisis Oriented Personal Evaluation Scales - F-COPES (McCubbin, Larsen, & Olson, 1982). Heart beat and Skin conductance data were obtained with the Physiolab software and apparatus (J&J Engineering, 2004). Cortisol levels were collected with Salivettes (Sarstedt, Germany). The data was gathered in therapeutic communities specialized in addiction, family selfhelp groups and community services. This study included five hypotheses. In the first one, caregivers with PTSD diagnosis were less Burdened, had higher Family Coping and higher Cortisol levels than those without PTSD. In the second hypothesis, living with the addict, being less Distressed, being less Burdened, having less psychological Quality of Life, more social relationship Quality of Life and more Heart Reactivity to neutral images predicted Social Support, explaining 50% of the observed variance. It was also clear that fewer arrests due to addiction and more detox events in clinics for the patient, younger age, less Social Support, less PTSD symptoms, lower Heart Baseline and less Cortisol production levels for caregivers predicted higher Burden in caregivers, explaining 52% of the observed variance. The third hypothesis discriminated the variables associated with Burden. Higher Social Support, less Distress and lower Heart Reactivity was associated to caregivers without Burden. The results of the forth hypothesis showed that Family Coping moderated the relationship between PTSD symptoms and Burden, that is, when caregivers had more PTSD symptoms, they would also have less Burden, in a low Family Coping status. The fifth hypothesis identified Burden as a mediating variable between Distress and Heart Baseline (27% of the mediation strength) and between Distress and Cortisol – AUCg (49% of the mediation strength). The exploratory analyses performed with demographic and clinical variables identified several factors associated with worse mental health levels such as being a younger caregiver, female, single, assuming caregiving tasks for other relatives, living with the addict, current substance use by the addict and coping with the addiction for more than 5 years and less than 16 years. Caregivers that coped with the addiction for more than 17 years had a general activation of the HPA axis markers (heart and cortisol levels). Implications of these results are discussed in terms of the development of health promotion strategies for caregivers, therapeutic intervention in Substance Abuse, education and training of professionals. The results of this study emphasize the importance of a multilevel assessment of caregiver stress and strain and the necessity for further research for a better understanding of the of the impact of addiction in informal caregivers.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia da Saúde
URIhttp://hdl.handle.net/1822/9861
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento

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