Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/55026

TitleDa crisálida à borboleta: a liberdade da criança em brincar e se movimentar na educação de infância
Author(s)Kuhn, Roselaine
Advisor(s)Cunha, António Camilo
Kunz, Elenor
KeywordsBrincar e se movimentar
Crianças-borboletas
Educação de Infância
Ontofenomenologia
Play and move self
Children butterflies
Childhood education
Ontophenomenology
Issue date27-Feb-2018
Abstract(s)A investigação baseia-se numa analogia entre o livre brincar e se movimentar da criança e a crisálida como metáfora da infância que autogermina crianças-borboletas, em desenvolvimento e em constante transformação pela autopoiesis, em processo semelhante à metamorfose. O brincar e se movimentar promove as condições necessárias para que elas estabeleçam um diálogo profícuo com o corpo-mundo, de modo a realizar experiências significativas, necessitando apenas do auxílio dos adultos para prosseguir na luta pela sobrevivência. Os pressupostos teóricos fundamentam-se nos estudos da teoria do movimento humano com o aporte da fenomenologia, a enaltecer a perspetiva dialógica relacional e a conceção do fenómeno como linguagem metamórfica. O objetivo foi desvelar e compreender as representações das crianças e dos adultos sobre o brincar e se movimentar em liberdade no jardim-de-infância. A metodologia é de abordagem qualitativa com intenção etnográfica. Os sujeitos são 22 crianças entre os 5 e os 6 anos de idade, de um jardim-de-infância da cidade de Braga (Portugal). Os dados foram colhidos através da observação livre com registo em diários campo e das entrevistas semiestruturadas. Privilegiámos o protagonismo das crianças através da escuta interpretativa e utilizámos a análise de conteúdo para compreender as mensagens comunicadas por palavras e gestos, de onde extraímos as categorias e subcategorias de análise. Confirmámos as hipóteses que preconizam uma diferença substancial entre as representações das crianças e dos adultos. As representações das crianças situam-se no campo da fenomenologia e manifestam-se, predominantemente, no mundo vivido como ontológicas e existenciais. As dos adultos, são forjadas, eminentemente, no mundo pensado, configurado pela racionalidade científica moderna, a atribuir grande importância às análises funcionais e mecânicas do movimento humano. O hiato entre as representações, resulta na sobrepujança do trabalho escolar em detrimento da liberdade para brincar, em virtude da concentração do processo de tomada de decisões na figura dos adultos, que pré-determinam as atividades e rotinas, sem que as crianças demarquem as suas escolhas. O brincar e se movimentar está condicionado a tempos e espaços residuais e exíguos. A ausência da liberdade é acompanhada por um conjunto de regras que governam os corpos das crianças, a fim de as disciplinar. Como contraponto, procedemos ao elogio do mundo da vida da criança. As crianças são os seus próprios sentimentos e elas vivem intensamente com total atenção no presente, dialogando com os contrafactuais, recursivamente. As crianças dão sentido ao que fazem a seu modo, e esse é o alimento da autopoiesis. A vida da criança é brincar, o que significa dialogar a interagir naturalmente consigo mesma, com os outros e com o mundo. Elas são espontaneamente curiosas e, como as borboletas, adoram explorar, pois a vida humana é um projeto inacabado e não prescinde do diálogo corpo-mundo para tornar-se. A dimensão lúdica e sensível da corporeidade é primordial e humanizadora para o ser humano. Concluímos que o jardim-deinfância é o lugar ideal para desabrochar os pequenos pupos em borboletas coloridas, desde que permitam que as crianças descubram o mundo por si mesmas, libertas da coerção dos adultos. Aspiramos a que as crianças respirem por si mesmas, livremente, para habitar legítimos jardins-de-infância como lugares férteis que cultivam crianças-borboletas, esvoaçantes e curiosas, a fecundar inúmeras flores pelo mundo afora. A alegria das crianças é o pólen que irá pelo vento e pelas patas das borboletas, semear e fazer brotar um mundo melhor.
The investigation is based on an analogy between the free play and move self of the child and the chrysalis as metaphor of the childhood that selfgerminate children butterflies, in development and in constant transformation by autopoiesis, in a process similar to metamorphoses. The play and move self promotes the necessary conditions for them to establish a productive dialogue with the body-world, in order to perform significant experience, only requiring the aid of adults to proceed in the fight of survival. The theoretical assumptions revolve around the studies of the theory of the human movement with the contribution of the phenomenology, in a way of emblazon the dialogic relation perspective and the conception of the phenomenon as metamorphic language. The aim was unveil and understand the representations of the children and the adults about the play and move self in freedom on the kindergarten. The methodology is the qualitative approach with ethnographic intention. The subjects are 22 children between the age of 5 and 6 years old, of a kindergarten in the city of Braga (Portugal). The data were collected through the free observation with registration in field journals and semi structured interviews. We privileged the children protagonism through the interpretative listening and used the content analysis to understand the messages given through words and gestures, from where we extracted the categories and subcategories of de analysis. We confirmed the hypothesis that predicts the substantial differences between the representations of the children and the adults. The representations of the children are located on the phenomenology field and they manifest themselves, predominantly, in the world lived as ontological and existential. Adults’, are forged eminently, in the thought world, configured by the modern scientific rationality, assigning great importance to the functional and mechanic analysis of the human movement. The hiatus between the representations, results in the overpowering of school work at the expense of the freedom to play, due to the concentration of the process of decision-making in the adults’ figure, that predetermine the activities and routines, making children unable to demarcate their choices. The play and move self is conditioned by time and spaces residual and exiguous. The lack of freedom is followed by a set of rules that govern the children’s bodies, with the objective of disciplining them. As a counterpoint, we proceed to complement the world of the child’s life. Children are their own feelings and they live intensively with total focus on the present, dialoguing with the counterfactuals, recursively. Children give meaning to what they do in their own way, and that is the sustenance of the autopoiesis. The child’s life is playing, which means dialoguing and interacting naturally with herself, with the others and with the world. They are spontaneously curious and, like butterflies, love to explore, because the human’s life is an unfinished project and does not spare dialogue body-world to become. The playful and sensitive dimension of the corporeity is primordial and humanizing to the human being. We conclude that the kindergarten is an ideal place to sprout the small pupas in colorful butterflies, as long as they allow children to discover the world for themselves, released of the coercion of adults. We aspire children to breathe by their own, freely, to dwell legitime kindergartens as fertile places that cultivate children butterflies, fluttering and curious, nurturing countless flowers all over the world. The joy of the children is the pollen that will go with the wind and by the butterflies’ legs, sow and sprout a better world.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Estudos da Criança (Especialização em Educação Física, Lazer e Recreação)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/55026
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
DEAEF - Teses de Doutoramento

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