Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/1822/42522

TítuloVitimação múltipla de mulheres imigrantes: Prevalência, impacto e respostas de apoio
Outro(s) título(s)Multiple victimization of immigrant women: Prevalence, impact and support response
Autor(es)Costa, Mariana Adelaide Vieira Gonçalves
Orientador(es)Matos, Marlene
Data29-Abr-2016
Resumo(s)Introdução: O interesse pelo estudo da violência contra mulheres imigrantes tem aumentado, apesar da centralização na violência na intimidade e dos resultados sobre essa população surgirem, normalmente, diluídos no das amostras de mulheres em geral. Porém, a investigação científica mais recente tem mostrado que a vitimação múltipla é um padrão recorrente, com níveis elevados de impacto na saúde mental das vítimas, levando alguns estudos a concluir acerca de um efeito-dose nessa relação (i.e., mais vitimação implica mais desajustamento mental). Para além disso, o estatuto de imigrante tem sido identificado como um fator de interseccionalidade, na medida em que acarreta exigências acrescidas que poderão vulnerabilizar as mulheres para a vitimação, exacerbar o seu impacto e colocar barreiras à procura de ajuda. Contudo, a grande maioria dos estudos sobre a vitimação de mulheres imigrantes foca-se apenas na violência na intimidade, descurando outros tipos e contextos de violência, as taxas de vitimação múltipla, o seu impacto e as necessidades das vítimas imigrantes no país de acolhimento. Metodologia: o primeiro estudo consistiu numa revisão sistemática da literatura, segundo as guidelines específicas dessa metodologia, com o objetivo de estabelecer o estado da arte sobre a violência contra as mulheres imigrantes, nomeadamente no que respeita à sua prevalência. O segundo estudo, através de uma recolha online, foi realizado junto de uma amostra comunitária de 107 mulheres imigrantes, através de questionários que avaliaram a vitimação, o desajustamento emocional, a resiliência, os comportamentos de procura de ajuda e as suas necessidades. O objetivo deste estudo foi o de estimar a prevalência da vitimação múltipla e a relação entre a vitimação múltipla e o (des) ajustamento emocional das vítimas. A partir daquelas que reportaram vitimação (n=84), identificámos os comportamentos de procura de ajuda e os respetivos fatores preditores. O terceiro estudo mapeou as trajetórias de vitimação múltipla das mulheres imigrantes das comunidades em maior número em Portugal (brasileiras, africanas e da europa de leste), por comparação com as nativas portuguesas. Envolveu uma amostra de 120 mulheres, entre as quais 85 imigrantes e 35 nativas portuguesas, que foram incluídas no estudo por se autoidentificarem como vítimas de violência na intimidade. Todas estavam inseridas em instituições de apoio à vítima, de apoio a imigrantes ou em casas abrigo. A recolha de dados ocorreu nesse contexto, através de uma entrevista, adaptada para o efeito. Foram utilizados ainda instrumentos para avaliar a vitimação, desajustamento emocional e resiliência. Por fim, o quarto estudo envolveu uma recolha online junto de profissionais de três áreas distintas: social, saúde e polícias. A recolha de dados ocorreu em duas etapas: a primeira, junto de 313 profissionais, visou a validação do questionário de competências culturais; a segunda etapa, junto de 610 profissionais, avaliou a sua perceção sobre as suas competências culturais no atendimento a populações imigrantes. A metodologia quantitativa foi transversal a todos os estudos empíricos, privilegiando-se um design retrospetivo. Resultados: Os resultados do primeiro estudo empírico, com uma amostra comunitária, revelaram que 66.4% das mulheres imigrantes foram alvo de vitimação múltipla longo da vida e no país de acolhimento sendo que, dentro desse padrão de vitimação, a polivitimação era a mais frequente. Apenas 12.1% revelou ter sido alvo de um único incidente (vitimação singular). A vitimação múltipla revelou ser um preditor significativo de maior desajustamento psicossocial e PTSD das mulheres vítimas imigrantes. No entanto, essa relação era totalmente mediada pelo índice de resiliência das participantes. Apesar da elevada prevalência da vitimação em geral, apenas 40% das vítimas procurou ajuda. O índice total de vitimação sofrida e ser caucasiana eram fortes preditores da procura de ajuda junto de fontes formais. No entanto, a decisão de procurar de ajuda era totalmente mediada pela gravidade que atribuíam à sua condição de vitimação. Aquelas que não procuraram ajuda (69%) identificaram como principais barreiras o desconhecimento dos seus direitos legais e a perceção de inexistência de serviços culturalmente competentes. Por sua vez, as mulheres imigrantes da amostra clínico-forense, apresentaram índices de vitimação elevados ao longo da vida, sendo as mulheres provenientes da europa de leste aquelas que reportaram menos vitimação comparativamente às brasileiras, africanas e nativas portuguesas. Nesta amostra, os níveis de sintomatologia estavam associados com maiores índices de vitimação, menor coesão familiar e menos recursos sociais. Estas mulheres reportaram, ainda, níveis elevados de vitimação institucional, nomeadamente nas casas abrigo onde estavam acolhidas. Por sua vez, os profissionais de ajuda revelaram, em geral, uma perceção positiva da sua competência cultural, atribuindo uma nota menos positiva ao apoio organizacional nesse domínio. Discussão e conclusões: este conjunto de estudos mostram que a vitimação não é um acontecimento raro nas mulheres imigrantes em Portugal. Estes resultados são discutidos, de forma integrada, à luz dos contributos do paradigma da interseccionalidade, de forma a oferecer contributos (conceptuais, metodológicos, sociais) relevantes, capazes de informar a prevenção e a intervenção junto de mulheres vítimas imigrantes.
Introduction: The interest in the study of violence against immigrant women has increased, despite the centralization on violence in intimate relationships and the fact that the results on this population usually arise diluted in the samples of women in general. However, the latest scientific research has shown that multiple victimization is a recurring pattern, with high levels of impact on the mental health of the victims, leading some studies to conclude about a dose-effect in this relationship (i.e., more victimization involves more psychological maladjustment). Furthermore, the immigration status has been identified as a factor of intersectionality, to the extent that it brings increased demands that may make women vulnerable to victimization, exacerbate its impact and place barriers when they seek help. However, the vast majority of studies on the victimization of immigrant women focuses only on intimate violence, disregarding other types and contexts of violence and even the rates of multiple victimization, its impact and the needs of immigrant victims in the host country. Methodology: the first study consists of a systematic review of the literature, according to the specific guidelines of this methodology, in order to establish the state of the art on violence against immigrant women, particularly with regard to its prevalence. The second study, through an online collect, was conducted among a community sample of 107 immigrant women through surveys that assessed victimization, emotional maladjustment, resilience, help seeking behavior and their needs. The aim of this study was to estimate the prevalence of multiple victimization and the relation between multiple victimization and the emotional (mal) adjustment of the victims. From those who reported victimization (n = 84), we identified the help-seeking behaviors and their respective predictive factors. The third study mapped the paths of multiple victimization of immigrant women in the greater communities in Portugal (Brazilian, African and Eastern Europe), compared to the native Portuguese. It involved a sample of 120 women, including 85 immigrants and 35 native Portuguese, who were included in the study because they had identified themselves as victims of violence in intimate relationships. They were all inserted into victim support institutions, institutions of support to immigrants or in shelters. The data collection occurred in this context, through an interview, adapted for that purpose. Instruments were used to assess the victimization, emotional maladjustment and resilience. Finally, the fourth study involved an online collection from professionals of three distinct areas: social, health and police. Data collection occurred in two stages: the first with 313 professionals, aimed at the validation of the survey of cultural competences; the second stage, with 610 professionals, assessed their perception about their cultural competence in assisting immigrant populations. The quantitative methodology was transversal to all empirical studies, privileging a retrospective design. Results: The results of the first empirical study, with a community sample, revealed that 66.4% of immigrant women were subjected to multiple victimization throughout their lives, and in the host country, and within that pattern of victimization, polyvictimization was the most frequent. Only 12.1% revealed having experienced a single incident (singular victimization). Multiple victimization proved to be a significant predictor of greater psychosocial maladjustment and PTSD of immigrant women victims. However, this relationship was entirely mediated by the participants’ resilience. Despite the high prevalence of victimization in general, only 40% of the victims sought help. The total index of victimization and being Caucasian were strong predictors of seeking help in formal sources. However, the help-seeking decision was fully mediated by the severity attributed to their victimization condition. Those who did not seek help (60%) identified as key barriers the lack of knowledge of their legal rights and the perception of lack of culturally competent services. On the other hand, immigrant women who were inserted in support institutions had high victimization rates throughout life, and women from Eastern Europe reported less victimization compared to Brazilian, African and native Portuguese. In this sample, the symptoms levels were associated with higher rates of victimization, lower family cohesion and less social resources. These women had also reported high levels of institutional victimization, particularly in shelters where they were accepted. On the other hand, help professionals revealed, in general, a positive perception of their cultural competence, assigning a less positive note to the organizational support in the area. Discussion/conclusions: this set of studies demonstrate that victimization is not a rare occurrence in immigrant women in Portugal. These findings are discussed in an integrated way, in the light of the contributions of the intersectionality paradigm, in order to offer relevant contributions (conceptual, methodological, social), able to inform prevention and intervention with immigrant women victims.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de Doutoramento em Psicologia Aplicada
URIhttp://hdl.handle.net/1822/42522
AcessorestrictedAccess
Aparece nas coleções:CIPsi - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento

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