Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/24862

TitleStalking entre jovens : da sedução ao assédio persistente
Author(s)Grangeia, Helena Maria Fernandes
Advisor(s)Matos, Marlene
Issue date16-May-2013
Abstract(s)A omnipresença indesejada de outro, a imprevisibilidade e o risco iminente constituem aspetos inerentes à vitimação por stalking. Esta é tipicamente uma experiência com graves implicações no bem-estar físico, psicológico e social das vítimas. No entanto, não é óbvio que esta seja assim entendida, uma vez que o stalking não é ainda amplamente reconhecido em Portugal como uma forma autónoma de violência interpessoal. Partindo desse contexto, um objetivo central deste trabalho consiste em compreender como é que esta conjetura de relativa invisibilidade social do stalking molda as perceções das vítimas, dos stalkers e das audiências. Particularmente procura-se captar e estudar os processos de definição e significação social do stalking e as suas implicações a nível individual. Pretende-se, por último, contribuir para o reconhecimento e o debate informado sobre o stalking em Portugal para que se desenvolvam políticas e práticas efetivas que obstem a manifestação do stalking e garantam respostas proporcionais às necessidades sentidas pelas vítimas. Tais intenções conduziram ao desenvolvimento dos cinco capítulos apresentados – duas revisões teóricas e três estudos empíricos. Estes últimos assentam numa pluralidade metodológica estritamente relacionada com os objetivos específicos de cada um. Assume-se, portanto, o pragmatismo como grelha concetual que advoga uma ligação estreita entre teoria e prática e favorece a multiplicidade metodológica face à abrangência da questão de investigação. Na tentativa de aproximação ao objeto de estudo foram desenvolvidos duas revisões teóricas. A primeira permitiu um mapeamento atualizado do conhecimento científico sobre o stalking no panorama internacional. A discussão teórica que o integra procurou evidenciar pontos de convergência e de descontinuidade entre perspetivas conceptuais e empíricas. Sobressai deste estudo a multiplicidade de definições e perspetivas teóricas, resultante de um objeto de estudo apenas recentemente explorado. Contrastantes com a ambiguidade da sua definição, surgem evidências de uma inquietante prevalência na população em geral e do potencial nocivo que a vitimação por stalking encerra. No segundo trabalho teórico percorreu-se o processo de construção social do stalking, particularmente evidente nos países anglo-saxónicos, desde a sua invisibilidade até ao seu atual estatuto como um problema social e de justiça criminal. Contrapondo com as medidas judiciais e sociais decorrentes do reconhecimento apresentam-se as implicações resultantes da invisibilidade do fenómeno no contexto nacional. São discutidas particularmente as dificuldades ao nível das respostas eficazes dirigidas às vítimas quando a experiência de stalking não é reconhecida autonomamente. Relativamente aos estudos empíricos, numa primeira fase o stalking foi abordado como um possível extremo de uma perseguição relacional indesejada. O objetivo era compreender o processo em que uma rejeição amorosa se poderá transformar numa perseguição com caráter intrusivo. Através de um questionário de autorrelato, especialmente construído para o efeito, foram inquiridos 388 jovens universitários sobre as suas experiências de rejeição amorosa. Os resultados indicaram que a perseguição relacional indesejada é uma experiência muito comum entre os jovens universitários, com caraterísticas que se coadunam com as definições mais conservadoras de stalking. Porém, no que respeita aos comportamentos de stalking, apenas a presença de ameaças claras e violência concreta predizia uma reação negativa do alvo. O género surge como um importante fator diferenciador ao nível das perceções, dado que os homens – quer como alvos, quer como perseguidores – apresentam genericamente versões mais brandas da sua experiência comparativamente às mulheres inquiridas, sugerindo a existência de um padrão duplo de entendimento destas experiências. No segundo estudo, através de um inquérito online, procurou-se aceder à prevalência e às perceções de legitimação associadas à vitimação e perpetração do stalking entre jovens universitários. Das 3367 participações analisadas verificou-se uma prevalência autorrelatada de 34.5% de vitimação e 8.9% de perpetração. Fatores tais como a existência de uma relação íntima prévia entre vítima e stalker, a experiência de medo pela vítima e a coocorrência de ameaças e violência prediziam níveis mais elevados de desaprovação da conduta, tanto nas vítimas como nos stalker. O último estudo procurou compreender as dinâmicas culturais que sustentam o comportamento de stalking. Foram analisados criticamente dois tipos de dados conversacionais: declarações de vítimas de stalking publicadas online e grupos de discussão com jovens estudantes do ensino secundário e universitário. Da análise emergem construções discursivas que apresentam o stalking, por um lado, como uma forma legítima de sedução, especialmente se os stalkers forem do sexo masculino ou, por outro, como uma expressão de uma patologia, particularmente se as stalkers forem mulheres. Estas construções discursivas implicam, por último, a descredibilização das vítimas e a desresponsabilização dos stalkers.
The unrequited omnipresence of other, the unpredictability and the imminent risk are all aspects of stalking victimisation. This is typically an experience with serious implications for the physical, psychological and social wellbeing of its victims. Nevertheless, it is not obvious that this is the common understanding, since stalking is not yet fully recognised in Portugal as an autonomous type of interpersonal violence. Drawing from this context, the central aim is to understand how the conjecture of relative social invisibility of stalking may shape the perception of victims, stalkers and audiences. Particularly, this work seeks to know and study the processes of stalking definition and signification and its implications at individual level. Ultimately, it is intended to contribute for the recognition and an informed debate on stalking in Portugal that imply effective policies and practices to hinder the manifestation of stalking and to assure responses that are proportional to victim’s needs. Such intentions sustained the development of the five chapters presented – two theoretical reviews and three empirical studies. The empirical studies are based on a methodological plurality strictly related with its specific aims. Thus, pragmatism is assumed as a conceptual framework, which sustains a close link between theory and practice and promotes the methodological multiplicity when considered the scope of the research question. In an attempt to approach the study object, two theoretical reviews have been developed. The first one allowed the updated mapping of the scientific knowledge about stalking on the international scene. The theoretical discussion included in this review sought to highlight points of agreement and of discontinuity amongst conceptual and empirical perspectives. In this study, a multiplicity of definitions and theoretical perspectives emerges from an object of study that had only recently begun to be explored. Contrasting with the ambiguity of its definition, there are evidences of a worrying prevalence on the general population and of the harmful potential associated to the stalking victimisation. In the second theoretical work the process of the social construction of stalking was followed from its invisibility to its current status as a social and a criminal justice problem, which was particularly evident in Anglo-Saxon countries. In contrast with the judicial and social measures that arise from the phenomenon recognition, the implications resulting from its invisibility in the national context are presented. Because stalking experience is not autonomously recognised, the difficulties of effective victim-support responses are particularly discussed. Regarding the empirical studies, stalking was firstly approached as a possible extreme of an unwanted relational pursuit. The aim was to better understand the process in which a love rejection can turn into an intrusive pursuit. A self-report questionnaire specially designed for this study was used, and 388 young college students were inquired about their experiences of love rejection. Results indicated that the unwanted relational pursuit is a very common experience among the young college students, with shared characteristics with more conservative stalking definitions. Nevertheless, in what concern stalking behaviours, only the presence of clear threats and concrete violence predicted a target’s negative reaction. Gender emerged as an important differentiator factor at the perceptions level, since men – both as targets and as pursuers – generally presented soften versions of their experiences than the inquired women, suggesting the existence of a double standard for the understanding of those experiences. In the second study, an online questionnaire was used in order to access the prevalence and the perceptions of legitimacy associated to stalking victimisation and perpetration amongst young university students. From the 3367 analysed participations, the self-reported prevalence was 34.5% for victimisation and 8.9% for perpetration. Factors such as the existence of a previous intimate relationship between the stalker and the victim, the victim’s experience of fear and the co-occurrence of threats and violence predicted higher levels of conduct disapproval for both victims and stalkers. The last study aimed to understand the cultural dynamics that sustain stalking behaviour. Two types of conversational data were critically analysed: statements of stalking victims posted online and focus groups with young high school and college students. From the analysis emerged discursive constructions that present stalking as a legitimate way of seduction especially if male stalkers are involved or, on the other hand, as an expression of pathology, particularly if stalkers are women. Ultimately, these discursive constructions imply de discredit of the victims’ experience and the unaccountability of stalkers.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia (área de especialização em Psicologia da Justiça)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/24862
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIPsi - Teses de Doutoramento

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