Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/36555

TitleA viralidade em Saramago e Ionesco
Author(s)Vermeire, Simona
Advisor(s)Santos, Maria do Rosário Girão
KeywordsViralidade
Contágio
Epidemia
Replicação
Teoria da singularidade
Consiliência
Memética
Soma
Resistência
Virality
Contagious
Epidemic
Replication
Theory of singularity
Consilience
Memetic
Resistence
Issue date25-Feb-2015
Abstract(s)A viralidade, conceito hodierno e proteiforme comum a várias áreas do conhecimento, constitui um bom pretexto, sob o nosso ponto de vista, para a leitura transdisciplinar e para a análise comparatista da obra de José Saramago e de Eugène Ionesco. Esta nova ‘ecologia’ viral ou ‘viral turn’ – que amplifica o mecanismo de autorreplicação, para além do plano biológico, ao envolver a noosfera, a economia, a psicologia e a comunicação – configura um horizonte de sedução ficcional patente em várias obras de José Saramago e de Eugène Ionesco. Assim sendo, a viroecologia (passe o neologismo) torna manifesto um complexo temático obsessor na obra dos Autores supracitados, incidindo sobre a replicação parasitária a nível somático (alterações dramáticas do corpo), a nível memético (a replicação noosférica), a nível metafísico (a morte como fenómeno contagioso pela ausência) e a nível digital (a replicação de imagens que aniquilam a corpórea consistência fenomenológica). Ao realçarmos o potencial tecnológico responsável pela germinação de um novo tipo de replicadores, os memes e os temes, salientámos a artificialização biológica (através da clonagem, da reprodução artificial e da criação de cyborgs), a artificialização psicológica (através da propaganda e da imersão no mundo da imagética digital) e a artificialização transcendental (através da ‘manipulação’ tecnológica da morte). Tendo em vista a ‘corrupção’ universal de qualquer tipo de informação, bem como da fonte energética que a viralidade pressupõe, ao complexificar o perfil epistemológico e ao fragilizar o sistema axiológico vigente na civilização humana, optámos por uma orientação teórica alicerçada no princípio de consiliência, proposto por E. O.Wilson e pelas novas tendências da crítica evolucionista (“Darwinian literary studies”). No âmbito deste quadro teorético, construímos uma plataforma interdisciplinar, recorrendo à Literatura Comparada, e nomeadamente, aos Estudos Culturais, suscetível de congraçar perspetivas recentes sobre a evolução universal: a memética e a(s) teoria(s) da singularidade tecnológica. Neste sentido, destacámos o caráter ‘visionário’ das obras em exegese, porquanto os seus Autores desenvolveram pistas ficcionais tendendo para uma compreensão aprofundada do modo de vida contemporâneo. Assim sendo, enfatizámos as mundividências e as mundivivências inéditas, patentes em representações literárias que funcionam como um dispositivo ficcional visando a adaptação da mente aos novos desafios evolutivos. Ao contrapor estes tópicos a uma breve perspetiva diacrónica da peste, que é, talvez, a praga mais explorada pelo imaginário literário, tentámos demonstrar o contributo inovador dos dois Homens de Letras no tocante ao paradigma das representações ficcionais, ‘alinhadas’ pelas tendências atuais de replicação parasitária em todas as vertentes/dimensões da realidade. Quedando-nos nestes aspetos de alteração viral, que repassam a obra de José Saramago e de Eugène Ionesco, e dilucidando-os pela via de vários contributos conceptuais, nomeadamente os de Deleuze e de Guattari, de Sloterdijk e de Michel Serres, enfatizámos novos horizontes ficcionais no que respeita à sintomatologia avassaladora dos ‘germes’, propagadores não apenas de doenças biológicas, mas, sobretudo, da ubiquidade de patterns autorreplicativos. Neste lógica fractal, que substitui as relações de contiguidade das pragas ‘clássicas’ pelas leis da autossimilaridade, a viralidade, na retentiva dos Autores escolhidos, configura a ‘patografia’ de uma época, cujo perfil imunológico já não se relaciona com questões mitológicas, nem com soluções médicas e/ou justificações fisiológicas. Afinal, o polissemantismo virótico abarca um potencial tóxico universal ou, então, uma germinação infinita de várias categorias de replicadores, que vão constantemente redefinindo o horizonte de adaptação humana.
Virality, a modern and proteiform concept, common to various areas of knowledge constitutes a good pretext, in our point of view, towards a transdisciplinary reading and towards a comparative analysis of José Saramago’s and Eugène Ionesco’s works. This new viral ecology or viral turn, which amplifies the mechanism of autoreplication, beyond the biological level, involving -- the noosphere, economy, psychology and communication – establishes a horizon of fictional seduction present in several works by José Saramago and Eugène Ionesco. Thus, a viroecology (notwithstanding the neologism) highlights an obsessive thematic complex in the works of the above mentioned authors focusing on the parasitic replication at a somatic level (dramatic alterations of the body), at a memetic level (the noosphere replication), at a metaphysical level (death as a contagious phenomenon of absence) and at a digital level (the replication of images that annihilate the phenomenological consistence of the body). When emphasizing the technological potential responsible for the germination of a new type of replicators, the memes and the temes, we highlighted the biological artificialization (through cloning, artificial reproduction and creation of cyborgs) the psychological artificialization (through propaganda and the immersion in a world of digital imagetic) and the transcendental artificialization (through the technological manipulation of death). Considering the universal “corruption” of any kind of information as well as the energetic source that virality presupposes, making the epistemological profile more difficult, weakening the current axiological system in the human civilization, we opted for a theoretical orientation based on the consilience principle, proposed by E.O. Wilson and the new tendencies of the evolutionist critic. In the scope of this theoretical framework, we built an interdisciplinary platform, taking recourse to the comparative literature, and particularly, to the cultural studies, susceptible to encompass the recent perspective about the universal evolution: memetic and the theory or theories of technological singularity. In this way, we pointed out the ‘visionary’ character of the works in exegesis, because their authors developed fictional clues conducive to a deep understanding of the contemporary way of life. Thus, we underlined the world view and the unknown world experiences, present in the literary representations that function as a fictional device envisaging the adaptation of the mind to the new evolutionary challenges. Opposing these topics to a brief diachronic perspective of the pest, that is, probably the most explored plague of the literary imaginary, we tried to demonstrate the innovative contribution of these writers to the paradigm of fictional representations, “aligned” with the contemporary tendencies of the parasitical replication in all aspects/dimensions of reality. Considering these aspects of viral alteration that underlie the work of José Saramago and Eugène Ionesco, and elucidating them through several conceptual contributions, mainly those of Deleuze and Guattari, of Sloterdijk and of Michel Serres, we emphasized new fictional horizons regarding the overwhelming symptomatology of the “germs” spreading, not only biological diseases, but above all the ubiquity of the autoreplicative patterns. In this rhizomatic logic, which replaces the relations of contiguity of the “classical” plagues by the laws of autosimilarity, virality, in the viewpoint of the chosen authors, configures the “pathography”, whose immunological profile does not relate anymore to mythological questions, nor does it relate to medical solutions and/or physiological justifications. In reality, the viral polysemantism encompasses a universal toxic potential, or, then an infinite germination of varied categories of replications constantly redefining the horizon of human adaptation.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Ciências da Literatura (área de especialização em Literatura Comparada)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/36555
AccessOpen access
Appears in Collections:CEHUM - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento

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