Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/1822/42529

TítuloRecordar em colaboração: Efeito de inibição colaborativa
Outro(s) título(s)Remember in collaboration: The collaborative inhibition effect
Autor(es)Saraiva, Magda Catarina Gomes
Orientador(es)Albuquerque, Pedro Barbas
Silva, Joana Rodrigues Arantes da
Data20-Abr-2016
Resumo(s)Frequentemente somos confrontados com a necessidade de recordar em grupo, quer seja em família, entre amigos, ou até mesmo para testemunhar algum acontecimento a que assistimos. Neste sentido, os estudos na área da memória humana têm vindo a interessar-se não só pelos processos de codificação e recuperação individual de informação, mas também pela forma como estes ocorrem em grupo. Apesar das controvérsias em torno do conceito e até mesmo da definição do processo de recordar informação em grupo, optámos ao longo deste trabalho pelo termo memória colaborativa, proposto por Meade, Nokes e Morrow (2009). Segundo estes autores, a memória colaborativa é o processo de recuperação de informação que envolve um grupo de pessoas (duas ou mais), informação essa vivenciada e processada simultaneamente por todos os elementos do grupo. Desta forma, o principal interesse quando se estuda memória colaborativa, é perceber se um grupo de pessoas consegue recuperar mais informação do que um indivíduo sozinho, e se, por outro lado, essa informação é mais ou menos precisa do que a informação recordada individualmente. Os estudos sobre memória colaborativa têm revelado um fenómeno contraintuitivo chamado inibição colaborativa (Weldon e Bellinger, 1997). O efeito de inibição colaborativa traduz-se no facto da evocação gerada por um grupo nominal1 ser significativamente maior do que a informação produzida pelo grupo colaborativo. Este efeito tem sido frequentemente replicado com recurso a diversos estímulos e procedimentos, o que o torna um efeito bastante robusto. Várias teorias foram surgindo propondo explicações ou interpretações deste efeito, sendo que a mais aceite foi proposta por Basden, Basden, Bryner e Thomas (1997) – hipótese da disrupção das estratégias individuais de recuperação. Segundo esta hipótese, cada indivíduo desenvolve a sua própria estratégia de organização e recuperação de informação. No momento da evocação colaborativa, as estratégias dos vários elementos que constituem o grupo colaborativo vão emergir, no entanto, elas são todas diferentes entre si. Estas diferenças fazem com que as estratégias se quebrem, deixando de ser eficazes, não permitindo a cada elemento do grupo maximizar o seu potencial de evocação, o que se traduz no pior desempenho do grupo colaborativo. Neste sentido, o nosso objetivo principal é testar a hipótese da disrupção das estratégias individuais de recuperação. Para tal, no Estudo 1, treinamos os participantes com a mesma estratégia de recuperação de informação – mnemónica do método dos lugares – de modo a testar se a partilha do mesmo tipo de estratégia de recuperação de informação em tarefas de recuperação individual e colaborativa produz o desaparecimento do efeito de inibição colaborativa. Os resultados revelaram que o efeito de inibição colaborativa foi eliminado. No Estudo 2, comparamos o desempenho dos participantes numa tarefa de evocação livre com uma tarefa de evocação serial. Os resultados revelaram que na tarefa de evocação livre o efeito de inibição colaborativa é replicado, enquanto que na tarefa de evocação serial, este é eliminado. Em conjunto, os resultados destes estudos suportam a hipótese explicativa baseada na disrupção das estratégias individuais de recuperação, uma vez que, quando os membros do grupo partilham estratégias de recuperação semelhantes, o efeito de inibição colaborativa é eliminado (por exemplo, numa tarefa de evocação serial), e quando são livres de recorrer à sua própria estratégia de recuperação, o efeito de inibição colaborativa ocorre. Por fim, no Estudo 3, pretendemos estudar a produção de memórias falsas em tarefas de memória colaborativa, tendo para tal recorrido ao paradigma DRM (Deese, 1959; Roediger e McDermott, 1995). Tal objetivo foi motivado pelos resultados contraditórios obtidos nos estudos sobre a produção de memórias falsas em tarefas de memória colaborativa (e.g., Basden, Basden, Thomas III, e Souphasith, 1998; Maki, Weigold, e Arrelano, 2008; Meade e Roediger, 2009; Thorley e Dewhurst, 2007, 2009; Weigold, Russel, e Natera, 2014). Os resultados deste nosso estudo revelaram que quando a evocação é colaborativa são produzidas significativamente menos memórias falsas do que quando a tarefa de evocação é nominal. Este conjunto de estudos permitiu contribuir para um maior conhecimento dos processos associados à memória colaborativa, uma vez que, por um lado permitiu fornecer suporte à hipótese da disrupção das estratégias de recuperação como explicação para o efeito de inibição colaborativa; e por outro lado, permitiu caracterizar a produção de memórias falsas em tarefas de memória colaborativa, utilizando listas de associados convergentes.
We often are faced with the need to remember in group, whether in family, with friends, or even to report some event we witnessed. In this sense, studies in the area of human memory have been interested not only on individual encoding and retrieval processes of information, but also clarifying how they occur in groups. Although the controversies surrounding the process to recall information in a group, we have chosen throughout this paper the term collaborative memory, proposed by Meade, Nokes and Morrow (2009). According to these authors, collaborative memory is the retrieval process of information involving a group of people (two or more), which information was experienced and processed simultaneously by all group members. Thus, the main interest when studying collaborative memory is to understand if a group of people can retrieve more information than a single individual, and on the other hand, if that information is more or less accurate than the information recalled individually. The collaborative memory studies have shown a counterintuitive phenomenon called collaborative inhibition effect (Weldon & Bellinger, 1997). The collaborative inhibition effect is reflected by the fact that the recall produced by a nominal group2 is significantly higher than the information recalled by the collaborative group. This effect has often replicated using various stimuli and procedures, making it a very robust effect. Several theories proposed explanations and interpretations about this effect and the most accepted was the disruption of retrieval strategies hypothesis (Basden, Basden, Bryner, & Thomas, 1997). According to this hypothesis, each individual develops its own strategy to organize and retrieve information. At the time of collaborative recall, the retrieval strategies of the group members are different. This makes the retrieval strategies are disrupted, cease to be effective, and the group turns unable to maximize its potential of recall, which translates in the worse performance of the collaborative group. In this sense, our main objective was to test the disruption of retrieval strategies hypothesis. To this end, in Study 1, we trained the participants with the same retrieval strategy of information – Method of Loci - in order to test whether sharing the same retrieval strategy of information, in individual and in collaborative recall, the collaborative inhibition effect disappear. The results showed that the collaborative inhibition effect was eliminated. Study 2 compared the collaborative and nominal free recall performance with a serial recall task. Results showed that in the free recall task, the collaborative inhibition effect was replicated, whereas in the serial recall task, this effect was eliminated. Taken together, these results support the disruption of retrieval strategies hypothesis, since, when the group share similar retrieval strategies, the collaborative inhibition effect was eliminated (for example, serial recall task), and when participants were free to choose their own retrieval strategies, the collaborative inhibition effect occurs. Finally, in Study 3, our objective was study the production of false memories in collaborative memory tasks applying the DRM paradigm (Deese, 1959; Roediger & McDermott, 1995). This objective was motivated by the opposite results obtained in the studies on the production of false memories in collaborative memory tasks (e.g., Basden, Basden, Thomas III, & Souphasith, 1998; Maki, Weigold, & Arrelano, 2008; Meade & Roediger, 2009; Thorley & Dewhurst, 2007, 2009; Weigold, Russell, & Natera, 2014). The results of this study revealed that when the recall was collaborative were produced significantly fewer false memories than when the recall task was nominal. This set of studies led to contribute to a better understanding of the processes associated with the collaborative memory, since, on the one hand provide support to the disruption of retrieval strategies hypothesis as an explanation for the collaborative inhibition effect; and on the other hand, allowed to characterize the production of false memories in collaborative memory tasks, using lists of words associated.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de Doutoramento em Psicologia Básica
URIhttp://hdl.handle.net/1822/42529
AcessorestrictedAccess
Aparece nas coleções:CIPsi - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento

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