Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/1822/11558

TitleEntre os montes e as águas : ensaio sobre a percepção dos limites na Pré-história da faixa costeira entre o Minho e o Lima (NW português)
Other titlesBetween hills and waters : essay on the perception of the limits in Prehistory in the coastal area between the Minho and Lima rivers (Nortwestern Portugal)
Author(s)Bettencourt, Ana M. S.
KeywordsNoroeste de Portugal
Fachada litoral entre o Lima e o Minho
Arte atlântica
Simbolismo dos “lugares de limite”
Northwest of Portugal
Coastal facade between Lima and Minho
“Atlantic rock art”
Symbolism of the liminal places
Issue date2010
PublisherCentro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM)
CitationIn BETTENCOURT, Ana M. S. ; ALVES, Lara B., eds. – “Dos montes, das pedras e das águas : formas de interacção com o espaço natural da pré-história à actualidade.” [Porto] : CITCEM. 2010. ISBN 978-989-8351-02-9. p.131-162.
Abstract(s)A plataforma litoral é relativamente estreita e delimitada por uma Arriba Fóssil com vertentes de pendor acentuado, sensivelmente paralela ao mar, sendo interrompida apenas no promontório de Montedor. Todas estas características provocam um efeito cénico e visual de profundo isolamento em relação ao relevo interior, apenas quebrado pelas fozes dos rios Minho, Âncora e Lima. Foi neste cenário com características impressivas entre o mar – a oeste (desconhecido e perigoso), a arriba fóssil – a este (de difícil acessibilidade e nos limites da terra e do céu) e o estuário dos rios (porta de entrada ou de saída para mundos insuspeitados) que as comunidades pré-históricas desenvolveram uma série de acções que culminaram na gravação de afloramentos com motivos de carácter zoomórfico ou circulares, designadas por “arte atlântica”, entre outras. A partir do inventário dessas gravuras, se bem que preliminar, da sua contextualização física e ambiental, assim como da maior ou menor complexidade dos motivos inscritos nas rochas e partindo do princípio de que elas materializam, em parte, o modo como as comunidades se implicaram e percepcionaram o mundo, esboçámos algumas hipóteses de trabalho que necessitam de uma maior base empírica para a sua futura confirmação. Em primeiro lugar considerámos que a “arte atlântica” e as acções que lhes são inerentes se parecem relacionar com o movimento das águas fluviais (desde as suas nascentes até à foz) e dos mares, e com os lugares liminares entre as águas, a terra e o céu, numa cosmovisão que daria especial relevo ao encontro destes diferentes elementos. Nesta perspectiva presumimos que as fozes e os estuários dos rios Minho e Lima teriam sido lugares de significação simbólica de grande importância colectiva por serem, simultaneamente, locais onde se encontram as águas dos mares com as dos rios e as águas com a terra. Considerámos, também, que todo a fachada litoral entre os rios Lima e Minho, terá sido um cenário igualmente relevante no universo simbólico das populações pré-históricas, tendo em conta a altitude dos maciços graníticos aí existentes e o facto de, nos seus cumes, existirem inúmeras nascentes que alimentam um grande número de linhas de águas que correm nas suas vertentes de forte pendente. De salientar que toda esta área é um lugar liminar de encontro entre a terra e o mar bastante estreito e isolado.Uma terceira hipótese equacionada foi a de que as gravuras no topo dos montes materializariam a importância cosmológica destes lugares, simultaneamente de nascentes e de limite entre a terra e o céu, talvez mais interditos em termos sociais do que os cenários com maior número de gravuras e localizados nas plataformas baixas e médias das vertentes. Estes representariam lugares de maior sociabilização, ritualização e celebração do mundo. Por fim, admitimos, na senda de R. Bradley, de que as comunidades que gravaram estes motivos seriam portadores de uma certa mobilidade, o que se adequaria bem com uma cosmovisão que parece privilegiar o percurso das águas e os diferentes lugares liminares no seio de uma região relativamente restrita, o que está de acordo com o que conhecemos para o Neolítico e o Calcolítico regional.
The coastal platform is narrow and enclosed by a Fossil Cliff with abrupt slopes, roughly parallel to the sea, being interrupted only in the Montedor promontory. All these features lead to a scenic and visual effect of isolation in relation to the inner landscape, only broken by the mouths of the Minho, Lima and Âncora rivers. It was in this scenery with impressive features, between the sea – to the West (unknown and dangerous), the fossil cliff – to the East (with poor accessibility and in the border between earth and heaven) and the estuary of the river (port of entry or exit to unsuspected worlds) that the prehistoric communities developed a series of actions that culminated in the engraving of outcrops with zoomorphic or circular motifs, among others. From the preliminary inventory of these rock carvings, their physical and environmental context as well as the varying complexity of the motifs recorded, and assuming they materialize, in part, how the communities were involved and perceiving the world, we drew some working hypotheses that needs further empirical basis for future confirmation. First we thought that the “atlantic rock art” and actions associated with them seem to relate to the movement of river and sea and the liminal places between water, earth and sky. A worldview that would give special emphasis to the assemble of these different elements. With this in mind we felt that the mouths and estuaries of the Minho and Lima rivers would have been places of great symbolic and collective significance because they are both meeting places for the seas and rivers and for the waters with the land. We also consider that the entire coastal facade between the Minho and Lima rivers was a relevant scenery in the perception of the world, taking into account the altitude of the granite hills that exist there and the fact that, in their peaks, there are several springs that feed a large number of water lines that run across its strong pending. Note that this whole area, quite isolated, it’s a liminal place of encounter between land and sea. A third hypothesis argues that the rock carvings at the top of the hills materialize the cosmological importance of these places, of water sources and of the boundary between earth and sky, perhaps they were more socially forbidden than the scenarios with the highest number of rock carvings, located in low and middle slopes. These represent places of higher socialization, ritual and celebration of the world. Finally, we admit, just as R. Bradley, that communities that recorded these kind of images would carry a degree of mobility, which would fit well with a worldview that seems to favour the “route of the waters” and the different boundary places, which is consistent with what we know to the regional Neolithic and Chalcolithic.
TypeBook part
URIhttps://hdl.handle.net/1822/11558
ISBN978-989-8351-02-9
AccessOpen access
Appears in Collections:DH - Capítulos de Livros/Book Chapters

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