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TítuloA inflação pela imaginação: Estudo dos efeitos interferentes
Autor(es)Moreira, Ana Sofia Gouveia
Orientador(es)Albuquerque, Pedro Barbas
Data17-Jan-2013
Resumo(s)O interesse sobre a influência da imaginação na memória partiu da necessidade de compreender o impacto de algumas técnicas psicoterapêuticas na criação de memórias falsas. Verificou-se que técnicas imagéticas aplicadas no contexto clínico poderiam desencadear a recuperação de memórias traumáticas falsas. Os estudos sobre a inflação pela imaginação surgem neste enquadramento de interesse científico e aplicado, e definem este fenómeno como a tendência para as pessoas aumentarem o nível de confiança sobre a ocorrência de episódios que foram imaginados. Garry, Manning, Loftus e Sherman (1996) desenvolveram uma metodologia para estudar o fenómeno que envolve três fases. A primeira é designada por pré-teste e consiste na avaliação da ocorrência de episódios durante a infância. A segunda fase, corresponde à realização de uma tarefa de imaginação de episódios pouco prováveis, e por fim, a terceira fase designada por pós-teste, consiste na repetição da avaliação da ocorrência dos episódios na infância. Este procedimento foi criticado porque o fenómeno estatístico de regressão para a média poderia justificar os níveis de inflação pela imaginação encontrados. Este fenómeno consiste numa tendência de aproximação à média das pontuações mais extremadas à medida que se repetem as avaliações da mesma variável. Este efeito poderia promover o aumento dos níveis de confiança dos episódios classificados como pouco prováveis de terem acontecido e que são tendencialmente os episódios mais usados no paradigma de Garry e colaboradores (1996). O primeiro estudo deste trabalho, replica o procedimento de Garry e colaboradores (1996) e explora a influência do próprio procedimento sobre a inflação pela imaginação. Assim, analisou o impacto de responder uma ou duas vezes ao Inventário de Acontecimentos de Vida (IAVid), e também analisou as mudanças dos níveis de confiança dos participantes quando não são sujeitos à tarefa de imaginação. Para tal, foi desenvolvido um desenho experimental clássico com três grupos: Gexp1 que passou por todas as fases da experiência (pré-teste, imaginação, e pósteste); o Gexp2 que realizou fase da imaginação e o pós-teste; e o Gcont que realizou o pré-teste e o pós-teste. Os resultados revelaram o efeito da inflação pela imaginação mas não revelaram que este efeito se traduza na criação de memórias falsas. Revelaram ainda que o efeito estatístico de regressão para a média não justifica os níveis de aumento da confiança encontrados nos episódios imaginados. O mecanismo cognitivo que melhor explicou os resultados obtidos neste estudo, foi a familiaridade acrescida com os episódios imaginados. O segundo estudo teve por objetivo analisar a influência do intervalo de retenção entre a fase da imaginação e a segunda avaliação da ocorrência dos episódios (IAVid2). Neste estudo foi aplicado um intervalo de retenção de uma semana, enquanto no estudo anterior o IAVid2 foi administrado imediatamente após a tarefa de imaginação. Verificou-se que quando o intervalo de retenção é alargado o efeito de inflação pela imaginação desaparece. Estes resultados indiciam que um intervalo de retenção alargado promoveu a ativação de mecanismos de monitorização da fonte de informação mais controlados impedindo que o fenómeno se manifestasse. O terceiro estudo analisou o impacto de diferentes escalas de níveis de certeza sobre o fenómeno, tal como o tipo de memória usado para a avaliação da ocorrência dos episódios. Verificou-se que a aplicação de uma escala reduzida e de uma escala ideográfica dissipa a inflação pela imaginação. A aplicação de uma escala dos níveis de certeza reduzida parece ter ativado mecanismos de monitorização da informação associada ao episódio que reduziram a suscetibilidade ao efeito da imaginação. Verificou-se ainda que inflação pela imaginação pareceu manifestar-se em pequenas transições entre níveis intermédios da escala do IAVid estando mais associada ao tipo de resposta conheço. O efeito de inflação pela imaginação revelou-se ao longo deste trabalho pouco robusto e não aparenta ser um efeito mnésico. Os resultados indiciaram que é a heurística da fluência, associada à ausência de consciência sobre a origem da fluência do processamento o mecanismo responsável pelo efeito. Os resultados revelaram-se pertinentes no âmbito da aplicação da imaginação em contextos terapêuticos.
The interest about the influence of imagination on memory stemmed from the need to understand the impact that some psychotherapeutic techniques had in the creation of false memories, given the observed influence that techniques that apply imagination in clinical context might have in recalling false traumatic memories. Studies on imagination inflation appear in this context of practical and scientific interest, and they define the phenomenon as the tendency that imagining childhood episodes has in increasing the confidence level about those episodes. Garry et al. (1996) have developed a methodology to study the subject in three steps. The first step is designated pre-test and consists in evaluating the occurrence of childhood episodes. In step 2, participants perform a task of imagining improbable episodes and lastly, in step 3 (post-test) they evaluate again the occurrence of the childhood episodes. This procedure has been criticized, based on the assumption that the statistical phenomenon of regression towards the mean could justify the levels of inflation found. This statistical artifact consists in the tendency of extreme values to become closer to the mean as more measures are taken. This artifact might promote higher levels of confidence of the episodes classified with low probability of having happened, which are typically the ones mostly used on this procedure. The first study of this work replicates the results of Garry et al. (1996) and explores the influence of the procedure over imagination inflation. We analyzed the impact of answering one or two times to the Life Events Inventory (LEI) and understand the variations on the confidence levels of the participants when not subjected to the task of imagination. With that purpose, we developed a classical experimental design with three groups: Gexp1, thatwent through all stages of the experience (pretest, imagination and post-test); Gexp2, that did only the imagination and post-test steps; and Gcont that did the pre and post tests. Results revealed the effect of imagination inflation but didn’t show that this effect translates into false memory creation. Results also revealed that the statistical artifact of regression towards the mean does not justify the increment of confidence levels found in the imagined episodes. The cognitive mechanism that better explained the results of this study is familiarity together with the imagined episodes. The purpose of the second study is to analyze the influence of the retention interval between imagination step and the second evaluation of the occurrence of episodes. In this second study, we applied a retention interval of a week, while in the previous one, LEI2 was administered immediately after the imagination task. We verified that the increase of the retention interval makes the effect of imagination inflation disappear. These results indicate that a wider retention interval has promoted the activation of more controlled information monitoring mechanisms, which have stopped the effect to manifest. Third study analyzed the impact of the different certainty scale levels of the effect, such as the type of memory used to evaluate the occurrence of the episodes. We verified that the application of a reduced scale and a ideographic scale reduce imagination inflation. By using a scale with reduced certainty levels we seem to have triggered monitoring mechanisms of the information associated with the episode. This reduced the susceptibility to the imagination effect. We also verified that imagination inflation seems to manifest itself in small transitions between intermediate levels if the LEI scale and it tends to be more associated with answers of the type know. The effect of imagination inflation hasn’t revealed robustness along our study, and does not appear to be a mnesic effect. Results indicate that it is the fluency heuristic, associated with the lack of consciousness about the origin of the processing fluency, is responsible for the effect. Results found, have potential positive applications within therapeutic context.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de Doutoramento em Psicologia (Especialidade de Psicologia Experimental e Ciências Cognitivas)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/40440
AcessoopenAccess
Aparece nas coleções:CIPsi - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento

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