Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/1822/8396

TitleUma perspectiva dialógica do papel social do psicoterapeuta
Other titlesThe social role of the psychotherapist from a dialogical perspective
Author(s)Tavares, Sofia Alexandra da Conceição
Advisor(s)Gonçalves, Miguel M.
Salgado, João
Issue date8-Sep-2008
Abstract(s)Ser psicoterapeuta é um desafio para a auto-organização identitária de qualquer pessoa que assume este papel, envolvendo uma dinâmica articulação dialógica entre as expectativas sociais e as características pessoais. Neste processo de construção de significado pessoal, a subjectividade da posição “eu enquanto psicoterapeuta” institui-se através das experiências intersubjectivas de estar com outros, nomeadamente com os clientes. No presente estudo, a clássica distinção entre motivos de autovalorização e de contacto com os outros é empregue como instrumento teórico para distinguir e classificar a diversidade identitária dos psicoterapeutas em termos de dois tipos de orientação para os clientes: mais centrados em si (focados no seu poder e na sua autoridade) ou mais centrados nos outros (focados no contacto e na empatia com o cliente). Na parte teórica deste trabalho, começamos por analisar criticamente a literatura empírica devotada ao psicoterapeuta enquanto objecto de um considerável número de estudos desenvolvidos no campo psicoterapêutico. Após uma breve sinopse histórica da evolução da investigação em psicoterapia e do modo como, ao longo desta, as questões do psicoterapeuta foram sendo abordadas, revemos os principais tópicos da investigação contemporânea dedicada ao psicoterapeuta e concluímos que estes se encontram organizados em duas principais linhas: uma que procura compreender o efeito do terapeuta no processo e resultados terapêuticos e uma outra que se centra na exploração das consequências pessoais do exercício da actividade psicoterapêutica. Depois disso, delimitamos o campo teórico no qual se edifica o nosso trabalho de investigação e procuramos através da apresentação e discussão dos pressupostos centrais das teorias da valoração (Hermans, 1987a, 1991, 1995, 2001a; Hermans & Hermans-Jansen, 1995) e do self dialógico (Hermans, 1996; Hermans & Kempen, 1993; Hermans, Kempen & van Loon, 1992), reflectir sobre a eventual contribuição destas concepções teóricas para o estudo científico do papel de psicoterapeuta. No plano empírico, desenvolvemos um estudo que pretende explorar o conteúdo e a organização do sistema de significados pessoais construído pelo psicoterapeuta em torno do seu papel social. Para o efeito, foi conduzida uma investigação com trinta e quatro participantes, composta por duas partes: o estudo das propriedades afectivas do sistema de significados pessoais associados ao papel de psicoterapeuta e às experiências profissionais, e o estudo do conteúdo dos significados construídos para as experiências profissionais. O primeiro estudo permitiu-nos, essencialmente, constituir e caracterizar três grupos de terapeutas em função dos afectos associados à posição de psicoterapeuta: terapeutas mais centrados em si (S), nos outros (O) ou simultaneamente centrados em si e nos outros (HH). Os resultados sugerem que a orientação para si, caracterizada por níveis elevados de afecto de autovalorização ou afecto S (terapeutas S e HH), tende a estar mais associada a afectos positivos na área profissional dos psicoterapeutas do que a orientação para os outros. Sugerem, ainda, que os terapeutas com níveis inferiores de afectos S (i.e., terapeutas O), para além de um estado afectivo menos favorável, têm mais dificuldade em beneficiar da partilha de experiências entre as diferentes dimensões das suas vidas e em associar o sucesso à sua imagem profissional. No segundo estudo, através da análise do discurso dos terapeutas sobre os seus clientes “positivos” e “negativos”, exploramos o conteúdo dos significados expressos. Concluímos, neste estudo, que terapeutas com diferentes orientações motivacionais ao nível da sua posição de psicoterapeuta elaboram discursivamente as suas experiências profissionais em torno de padrões de significado distintos. Os terapeutas O valorizam sobretudo o impacto que os clientes (mesmo os “negativos”) tiveram em si (em termos de aprendizagem e gratificação) e atribuem a responsabilidade pelo sucesso aos aspectos relacionais do processo terapêutico. Por sua vez, os terapeutas S destacam o efeito que enquanto terapeutas tiveram nos clientes “positivos” e “negativos”. Em comparação com os outros dois tipos de psicoterapeutas, estes apresentam uma menor valorização da atitude do cliente nos sucessos e uma menor tendência para compreender estes casos como situações de aprendizagem, focando antes a importância das suas competências técnicas como terapeutas nos casos bem sucedidos e os aspectos relacionais do processo nos casos de insucesso. Por fim, os terapeutas HH, constroem uma imagem profissional dinâmica, flexível e positiva, por entre a descrição de uma diversidade de aspectos – alguns deles contrastantes – das suas experiências profissionais (e.g., identificação com as características dos clientes “positivos” e “negativos”, e diferenciação das características dos clientes “negativos”; maior ênfase nos aspectos positivos dos clientes “negativos” e menor nos aspectos negativos destes casos) e pela atribuição externa do insucesso terapêutico.
Those who take on the psychotherapist role face a self-organizing identity challenge involving a dynamic dialogical interplay between social expectations and personal features. In this process of constructing personal meaning, the subjectivity of the position “I as psychotherapist” is established through intersubjective experiences of being with the other – in this case, with clients. In this study, the classical distinction between motives of self-enhancement and contact with the other is used as a theoretical tool in distinguishing and classifying the diversity of psychotherapists’ identity in terms of two types of orientation towards clients: one more self-centred (focused on power and authority) and another more other-centred (focused on the contact and empathy with the client). In the theoretical part of this work, we have conducted a critical analysis of the large number of empirical studies which have examined the role of the psychotherapist. After a brief historical overview on the development of psychotherapy research and the way in which psychotherapists’ issues have been addressed, the main topics of contemporary research focusing on the psychotherapist are reviewed. These are organized into main lines: on the one hand, there is an attempt to understand the effect of the psychotherapist on the process and the results of psychotherapy; on the other, there is a focus on the exploration of the personal impact of the psychotherapists’ work. A definition of the theoretical field in which our research is carried out is then provided, and through the presentation and discussion of the central assumptions of valuation (Hermans, 1987a, 1991, 1995, 2001a; Hermans & Hermans-Jansen, 1995) and dialogical self (Hermans, 1996; Hermans & Kempen, 1993; Hermans, Kempen & van Loon, 1992) theories, we assess the contribution of these theoretical ideas towards the scientific study regarding the role of the psychotherapist. At the empirical level, this study aims to explore the content and organization of the personal meaning system constructed by the psychotherapists around their social role. For this purpose, a survey involving thirty-four participants was conducted in two parts. The first part focuses on the affective proprieties of the personal meaning system associated with the role of the psychotherapist and professional experiences; in the second part, the content of meanings constructed and assigned to professional experiences is examined. The first part of the survey enables the characterization of three types of psychotherapists according to the level of affect associated with different types of orientation: those focused on themselves (S), those focused on others (O), and those focused on both themselves and others (HH). The results suggest that the orientation to him or herself, characterized by high levels of self-enhancement affect or S affect (S and HH psychotherapists), tends to be associated with a greater degree of positive affect in the psychotherapists’ professional area than the orientation for others. There is also the suggestion that psychotherapists with lower level of S affect (i.e., O psychotherapists), whose emotional state is less favourable, encounter a greater degree of difficulty both in benefiting from the sharing of experiences involving different areas of their lives and in associating success with their professional image. The second part of the survey involves the analysis of psychotherapists’ discourse regarding their “positive” and “negative” clients, and an exploration of the content of meanings articulated. The conclusion is that the discourse of psychotherapists with different motivational orientations in regard to their professional experiences is constructed around distinct meaning patterns. The O psychotherapists mainly value the impact of clients (even with the “negative” ones) on themselves (in terms of learning and gratification) and attribute success to the relational aspects of the therapeutic process. In turn, S psychotherapists value the effect that their impact as psychotherapist has on “positive” and “negative” clients. In comparison with the other kinds of therapists, this group shows a lower valuation of clients’ attitude to success and a lower tendency to understand successful cases as learning situations, but focuses on the importance of their technical skills as psychotherapists in successful cases and the relational aspects of the process in unsuccessful cases. Finally, HH psychotherapists construct a dynamic, flexible, positive professional image, through the description of a range of aspects (some of them contrasting) of their professional experiences (e.g., identification with “positive” and “negative” clients’ characteristics, and differentiation between “negative” clients’ characteristics; laying greater emphasis on the positive aspects of “negative” clients and less emphasis on their negative aspects) and by attributing the failure of therapy to external factors.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Psicologia - Ramo de Conhecimento em Psicologia Clínica
URIhttps://hdl.handle.net/1822/8396
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento

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