Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/19821

TitleImpacto do stress ocupacional e do conflito trabalho-família nas respostas de stress e saúde sexual das enfermeiras
Author(s)Simães, C.
Advisor(s)McIntyre, Teresa
McIntyre, Scott Elmes
Issue date26-Mar-2012
Abstract(s)O stress ocupacional nos profissionais de saúde constitui um problema de saúde ocupacional, identificado em diversos países europeus, incluindo Portugal. Este trabalho surge na continuidade de um conjunto de estudos que revelam elevados níveis de stress nos profissionais de enfermagem e da relevância da mútua interferência entre os domínios trabalho e família, neste grupo profissional, especialmente para a mulher. Esta investigação visa aumentar o conhecimento sobre a relação entre o stress ocupacional, o conflito trabalho-família e a saúde sexual em enfermeiras de contexto hospitalar. Enquadrando-se num tipo de investigação correlacional e transversal. São alvo de análise variáveis psicológicas e indicadores biológicos, sendo os mais relevantes as fontes e a intensidade do stress, os níveis de cortisol salivar, a saúde organizacional, o conflito trabalho-família, as barreiras à prática de comportamentos sexuais seguros, os comportamentos sexuais preventivos, o desejo sexual, a satisfação sexual, e a qualidade do ajustamento conjugal. O estudo empírico envolveu um total de 310 enfermeiras de contexto hospitalar, da região norte de Portugal. Todas as participantes foram avaliadas através de um questionário demográfico, profissional e clínico, e da versão portuguesa dos seguintes instrumentos de avaliação psicológica: o Inventário de Fontes de Stress e Recursos de Coping Percebidos; o General Health Questionnaire-12; o Questionário Estudo da Saúde da Mulher; o Índice de Desejo Sexual; o Índice de Satisfação Sexual; as escalas Work-Family Conflict and Family-Work Conflict; o Job Content Questionnaire - Social Support; o Effort Reward Imbalance Inventory; o Inventário de Respostas e Recursos Pessoais - Breve; o Revised Dyadic Adjustment Scale; o Family Inventory of Life Events and Changes; e, o Questionário de Avaliação do Clima Organizacional. Num subgrupo de 59 enfermeiras, avaliaram-se alguns indicadores biológicos de stress, nomeadamente os níveis de cortisol salivar ao acordar: Ct(+0), Ct(+30), CAR e TMCR. Formularam-se 5 hipóteses: A Hipótese 1 previa que as variáveis dos modelos de stress ocupacional JDCS e ERI fossem preditores significativos das respostas de stress e da saúde sexual das enfermeiras. A Hipótese 2 previa que a mútua interferência trabalho-família fosse preditor significativo das respostas de stress e da saúde sexual. Na Hipótese 3 esperava-se que o stress ocupacional constituísse preditor significativo da mútua interferência trabalho-família. A Hipótese 4 previa que o conflito trabalho-família e o conflito família-trabalho fossem preditores das respostas de stress e da saúde sexual das enfermeiras, explicando variância acrescida em relação aos modelos ocupacionais JDCS e ERI. Na Hipótese 5 previa-se que as variáveis pessoais (e.g. recursos de coping, stress familiar) fossem moderadores significativos da relação entre o stress ocupacional as respostas de stress e a saúde sexual das enfermeiras. Verificou-se uma elevada percentagem de casos clínicos em termos de distress psicológico, 75.8% no grupo total, e exuberante reactividade ao stress em termos fisiológicos, dada pela CAR, no subgrupo considerado. Em suporte da Hipótese 1, as dimensões dos modelos de stress ocupacional JDCS (“Job Demand/Control/Social Support”) e ERI “Effortreward imbalance” produziram efeitos independentes significativos sobre as respostas de stress (e.g. distress psicológico e pressão excessiva) e indicadores de saúde organizacional (e.g. satisfação global com as reuniões e ambiente de trabalho). O comprometimento excessivo no trabalho (modelo ERI) associou-se a um maior risco de experienciar pressão excessiva em resposta ao stress ocupacional. O suporte social no trabalho e da família/amigos apareceu como um moderador do impacto da exigência/esforço sobre as variáveis de saúde organizacional, já sobre as respostas individuais de stress constituiu-se moderador significativo o suporte social da família/amigos. Com menor variância explicada, as dimensões ocupacionais dos modelos de stress JDCS e ERI, afiguraram-se preditores significativos das variáveis de saúde sexual das enfermeiras (e.g. barreiras aos comportamentos sexuais seguros, auto-eficácia geral, desejo sexual, satisfação sexual e ajustamento diádico). Constatou-se um efeito de interacção significativo da exigência x controlo (DC), em relação à qualidade da relação conjugal. Também se verificou a esperada interacção do comprometimento excessivo e esforço (ERI) em relação ao desejo sexual manifesto. O suporte social da família/amigos e os recursos de coping também se mostraram importantes preditores das respostas de stress e da saúde sexual das enfermeiras. Apoiando a Hipótese 2, a mútua interferência trabalho-família constituiu-se preditor significativo das respostas de stress e da saúde sexual das enfermeiras. O conflito trabalho-família (WFC) mostrou maior relevância em relação ao conflito família-trabalho (FWC), constituindo-se importante preditor das respostas de stress (e.g. distress psicológico, pressão excessiva, culpabilidade) e indicadores de saúde organizacional (e.g. avaliação global do clima organizacional, satisfação com reuniões e ambiente de trabalho). O WFC almejou-se um preditor significativo, das respostas de saúde sexual (e.g. barreiras ao sexo seguro, auto-eficácia geral percebida, desejo sexual, satisfação sexual e qualidade da relação conjugal). Com menor variância explicada, o FWC afigurou-se preditor significativo dos sentimentos negativos de culpabilidade, da qualidade do ajustamento diádico, da auto-eficácia geral e da auto-eficácia na comunicação do sexo seguro. Em suporte da Hipótese 3, as variáveis de stress ocupacional dos modelos JDCS e ERI, assumiram-se preditores significativos da mútua interferência trabalho-família, com maior contributo preditivo sobre o WFC, relativamente ao FWC. De acordo com a Hipótese 4, o WFC e FWC mostraram-se preditores significativos das respostas de stress e da saúde sexual, explicando variância adicional, em relação às variáveis de stress ocupacional dos modelos JDCS e ERI, embora com menor peso do que as variáveis ocupacionais. Em apoio da Hipótese 5, os recursos de coping das enfermeiras mostraram um efeito de moderação positivo, no impacto do stress ocupacional na saúde ocupacional (satisfação com as reuniões e ambiente de trabalho), revelando-se um importante recurso no confronto com o stress. O stress familiar apresentou um efeito de moderação, na relação entre o stress ocupacional e a satisfação sexual das enfermeiras, observando-se maior impacto negativo do stress ocupacional sobre a satisfação sexual quando a experiência de stress familiar é reduzida. Os resultados encontrados nesta investigação representam um importante contributo para o desenvolvimento de programas de promoção da saúde ocupacional, especialmente no que diz respeito às mulheres na profissão de enfermagem.
Occupational stress in health professionals constitutes a health problem identified in many European countries, including Portugal. This study arises from a group of studies that reveal high levels of occupational stress in nursing professionals, especially for women, and the mutual interference of the domains of home and work in this professional group. The present investigation seeks to increase the knowledge, about the relationship between occupational stress, work-family conflict, and sexual health in female Portuguese hospital based nurses. This is a correlational and crosssectional study which targets psychosocial variables and biological indicators focusing on the intensity and work sources of occupational stress, salivary cortisol levels, organizational health, work-family conflict, barriers to safer sex behaviour, preventive sexual behaviours, sexual desire, sexual satisfaction, and marital adjustment. The sample consists of 310 female hospital-based nurses from the northern region of Portugal. All participants filled out a socio-demographic, professional and clinical questionnaire, as well as the Portuguese versions of the following instruments: the Perceived Sources of Stress and Coping Resources Inventory; the General Health Questionnaire-12; the Women’s Health Study Questionnaire; the Hulbert Index of Sexual Desire; the Index of Sexual Satisfaction; the Work-Family Conflict and Family- Work Conflict Scales; the Job Content Questionnaire - Social Support; the Effort Reward Imbalance Inventory; the Revised Brief Personal Survey; the Revised Dyadic Adjustment Scale; the Family Inventory of Life Events and Changes; and, the Organizational Climate Questionnaire. A subgroup of 59 nurses were also assessed using biological indicators of stress, i.e. salivary cortisol levels at the time of awakening: Ct(+0), Ct(+30), CAR e TMCR. Five hypotheses were tested: Hypothesis 1 predicted that occupational stress variables based on the following organizational job stress models, the Job Demand-Control-Social Support theory (JDCS) and the Effort- Reward Imbalance theory (ERI). They were significant predictors of nurses’ stress responses and sexual health. Hypothesis 2 predicted a significant connection between work-family conflict, stress responses, and sexual health. Hypothesis 3 predicted that occupational stress would be a significant predictor of nurses’ work-home conflict.Hypothesis 4 formulates that work-to-family conflict and family-to-work conflict were both significant predictors of nurses’ stress responses and sexual health, explaining additional variance to occupational stress models JDCS and ERI. Hypothesis 5 predicted that personal variables (e.g. coping resources, family stress), would moderate the relationship between occupational stress and nurses’ stress responses and sexual health. The greatest levels of clinical cases of stress were observed in 75.8% of the sample. The subgroup of participants who were give the CAR showed heightened physiological reactivity to stress. Hypothesis 1 was supported. The occupational stress models JDCS and ERI demonstrated significant independent effects, on both nurses’ stress responses (e.g. psychological distress and pressure overload) and occupational health indicators (e.g. global satisfaction with reunions and work environment). Social support in the work place and family/friends social support becomes a moderator of demand/effort impact on organizational and individual variables. With less explained variance, all dimensions of occupational stress models JDCS and ERI, constituted significant predictors of nurses’ sexual health (e.g. barriers to safer sex behaviour, general self-efficacy, sexual desire, sexual satisfaction and dyadic adjustment). A moderator effect was found for demand x control dimension (DC), in terms of dyadic adjustment quality. Overcommitment to work place (ERI) produced the expected moderator effect on the relationship between occupational stress and sexual desire. Social support of Family/friends and coping resources also represented important predictors of both nurses’ stress responses and nurses’ sexual health. Hypothesis 2 was supported with the mutual interference of work-family conflict constituting a significant predictor of nurses’ stress responses and sexual health. Work-to-family conflict (WFC) showed a higher prevalence in comparison to family-to-work conflict (FWC), constituting a relevant predictor of nurses’ stress responses (e.g. psychological distress, pressure overload, guilty), and organizational health indicators (e.g. global assessment of organizational climate, and satisfaction with meetings and work environment). WFC also predicted nurses’ sexual responses (e.g. barriers to safer sex behaviour, general self-efficacy, sexual desire, sexual satisfaction, and dyadic relationship quality). With less explained variance, FWC showed to be an important predictor of nurses’ negative guilt feelings, dyadic adjustment quality, general selfefficacy, and self-efficacy in communicate preventive sexual behaviours. In Hypothesis 3, occupational stress variables, from JDCS and ERI models, demonstrated to be significant predictors of the mutual interference work-family conflict, with higher predictive contribution for WFC, than for FWC. In Hypothesis 4, WFC and FWC predicted nurses’ stress responses and sexual health, explaining additional variance in relation to occupational stress models JDCS and ERI, although with less explained power to occupational stress variables. Hypothesis 5 was supported with nurses’ coping resources showing a positive moderation effect on the impact of occupational stress on occupational health (nurses’ satisfaction with meetings and work environment), constituting an important resource to deal with stress. Family stress presented a moderating effect in the relationship between occupational stress and nurses’ sexual satisfaction. A greater negative impact from occupational stress on sexual satisfaction is observed when family stress experience is reduced. The results found in this investigation represent an important contribution for the development of occupational health promotion programs, especially for women in the nursing profession.
TypedoctoralThesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia - Especialidade em Psicologia da Saúde
URIhttp://hdl.handle.net/1822/19821
AccessrestrictedAccess
Appears in Collections:CIPsi - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento
ESE-CIE - Teses de Doutoramento / PhD Thesis

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