Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/19635

TitleA perceção das crianças sobre os conflitos interparentais : impacto no desenvolvimento em idade escolar
Author(s)Almeida, Telma Catarina Ferreira de
Advisor(s)Sani, Ana Isabel Martins
Gonçalves, Rui Abrunhosa
Issue date25-Nov-2011
Abstract(s)A violência interparental pressupõe o desenvolvimento de problemas quer de internalização (e.g., medo acrescido, sentimentos de culpa) quer de externalização (e.g., comportamentos de agressividade) na criança (Bourassa, 2007; Gonçalves & Sani, 2006; Shen, 2009). A revisão da literatura mostra que a compreensão das crianças mais pequenas acerca dos conflitos violentos entre os pais é diferente da perceção das crianças mais velhas (Grych, 1998). Durante muito tempo a exposição à violência entre os pais permaneceu como um problema oculto na privacidade familiar, fazendo da criança mais uma vítima silenciosa. Com a gradual tomada de consciência quer a nível social quer a nível profissional acerca da prevalência e do impacto que os conflitos entre os pais têm na criança, esta problemática começou a ser estudada a nível mundial, destacando a pertinência do aumento de investigação nesta área. Este estudo teve como principal objetivo avaliar as perceções de crianças vítimas de violência interparental perante os conflitos entre os pais. Procurou perceberse a forma como estas crianças caracterizam essas vivências e de que modo elas se traduzem num impacto negativo em crianças com idade escolar. Na revisão do estado da arte começou por se descrever a pertinência do estudo da violência interparental através da abordagem a um elevado número de estudos que comprovam a sua relevância. Começa por se descrever a prevalência da problemática, os factores que medeiam o seu impacto, o impacto na criança aos vários níveis, as abordagens teóricas que sustentam a compreensão deste tipo de violência, a avaliação e algumas formas de intervenção em vítimas. No segundo capítulo desta tese procedeu-se à elaboração de dois estudos com diferentes metodologias. Numa primeira fase, procedeu-se à adaptação da Children’s Perception of Interparental ConflictScale (CPIC-Y: Grych, 2000) à população portuguesa, uma escala que acede às perceções de crianças em idade escolar relativamente aos conflitos interparentais. Este processo permitiu proceder de seguida, ao primeiro estudo deste trabalho. No primeiro estudo, pretendeu-se, através de uma metodologia quantitativa, avaliar as perceções de crianças dos 7 aos 9 anos de idade vítimas de violência interparental. Pretendeu-se perceber também se as perceções destas crianças vítimas se distinguem das perceções de crianças não sinalizadas como vítimas de violência interparental e identificar variáveis passíveis de mediar o impacto desta vitimação. Especificamente, analisou-se a idade, o sexo e a realidade atual da criança (se vive ou não institucionalizada), na mediação do impacto da exposição a episódios de conflito entre os progenitores. A partir deste estudo, foi possível verificar que as crianças vítimas de violência interparental percecionam maiores níveis de conflito interparental no casal, percebem maiores níveis de culpa e menor relação com os seus pais comparativamente as crianças não sinalizadas como vítimas. O segundo estudo, de metodologia qualitativa, recorreu à realização de dezoito entrevistas a crianças dos 7 aos 9 anos de idade, vítimas de violência interparental. Pretendeu-se compreender, através da Grounded Theory, as experiências destas crianças face aos conflitos entre os pais. Analisaram-se assim os relatos das crianças vítimas de violência interparental, de forma a aceder às suas representações face aos momentos em que viviam em violência, ao momento de transição e de vivência sem a violência interparental. Verificou-se que as crianças identificam sobretudo interações negativas entre os progenitores, com presença de violência verbal, emocional/psicológica e física no casal. Foi possível também constatar que algumas destas crianças é também vítima de violência por parte dos progenitores e a grande maioria identifica impacto negativo a nível emocional, cognitivo, comportamental e físico. Destaca-se também a referência ao consumo de álcool/drogas por parte do agressor, a sensação de impotência face aos conflitos pela criança, ao desejo de reconciliação, e o recurso ao suporte social. A experiência de viver sem violência representa para estas crianças, um apaziguamento da sintomatologia subjacente ao impacto negativo da exposição à violência interparental. Este trabalho acrescenta contributos importantes para o reconhecimento do peso que a violência interparental representa na vida destas crianças, sobretudo em idades tão jovens.
Interparental violence influences the development of both internalizing (e.g., increased fear, guilt) and externalizing (e.g., aggressive behavior) problems in children (Bourassa, 2007; Gonçalves & Sani, 2006; Shen, 2009). The existing literature shows that youngest children have a different perception of violent conflicts between parents compared to older children (Grych, 1998). For a long time, the exposure to violence between parents has remained a hidden problem within the family’s privacy, thus making the child an additional and quiet victim from this victimization. With the gradual increase of awareness at the social and professional level concerning the prevalence and impact that conflict between parents have on children, this problem began to be studied worldwide, thus increasing the relevance of research in this area. Therefore, the main objective of this study was to evaluate the perception of children victims of interparental violence when faced with conflicts between their parents. Furthermore, this work tries to define how these children characterize these life experiences, and how these incidents can have a negative impact on younger children. While reviewing the state of art on interparental violence, a considerable amount of studies can be found confirming the relevance of this work: the prevalence of the problem, the factors that mediate its impact, the consequences on children at various levels (i.e. emotional, cognitive, behavioral, physiological/biological, and social), the theoretical approaches that explain this kind of violence, the evaluation of victims of interparental violence, and some forms of intervention. The main contribution of this thesis concerns the development of two studies using different methodologies: (i.e. quantitative and qualitative), which are described in the second chapter of this thesis. In the first study, the Children’s Perception of Interparental Conflict Scale (CPIC-Y: Grych, 2000) that assesses the perceptions of young children to inperparental conflicts was adapted to the Portuguese population. After completing this process, the perceptions of children exposed to interparental violence, with ages between 7 and 9, were evaluated. Additionally, it was intended to determine if the perceptions of children that are victims of interparental violence could be distinguished from those that are not known as victims, and identify variables that could mediate the impact of this victimization. More specifically, we analyze the age, gender and institutionalization (whether the child lives or not in an institution), as a mediator of the impact of the exposure of children to parental conflicts. From this study, it was possible to verify that children who are victims perceive higher levels of conflict between their parents, possess higher levels of guilt, and have a worst relationship with their parents, when compared with children not known as victims. For the second study, using qualitative methodology, eighteen interviews were performed to children from 7 to 9 years old, and who were victims of interparental violence. Using the framework of Grounded Theory, we intended to understand the experiences of these children related to the conflicts between their parents. Therefore, the reports from the children victims of interparental violence were analyzed in order to access their thoughts and feelings during the time they witnessed violence in their homes, and in the current time (without violence). It was found that children mostly identify negative interactions between parents, with the presence of verbal, emotional/psychological and physical violence. It was also possible to observe that some of these children were also victim of violence from parents (i.e. maltreatment), and a large majority identifies a negative impact at an emotional, cognitive, behavioral and physical level. It is also noteworthy the reference to the consumption of alcohol/drugs by the abusive father, the feeling of powerlessness of the child against the conflicts, the desire of reconciliation, and the request for social support. For these children, living without violence reduces the underlying symptoms associated to the negative impact of interparental violence exposure. This work adds important contributions to the recognition of interparental violence as a heavy burden in the lives of children, especially at young ages and suggests the importance of early intervention on these children.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia (área de especialização em Psicologia da Justiça)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/19635
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIPsi - Teses de Doutoramento

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