Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/5548

TitleA tapeçaria e as suas técnicas de produção
Author(s)Morais, Carla Cristina da Costa Pereira
Advisor(s)Neves, Maria Manuela
Issue date20-Jan-2006
Abstract(s)Embora a arte da tecelagem tenha surgido como um bem de primeira necessidade, o seu crescimento agregou-se, inicialmente, à emancipação dos povos na sociedade e à diferenciação das classes. Servindo como veículo cultural ou forma de expressão de grande carga simbólica, o Oriente foi a região que mais homenagem lhe prestou sendo ainda hoje o maior produtor e exportador de tapetes e tapeçarias manuais. Portugal não possui resultados equiparados à grandiosidade dos impérios persa e otomano mas parte dos seus têxteis derivam dessas influências exteriores que, ao longo do tempo, se submeteram a revitalizações constantes e renovações através da criatividade dos seus artesãos. Este processo e as técnicas que lhe são inerentes acompanharam uma progressão, marcada por restrições de ordem tecnológica e estética, que acabou por se ramificar em conceitos diferentes e opostos, o da arte e o da mecanização. Com a Revolução Industrial, parte dos tapetes e tapeçarias manuais efectuadas anteriormente, subjugaram-se à mecanização e as causas de valor e os símbolos estéticos foram rapidamente substituídos por causas circunstanciais1. A tecelagem mecânica tornouse o objecto apetecido pelo público, fundindo o conceito da novidade ao conceito da necessidade. O artesanato caiu em decadência e grande parte da tecelagem manual dimensionou-se para um mercado de elite, com uma mão-de-obra altamente especializada e uma mercadoria a preço superior. O movimento Arts and Crafts onde William Morris (1834-1896) foi um fiel seguidor ocorreu no sentido de preservar as técnicas ancestrais. Os seus ideais foram seguidos por muitos artistas e embora economicamente não apresentasse artefactos «rentáveis» para a corrente racionalista que se desenvolvia em paralelo, os seus esforços para clarificar a relação entre a matéria-prima, o método de produção, a forma e o valor artesanal, viriam a ser positivos para a carga estética do produto resultante da corrente artística seguinte, a Arte Nova2, uma forma de arte decisivamente industrializada mas, ao mesmo tempo, munida de uma originalidade que não recusava qualquer tipo de motivo decorativo ou ornamental. Tendo em conta que a arte passa a subjugar-se à máquina, os «conselheiros artísticos» ou designers tornam-se imprescindíveis para a organização técnica e artística da produção em série. A escola Bauhaus (1912-1932), a cargo de Gropius, iniciou a sua actividade conjugando o ensino artesanal e o industrial, com o objectivo de criar uma arte ao mais alto nível, no mínimo de custos 1 Gillo Dorfles em «Introdução ao desenho industrial» fala destes conceitos relativamente à produção em série dos objectos que recorrem ao desenho possível e que se destinasse a qualquer categoria social (Gropius acreditava que só assim se podia criar o artista completo, capaz de dominar todos os sectores de produção). Embora os processos manuais prevalecessem sobre os científicos, o recurso à máquina aumentou significativamente. A ascensão do nazismo acelerou o procedimento, levando ao encerramento da escola e à migração de artistas para os EUA. Depois da 2ª Guerra Mundial o desenho industrial começou a assumir um papel considerável no sector automóvel e progressivamente em todos os produtos de consumo, em massa. Surge a era do styling, onde a sua concepção passa a ser regrada através de modas e tendências. No têxtil verificou-se a ascensão do pronto-a-vestir e a proliferação de estruturas têxteis, inclusive a mecanização de fábricas e produtos. O hiper-consumismo que consequentemente se instalou, originou crises de identidade nos objectos, afectando não só a qualidade estrutural e técnica dos mesmos como a própria criatividade para os projectar. As tentativas dos designers se oporem à maré consumista e tentarem criar funcionalidades novas e diferentes também se tornou um marco difícil, por estarem dependentes dos factores económicosociais da época e do país onde vivem. Ainda para mais em países onde a globalização apresenta um futuro com semelhantes exigências produtivas, que tendem a atingir uma homogeneização total e onde as distinções nacionais serão eliminadas. Para combater o desinteresse sobre os objectos de valor (artísticos) e vencer o anonimato dos produtos vulgares, o mercado da personalização pode ser o recurso para a produção (manual ou industrial) de produtos que irão de encontro às novas necessidades dos consumidores. Em prova disso, esta dissertação tenciona reavivar os dois aspectos da vida artística, a arte e a técnica, numa relação orgânica e equilibrada, demonstrando como o Design total pode ser uma ferramenta essencial na diferenciação de produtos e serviços de uma empresa, posicionando a Qualidade e a Inovação em factores críticos de sucesso produtivo e comercial. Como consequência do trabalho exposto foi desenvolvido um projecto de multimédia, com imagens e animações, de forma a tornar a informação mais facilmente memorável e com a vantagem de poder ser invocada interactivamente por ordens pré-definidas.
Although hand made tapestry was regarded from the beginning as a necessity, it’s own growth come with the emancipation of the people in society and its differentiation in classes. The Orient was the only region of the planet where tapestry was very important throughout the centuries, due to their role in cultural expression with strong symbolism. When compared with both the Persian and Ottoman empires Portugal did not achieve such results, although Portuguese tapestries have received their influences since early ages. Nowadays, with modern designs, patterns and colours, Portuguese tapestry became influenced by the creativity of our people. Throughout the centuries the manufacturing process has changed. As a result of this new qualities were created, as well as new concepts depending on the manufacturing process and mechanics. Whit the industrial revolution part of the hand made rugs and tapestries lost their importance. The mechanic tapestry became popular among the public due to the new concepts of necessity and novelty. The hand made production decreased due to the lack of demand in the market and started to be orientated towards high society members, which could pay the increasingly higher costs. The movement Arts and Crafts had in William Morris his strongest defender, whose idea was to preserve the oldest manufacturing process. His ideals were followed by many artists who understand the importance of raw materials, way of production and the hand-made value. At the same time rational age was growing and it’s efforts to clarify the relationships among raw materials, way of production, the shape and the craft value become positive not only in an aesthetic way but also in what would be called «Art Nouveau». This new school was a result of new mechanic techniques that would accept all kind of designs, shapes, classic and modern, even ornamental or other decoration motif. Taking into consideration that the art has now passed on to the machine, the artist advisers or designers have become indispensables to both the artistic and the technique organizations for production in the Bauhaus School directed by Gropius, which began it’s activity with the teaching industrial and hand-made at the same time to enable a higher standard of art with the lowest possible cost to reach all kinds of people, even the less fortunate. Gropius believed that this was the only way to have a complete artist who would be able to dominate every steps of the production. In spite of an increase in the mechanic process the hand-made products prevailed significantly. When the nazism reached the government in Germany, the Bauhaus school closed and most of it’s members (artists) went to the USA. After the second world war the industrial design grew specially in the car industry but was also present in other products. A new age called styling arrived with new concepts through fashion and tendencies. In the textile area, ready-to-wear started to grow at the same time that textile structures adopted the use of machinery. As a consequence of this huge consume desire there was a crisis in the identity of the products, affecting not only the structure quality and techniques but also the creativity itself to design, create and project them. The attempts of designers to oppose to this consume fever and to try to create new functionalities faced difficulties, because they are dependent on economic and social factors and on the country itself. More and more in countries where the globalisation presents a future with the same demands, products will reach an homogeneous level and what makes them original (of country and culture) will vanish. To fight the lack of interest in products with a art value and compete with the no named products a solution might be to personify the hand-made products and mechanise them in a way that fulfils the main needs of the consumers. As a proof of this, this dissertation intends to emphasize the two aspects of the artistic life, hand-made and technical, in a balance relation, showing how the design can be considered an essential tool to make the difference in the products and service of a company, facing the quality and innovation as factors of critical success, production and commercial value As a result of this an important multimedia project has been created. In this way the information will have details and pictures that help to memorize easily with the advantage of a click in an icon and have access directly to the area you wish.
TypeMaster thesis
DescriptionDissertação mestrado design e marketing
URIhttp://hdl.handle.net/1822/5548
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Dissertações de Mestrado

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