Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/49225

TitleTradição em continuidade: as Quintas da Terra Fria do Nordeste Transmontano
Author(s)Gonçalves, Joana Maria Gonçalves dos Santos
Mateus, Ricardo
Ferreira, Teresa Sofia Faria Cunha
KeywordsArquitetura vernacular
Quintas
Sustentabilidade da construção
Terra Fria Transmontana
Issue date2017
PublisherMunicípio de Arcos de Valdevez
CitationGonçalves J., Mateus R., Ferreira T. Tradição em Continuidade: as Quintas da Terra Fria do Nordeste Transmontano, 4 Congresso Internacional Casa Nobre - um património para o futuro, Vol. Tomo II - Património, Turismo e Desenvolvimento Regional, pp. 1014-1028, 978-072-9136-83-2, 2017
Abstract(s)Reconhecendo o impacto do desenho arquitectónico nos modos de vida e no ambiente, propõe-se uma (re)leitura crítica da arquitetura vernácula transmontana, procurando identificar estratégias que a relacionem com o homem e o território e que possam ser reinterpretadas hoje no sentido de uma maior sustentabilidade social, ambiental e económica que, simultaneamente, respeitem a identidade local. A investigação que se apresenta centrou-se nas quintas da Terra Fria do Nordeste Transmontano, caraterizadas pela dispersão em torno dos núcleos urbanos, que eram a sua oportunidade e razão de ser. Estas quintas, mais do que um objeto arquitectónico isolado, constituem um complexo de relações entre o doméstico, o território, a comunidade e os modos de vida, um sistema gerador de paisagem. Ao centrar o estudo nas fontes primárias procurou-se um levantamento que possibilite uma nova reinterpretação desta arquitetura mais próxima do seu significado, compreendendo os propósitos que levaram a estes modos de construir, vincadamente marcadas pelo seu carácter tradicional e familiar. As quintas da Terra Fria Transmontana não são apenas exemplares da economia agrícola mas também, e sobretudo, estruturas de ordem social e comunitária segundo uma hierarquia social patriarcal, encabeçada pelo Padrinho - no sentido de patrono e não necessariamente de batismo - autoridade reconhecida que geria todos os recursos, das terras à alimentação, num quadro dominantemente familiar. Este enquadramento familiar manifesta-se claramente na dimensão da casa e da parcela, que garantia o sustento dos habitantes, mas é também evidente nos edifícios que integram a quinta, dos pombais às capelas, passando pelos moinhos ou forjas, suprindo necessidades de habitação, produção, armazenamento ou de comunidade. A casa é uma entidade cambiante, amórfica, espontânea, construída, mantida e reconstruída de modo contínuo pelos seus habitantes. Na ausência de distinção entre construtor e habitante, desenvolvia-se num processo em que todos colaboravam nos períodos com menores tarefas agrícolas, pelo que as formas de construir perpetuavam-se, não só porque eram as únicas conhecidas ? passadas de geração em geração ? mas, sobretudo, porque eram as únicas que utilizavam os recursos existentes no local. Esta linearidade entre construtor, proprietário, habitante, agricultor, perdura através do tempo, pois depois de construída a casa era conhecida pelo nome ou alcunha do proprietário, numa relação de simbiose que se prolonga mesmo depois do desaparecimento da linhagem original, com os residentes a serem conhecidos pelo nome da casa. Esta relação entre a toponímia das quintas e os seus proprietários é clara em muitos dos casos analisados, acabando por anular ou se sobrepor ao nome original. O abandono progressivo a que muitos exemplares foram votados em Portugal contribuiu para uma perda acelerada da memória, essencial ao reconhecimento do lugar e da sua cultura. Urge reconhecer e valorizar esta herança essencial na construção da paisagem local e uma das suas marcas identitárias, identificando as suas fragilidades e potencialidades e estimulando a continuidade deste património vivo.
TypeConference paper
URIhttp://hdl.handle.net/1822/49225
ISSN978-072-9136-83-2
Peer-Reviewedyes
AccessOpen access
Appears in Collections:C-TAC - Comunicações a Conferências Nacionais

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