Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/22941

TitleMaintenance and transformation of self-narratives in brief psychotherapy: theoretical and empirical advances
Other titlesEstabilidade e transformação de auto-narrativas em psicoterapia breve: contribuições teóricas e empíricas
Author(s)Ribeiro, António P.
Advisor(s)Gonçalves, Miguel M.
Stiles, William B.
Issue date12-Nov-2012
Abstract(s)This dissertation addresses the question of why people do not change. Specifically, one possible path to therapeutic failure is explored: how problematic self-stability can be maintained, throughout therapy, by a mutual in-feeding process, a form of ambivalence characterized by a cyclical movement between two opposing parts of the self: the client’s dominant self-narrative (usual way of understanding the world) and Innovative Moments, which are moments in the therapeutic dialogue when clients challenge their dominant self-narrative. In order to understand (1) how IMs remain captive in the process of ambivalence and (2) also how they develop into a successful outcome (overcoming ambivalence), a set of systematic studies were conducted and presented in this dissertation. The first study tested our narrative-dialogical model of self-stability. We identified Return-to-the-Problem Markers (RPMs), which are empirical indicators of the ambivalence process, in passages containing IMs in 10 cases of narrative therapy (five good-outcome cases and five poor-outcome cases) with females who were victims of intimate violence. The poor-outcome group had a significantly higher percentage of IMs with RPMs than the good-outcome group. The results suggest that therapeutic failures may reflect a systematic return to a dominant self-narrative after the emergence of novelties (IMs). The second study investigated the ambivalence process in six cases of major depression treated with emotion-focused therapy (three good-outcome cases and three poor-outcome cases), replicating and extending the first study. Good and poor groups presented a similar overall proportion of IMs containing RPMs. Results contrasted with narrative therapy study in which IMs were much more likely to be followed by RPM in the poor outcome. However, good and poor outcome groups presented different trajectories across treatment: the probability of RPMs decreased in the good outcome group, whereas it remained high in the poor outcome group, corroborating that therapeutic failures may reflect a systematic return to a dominant self-narrative after the emergence of novelties (IMs). The third and forth studies aimed to further the understanding of how IMs progress from ambivalence to the construction of a new self-narrative, leading to successful psychotherapy. The research strategy involved tracking IMs, and the themes expressed therein (or protonarratives), and analyzing the dynamic relation between IMs, protonarratives and RPMs within and across sessions using state space grids in a good-outcome case of constructivist psychotherapy. The concept of protonarrative helped explain how IMs transform a dominant self-narrative into a new, more flexible and less prone to ambivalence, selfnarrative. The increased flexibility of the new self-narrative was manifested as an increase in the diversity of IM types and of protonarratives, as well as by a decrease in the proportion of RPMs. Results suggest that new self-narratives may develop through the elaboration of protonarratives present in IMs, yielding an organizing framework that is more flexible than the dominant self-narrative. The fifth and last study used the Therapeutic Collaboration Coding System (TCCS), a qualitative coding system developed to micro-analyse the therapeutic collaboration, which we understand as the core of the alliance. With the TCCS we code each speaking turn and assess whether and how therapists are working within the client's Therapeutic Zone of Proximal Development (TZPD), defined as the space between the client's actual therapeutic developmental level and their potential developmental level. This study focused on the moment-to-moment analysis of the therapeutic collaboration in instances in which a poor-outcome client in narrative therapy expressed ambivalence. Results showed that ambivalence tended to occur in the context of challenging interventions, suggesting that the dyad was working at the upper limit of the TZPD. When the therapist persisted in challenging the client after the emergence of ambivalence, the client moved from showing ambivalence to showing intolerable risk. This escalation in client’s discomfort indicates that the dyad was attempting to work outside of the TZPD. Our results suggest that when therapists do not match clients’ developmental level, they may unintentionally contribute to the maintenance of ambivalence in therapy.
A presente dissertação centra-se nos processos que bloqueiam a mudança em psicoterapia. Especificamente, explora-se um processo potencialmente envolvido no insucesso terapêutico: uma forma de ambivalência, entendida como um ciclo oscilatório entre a auto-narrativa dominante do cliente (i.e., a sua perspetiva habitual acerca da realidade) e os Momentos de Inovação, entendidos como eventos em que o cliente desafia esta auto-narrativa. Trata-se, pois, de um processo de retro-alimentação entre duas posições antagónicas do self. De forma a compreender (1) de que modo o potencial de mudança dos MIs é bloqueado pelo processo de ambivalência e, pelo contrário (2) como estes se transformam numa auto-narrativa bem sucedida (ultrapassando a ambivalência), conduziu-se um conjunto sistemático de estudos que compõem esta dissertação. No primeiro estudo, testou-se o nosso modelo narrativo-dialógico de estabilidade identitária. Para tal, identificámos Marcadores de Retorno-ao-Problema (MRPs), enquanto indicadores empíricos do processo de ambivalência em 10 casos de terapia narrativa com mulheres vítimas de violência na intimidade (cinco casos de sucesso e cinco casos de insucesso). O grupo de insucesso apresentou uma percentagem global de MIs seguidos de MRPs significativamente mais elevada do que o grupo de sucesso. Este resultado sugere que o insucesso terapêutico pode envolver um retorno sistemático à auto-narativa dominante, imediatamente a seguir à emergência de novidade (MIs). No segundo estudo, investigou-se o processo de ambivalência em seis casos de terapia focada nas emoções no tratamento da depressão (três casos de sucesso and três casos de insucesso), replicando e expandindo o primeiro estudo. Ao contrário do que se verificou no estudo com terapia narrativa, neste estudo os grupos de sucesso e insucesso apresentaram uma percentagem equivalente de MIs seguidos de MRPs. Contudo, os dois grupos apresentaram trajetórias diferentes ao longo do tempo: a probabilidade de MRPs decresceu no grupo de sucesso, mas manteve-se inalterada e elevada no grupo de insucesso. Este resultado corrobora o pressuposto de que o insucesso terapêutico pode estar associado à persistência da ambivalência ao longo do tratamento. Nos terceiro e quarto estudos, procurou-se perceber como é que os MIs progridem da ambivalência para a construção de uma auto-narrativa alternativa, traduzindo-se num sucesso terapêutico. A estratégia de investigação envolveu a identificação de MIs, dos temas por estes expressos (ou protonarrativas) e de MRPs, bem como na análise da interação dinâmica entre estes três processos, através do state space grids num caso de sucesso de terapia construtivista. O conceito de protonarrativa ajudou a explicar de que modo a emergência de MIs transformaram a auto-narrativa dominante numa auto-narrativa alternativa, mais flexível e menos propícia à ambivalência. O aumento da flexibilidade da auto-narrativa alternativa manisfestou-se no incremento da diversidade de MIs e protonarrativas, bem como no decréscimo da proporção de MRPs. Os resultados sugerem que a auto-narrativa alternativa se desenvolve através da elaboração das protonarrativas presentes nos MIs, oferecendo um nova perspetiva ou enquadramento mais flexivel do que a auto-narrativa dominante. No quinto e último estudo, utilizou-se o Sistema de Codificação da Colaboração Terapêutica (SCCT), um sistema de codificação qualitativo desenvolvido para microanalisar a colaboração terapêutica, entendida como a dimensão central da aliança. O SCCT envolve a codificação momento-a-momento das falas to terapeuta e do cliente, permitindo avaliar se a díade terapêutica está ou não a trabalhar dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal Terapêutica (ZDPT), definida como o intervalo entre o nível de desenvolvimento presente do cliente e o nível de desenvolvimento que pode, potencialmente, atingir com a ajuda do terapeuta. Este estudo focou-se na análise da natureza e qualidade da colaboração terapêutica nas interações subsequentes à emergência de ambivalência. Os resultados mostraram que a ambivalência emergiu, maioritariamente, no seguimento de intervenções em que a terapeuta desafiou a perspetiva habitual da cliente, indicando que a díade estava a trabalhar no limite superior da ZDPT. Os resultados mostraram, ainda, que a terapeuta tendeu a responder à ambivalência da cliente com um novo desafio, sendo que a cliente tendeu a invalidar a intervenção da terapeuta, indicando que esta se encontrava fora da ZDPT. Deste modo, quando a terapeuta persistiu no desafio verificou-se, frequentemente, uma escalada no desconforto da cliente e uma deterioração da qualidade da relação terapêutica. Tal sugere que, quando a terapeuta não respeita o nível desenvolvimental do cliente, tende a contribuir inadvertidamente para a manutenção da ambivalência.
TypedoctoralThesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia (ramo de conhecimento em Psicologia Clínica)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/22941
AccessopenAccess
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIPsi - Teses de Doutoramento

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