Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/8633

TitleMeIntegra: mercados e estratégias de inserção profissional: licenciados versus empresas da Região Norte: relatório final
Author(s)Marques, Ana Paula
KeywordsJovens licenciados
Inserção profissional
Mercado de trabalho
Empregabilidade
Issue date31-Dec-2007
CitationMARQUES, Ana Paula Pereira, coord. – “MeIntegra : mercados e estratégias de inserção profissional : licenciados versus empresas da Região Norte : relatório final”. [S.l. : s.n., 2007].
Abstract(s)A inserção profissional de jovens licenciados do ensino superior apresenta-se cada vez mais como um itinerário prolongado no tempo e diversificado no espaço, não se cingindo a um momento linear e imediato de transição para o mercado de trabalho. Hoje, os percursos destes jovens caracterizam-se pela incerteza, descontinuidade e menor correspondência do diploma ao emprego. Com efeito, são muitas as transformações em curso quer no sistema de ensino superior, quer no mercado de emprego, que nos permitem compreender e explicar alguns dos actuais paradoxos, tais como: i) prolongamento da escolaridade (formação inicial e ao longo da vida); ii) feminização crescente das fileiras de estudo; iii) diversidade do leque de ofertas de formação e respectivas designações que introduzem uma opacidade no campo das opções vocacionais; iv) dificuldades de acesso e consequente adiamento da entrada no mercado de emprego; v) inclusão, nas primeiras experiências profissionais, de situações híbridas de formação, estágio, emprego, desemprego, inactividade, entre outras, sem que siga um padrão de linearidade contínua; vi) estabilização no emprego menos rápida, tanto no início, como no decurso da carreira; vii) dessincronização dos vários eixos de emancipação em torno da esfera profissional, familiar e pessoal. A acção sobre o sistema de ensino como um dos objectivos centrais das políticas de emprego e formação, tem permitido aumentar e dotar de maiores qualificações formais as gerações que acedem ao mercado de trabalho. Nesse sentido, o seu perfil vem sendo continuamente alterado, em particular, em dois sentidos: por um lado, estes jovens atrasam os seus calendários de inserção profissional e de formação de novas famílias; por outro, apresentam-se no mercado de emprego com níveis crescentes de recursos formativos (diplomas escolares) e com disposições emancipadoras (autonomia e realização profissionais). O acesso ao primeiro emprego tem sido feito, em parte, com base nas redes inter-pessoais (familiares e amigos) e, essencialmente, a nível local do mercado de trabalho. Não só os estudos internacionais apontam nesse sentido, como também os resultados da nossa investigação o permitem confirmar (Marques, 2003) . Por outro lado, os licenciados têm vindo a sofrer um processo de degradação das suas condições de empregabilidade, seja nas dificuldades sentidas no acesso ao mercado de trabalho, seja na menor correspondência da sua formação académica aos requisitos dos postos de trabalho disponíveis, seja, ainda, nas condições contratuais a que se submetem cada vez mais de forma inexorável (e.g. em termos salariais, do vínculo laboral e das possibilidades de promoção). Por sua vez, e face à crise quantitativa de emprego, os empregadores têm tido a oportunidade de aumentar as suas exigências ao recrutar pessoas cada vez mais qualificadas a custos menores (ODES, 2000) . Percebe-se melhor por que a taxa de desemprego dos diplomados constituiu um indicador insuficiente para dar conta das condições específicas de inserção profissional deste grupo de jovens (basta termos presente que a propensão para os diplomados aceitarem empregos com níveis de qualificação e remuneração inferiores aos que poderiam obter em função da sua qualificação académica contribui para que a taxa de desemprego diminua). Com efeito, as práticas que caracterizam actualmente o recrutamento e a selecção, bem como as modalidades de afectação deste tipo de mão-de-obra pelas empresas ultrapassam a indicação prescrita do conteúdo e/ou designação de um diploma, contribuindo para aumentar a “margem de incerteza” que enforma do lado dos diplomados este processo. Na altura de procurar um emprego, para além dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, há a percepção de que as notas conseguidas de pouco valem no mercado de trabalho perante o potencial de competências que se tem ainda a desenvolver. Do lado da oferta de emprego, o processo de recrutamento e selecção torna-se cada vez mais rigoroso e controlado. Tudo são provas de aptidões e competências: desde a entrevista ao currículo, onde cada gesto é um indício, cada acto comunicacional uma demonstração. Esta fluidez das competências no domínio das competências comportamentais e relacionais requeridas permite estratégias diversificadas de negociação no momento de recrutamento, modelando práticas de gestão da mão-de-obra assentes na avaliação individual: desempenho, flexibilização dos horários, dupla “grelha salarial”, prémios diversificados, contratos de trabalho “abertos”... Compreendem-se, assim, as relações de força entre os intervenientes neste processo, no sentido de definição de perfis de empregabilidade e de mecanismos “favoráveis” de acesso ao mercado de trabalho. É relevante perceber que um “diploma” não representa uma garantia absoluta de acesso a um emprego. Porém, a sua ausência fragiliza e estigmatiza a capacidade de inserção profissional do jovem licenciado, bem como o seu poder de negociação e de reconhecimento das qualificações académicas transferidas para os contextos de trabalho. Igualmente, sabe-se que persistem flagrantes assimetrias quanto às oportunidades entre homens e mulheres no acesso ao mercado de trabalho que urge corrigir. Por isso, destacar-se-á, neste estudo, a variável género e o seu potencial explicativo dos comportamentos diferenciados no acesso ao mercado de trabalho, nos itinerários posteriores, nas estratégias de gestão e de conciliação das diferentes esferas da vida quer profissional/pública, quer pessoal/privada. Cremos ainda que é necessário compreender as (des)coincidências entre a oferta das qualificações por parte do sistema de ensino e as necessidades da procura empresarial. Tais eventuais desencontros e ambivalências serão abordados através do aprofundamento dos processos de transferabilidade de qualificações académicas, de competências transversais e técnico-científicas de forma a perceber-se a sua capacidade para fomentar uma cultura de iniciativa empresarial e de inovação em Portugal. Pretende-se, igualmente, aprofundar as relações entre as instituições de socialização, em particular no meio universitário e profissional, e os indivíduos concebidos como actores dotados de estratégias e capacidades de (re)acção. Enfatizar-se-ão, sobretudo, as dimensões relacional, negocial e de empenhamento, em termos de estratégias de mobilização de diferentes recursos, expectativas e aspirações por parte dos actores sociais directamente envolvidos. O desenho da investigação que se propõe realizar tem repercussões na metodologia geral a ser adoptada. Esta consubstancia-se na necessidade de se realizar um trabalho de diagnóstico da situação dos jovens licenciados e das empresas recrutadoras para se delinear orientações estratégicas assentes na identificação de pontos críticos de intervenção, a partir dos quais se projectam algumas propostas de acção e de participação dos actores sociais nos processos de mudança a instaurar.
TypeReport
URIhttp://hdl.handle.net/1822/8633
Peer-Reviewedyes
AccessOpen access
Appears in Collections:DS/CICS - Relatórios/Reports

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