Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/56245

TitleOs estereótipos também envelhecem?: uma análise descolonial das intersecções entre racismo, sexismo e idadismo, a partir das vivências de migrantes brasileiras em Portugal
Other titlesDo stereotypes get old too?: a decolonial analysis from the intersections between racism, sexism and ageism through the experiences of Brazilian female migrants in Portugal
¿Los estereotipos también envejecen?: un análisis decolonial de las intersecciones entre el racismo, el sexismo y el edadismo en las vivencias de migrantes brasileras en Portugal
Author(s)Queiroz, Camila Craveiro da Costa Campos e
Advisor(s)Cabecinhas, Rosa
Cerqueira, Carla Preciosa Braga
KeywordsMigração
Gênero
Interseccionalidade
Idade
Descolonialidade
Migration
Gender
Intersectionality
Age
Decoloniality
Migración
Interseccionalidad
Edad
Descolonialidad
Issue date10-Jul-2018
Abstract(s)As migrantes brasileiras configuram, em Portugal, a tendência da feminização dos movimentos migratórios e fazem parte da maior comunidade estrangeira residente no país. A brasilidade (Machado, 2003) é uma noção que significa as migrantes brasileiras em contextos estrangeiros e reúne, como estereótipos, os traços de alegria, submissão, simpatia e hipersexualidade. É no enfrentamento com essa estereotipização que procuramos perceber como as migrantes brasileiras maiores de 50 anos de idade, residentes há pelo menos uma década em Portugal, se subjetivaram em relação à influência, à disseminação e às possíveis modificações desses estereótipos ao longo de suas trajetórias migratórias. E, por considerarmos essas mulheres sujeitos ativos, buscamos identificar as estratégias (agência) por elas utilizadas no sentido de se aculturarem à sociedade portuguesa. Verificamos, assim, a articulação de três eixos principais, a saber: o racismo, o sexismo e o idadismo, aos quais se interseccionam outras pertenças relativas à classe social, à nacionalidade e ao estatuto migratório. As assimetrias decorrentes da superposição dessas pertenças são geradoras de constrangimentos e de atitudes discriminatórias direcionadas às migrantes brasileiras. Ao olhar feminista interseccional acrescem-se contribuições provenientes dos estudos descoloniais, que percepcionam a permanência da colonialidade como um fator decisivo que racializa e sexualiza as mulheres oriundas de países considerados periféricos. Recorremos, ainda, à Teoria da Identidade Social (TIS), a fim de compreender as decisões estratégicas que as migrantes brasileiras realizaram, em termos de aproximação e de distanciamento de determinadas pertenças grupais. A pesquisa empírica decorreu por meio da realização de 20 entrevistas de Histórias de Vida (HV), uma escolha fundamentada no cariz descolonial que perpassa essa técnica. Por intermédio da Análise Temática (TA), com o auxílio do software NVivo 11, chegamos a quatro grandes blocos temáticos: representações acerca do Brasil e de Portugal; estereótipos associados aos/as portugueses/as e metaestereótipos com os quais acreditam ser por eles/as percepcionadas; estratégias de aculturação para enfrentarem as dificuldades inerentes ao percurso transnacional; intersecções migração – gênero – idade e vivências do processo de envelhecimento. A partir de um viés interseccional, identificamos na reunião de certas características, tais como a cor da pele, a classe social e seu capital simbólico e o estatuto migratório, condições determinantes para que a inserção das brasileiras ocorra de maneira mais ou menos vulnerabilizada na sociedade de acolhida, o que implica a configuração de um espaço de manobra que se alarga ou se constringe, conforme as marcas que essas pertenças representam. Nesse sentido, quanto mais se aproximam do imaginário social da “mulata”, mais as migrantes brasileiras percebem-se enredadas pelos estereótipos de brasilidade, experimentando em maior intensidade o racismo e outras formas de preconceitos. Ademais, constatamos, de maneira transversal nos discursos das entrevistadas, que a ambiguidade acerca da assertividade dos conteúdos dos meta-estereótipos com os quais as migrantes brasileiras são significadas ocasiona a baixa identificação com o grupo de pertença, estimula o preconceito intragrupal e direciona-as no sentido de recorrer a estratégias identitárias de mobilidade individual, o que reforça o padrão de poder estabelecido pela colonialidade e a permanência da condição subalternizada.
The Brazilian female migrants set up in Portugal the trend of the feminization of migratory movements and are part of the biggest foreign community resident in the country. The ‘Brazilianness’ (Machado, 2003) is a notion that gives meaning to the Brazilian migrants in foreign contexts and reunites, as stereotypes, traces of joy, submission, sympathy and hipersexuality. It is on the facing of this stereotyping where we aim to understand how the Brazilian female migrants over the age of 50, residents for at least a decade in Portugal, subjected themselves in relation to the influence, spread and the possible changes of these stereotypes throughout their migratory trajectories. Furthermore, considering these women active subjects, we search to identify the strategies (agency) used by them in order to acculturate themselves to the Portuguese society. What this study has noticed, thus, is the articulation of three main axis: the racism, the sexism and the ageism, to which other belongings related to social class, nationality and the migratory status intersect. The asymmetries that emerged from the superposition of these belongings generate embarrassment and discriminatory behaviours towards the Brazilian migrants. To the intersectional feminist sight are added contributions brought from the decolonial studies, which percept the permanence of coloniality as a decisive factor that racializes and sexualizes the women native of countries considered peripheral. It was also resorted the Social Identity theory (SIT) in order to understand the strategic decisions that the Brazilian female migrants performed, in terms of approaching and distancing from certain group belongings. The empirical research ran through 20 interviews of Life Stories (LS), a choice based in the decolonial feature which accompanies this technique. Through the thematic analysis (TA), with the aid of the software NVivo 11, four great thematic blocks came across: representations about Brazil and Portugal; stereotypes associated with the Portuguese people and meta-stereotypes which are believed to be perceived by them; strategies of acculturation to face the difficulties inherent to the transnational course; intersections migration – gender – age and experiences from the aging process. Through an intersectional approach, it was identified in the gathering of certain characteristics, such as the colour of the skin, social class and its symbolic capital and the migratory statute, determining conditions so that the Brazilian women insertion occurs in more or less vulnerable ways in the welcoming society. It implicates the setting of a manoeuvre space that broadens or narrows according to the marks that these belongings represent. This way, as they approach from the social idea of ‘mulata’, the Brazilian female migrants notice themselves surrounded by the stereotypes of ‘Brazilianness’, experimenting the racism and other forms of prejudice in higher intensity. Moreover, it was verified in a transversal manner of the interviewees discourse, that the ambiguity about the assertiveness of the meta-stereotypes content in which the female Brazilian migrants are signified occasions lower identification with the belonging group, stimulates the intra-group prejudice and directs them to the path of resorting to identity strategies of individual mobility. This reinforces the power pattern stablished by the coloniality and the permanence of the subaltern condition.
Las migrantes brasileiras configuran en Portugal la tendencia de la feminización de los movimientos migratorios y hacen parte de la mayor comunidad extranjera residente en este país. La Brasilidade (Machado, 2003) es una noción que significa las migrantes brasileiras en contextos extranjeros y reúne como estereotipos los rasgos de la alegría, sumisión, simpatía e hipersexualidad. Es en la batalla con esa estereotipización que buscamos percibir cómo las migrantes brasileras mayores de 50 años y residentes hace por lo menos una década en Portugal, se subjetivaron con relación a la influencia, a la diseminación y a las posibles modificaciones de esos estereotipos a lo largo de sus trayectorias migratorias. Y, considerando esas mujeres sujetos activos, buscamos identificar las estrategias (agencia) que fueron utilizadas por ellas con el fin de aculturarem a la sociedad portuguesa. Confirmamos la articulación de los siguientes tres ejes principales: El racismo, el sexismo el idadismo, a los cuales se inmiscuyen otras pertenencias relativas a la clase social, a la nacionalidad e al estatuto migratorio, que nos requirieron un abordaje interseccional, puesto que las asimetrías consecuentes de la superposición de esas pertenencias son generadoras de constreñimientos y comportamientos discriminadores direccionados a las migrantes brasileras. A la mirada feminista interseccional se agregan contribuciones provenientes de los estudios decoloniales, que perciben la permanencia de la colonialidad como un factor decisivo que racializa y sexualiza las mujeres oriundas de países considerados periféricos. Recurrimos también a la Teoría de la Identidad Social (TIS), con el fin de comprender las decisiones estratégicas que las migrantes brasileras realizaron en términos de aproximación y distanciamiento de determinadas pertenencias grupales. La investigación empírica se desarrolló por medio de la realización de 20 entrevistas de Historias de Vida (HV), una elección fundamentada en el carácter decolonial que atraviesa la técnica, y los datos fueron codificados teniendo como soporte el software NVivo 11. Por intermedio del Análisis Temático (TA), llegamos a cuatro grandes bloques temáticos: representaciones de Brasil y de Portugal; estereotipos asociados con los/las portugueses/as y los metaestereotipos con los cuales se creen ser percibidas; estrategias de aculturación para afrontar las dificultades inherentes al recorrido transnacional; intersecciones migración - género - edad y vivencias del proceso de envejecimiento. A partir del análisis interseccional percibimos, en la reunión de varias características, tales como color de piel, la clase social y su capital simbólico y el estatuto migratorio, condiciones determinantes para que la insercción de las brasileras ocurra de manera más o menos vulnerabilizada en la sociedad de acogida, lo que implica la configuración de un espacio de maniobra que se amplía o se reduce conforme a las marcas que esas pertenencias representan. En ese sentido, cuanto más se acercan al imaginario social de la "mulata", más las migrantes brasileras se perciben enredadas por los estereotipos de brasilidad, experimentando en mayor intensidad el racismo y otras formas de prejuicios. Además, constatamos, de manera transversal en los discursos de las entrevistadas, que la ambigüedad acerca de la asertividad de los contenidos de los metaestereotipos con los que las migrantes brasileñas son significadas ocasiona la baja identificación con el grupo de pertenencia, estimula el preconcepto intragrupal y las direcciona en el sentido de recurrir a estrategias identitarias de movilidad individual, lo que refuerza el patrón de poder establecido por la colonialidad y la permanencia de la condición subalternizada.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Ciências da Comunicação
URIhttp://hdl.handle.net/1822/56245
AccessEmbargoed access (2 Years)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CECS - Teses de doutoramento / PhD theses

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