Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/7100

TitleGritos na paisagem do nosso interior: a publicidade outdoors e a experiência sensível, nos percursos do quotidiano: à deriva por entre lugares imaginários
Author(s)Pires, Helena
Advisor(s)Martins, Moisés de Lemos
KeywordsImagem
Paisagem urbana
Publicidade outdoors
Quotidianidade
Esfera pública e esfera privada
Images
Advertising; outdoors
Urban landscape
Everyday life
Private and public spheres
Issue date12-Jul-2007
Abstract(s)Como é que a publicidade outdoors, servindo o sistema, a integração no social e a aceitação dos princípios da ordem de mercado, que legitimam o consumo massificado, se articula com a paisagem, sendo esta, sobretudo, um lugar de «resistência», a partir da indiferença à «personalização»? Defendemos a seguinte tese: a paisagem é uma instância última do devaneio, no intervalo, na diferença entre o espaço-tempo vividos e o espaço-tempo imaginários. Assim sendo, as imagens publicitárias outdoors, inscrevendo-se na paisagem, oferecem-se à suspensão do instante, à cristalização do desencontro e ao abrigo de contrários. A partir do visual, a publicidade agencia a nossa experiência sensível, estimulando em nós a irrupção da memória e do desejo. Falando à nossa dissidência interior, as imagens publicitárias outdoors exibem inusitados simulacros, através dos quais se exercita a «tirania da intimidade». Simultaneamente, tais imagens procuram abrigar o apelo ao esquecimento que, no quotidiano, nos tenta. É, precisamente, nesta ambiguidade que a publicidade procura captar-nos, hesitantes e imersos na paisagem. Nos percursos quotidianos de mobilidade por entre a paisagem, a interacção de cada um com o mundo exterior torna-se singular, eternamente constitutiva da sua própria individuação, tomada na sua transitoriedade, na sua incompletude, na sua dimensão (in)visível e reconfigurável, na sua expressão poética, transladada para uma espécie de universo imaginário de compensação, sobreposto à trivialidade e à violência que fazem a vida urbana contemporânea. Especialmente hábil e interessada na retenção do olhar dos transeuntes anónimos que, pontualmente, se encontram confinados à linguagem silenciosa e aos monólogos íntimos, que perfazem a invisível paisagem do seu interior, a publicidade outdoors interpõe-se, no seio de um dado entourage que há a ver, e no trajecto de emigração sensível, para fora da realidade quotidiana factual, como forma de esteticização dessa mesma realidade. Oferecidas, assim, na sua função-continente, enquanto «lugares de passagem», intervalos de tempo e de espaço, as imagens publicitárias realizam o simulado apaziguamento das nossas próprias contradições, a pacífica concomitância dos contrários, a aceitação acrítica das dissonâncias que nos apoquentam, a catarse, sugerida por meio da enfatização da experiência sensível, a qual se realiza na aproximação ao mundo dos objectos, na efémera adequação do corpo ao «lugar» (ou «não-lugar»), na entreabertura ao instante vivido. Trata-se aqui do último reduto onde o prazer de «être-ensemble» se liberta, sem os riscos das ligações efectivas, dos con-tactos pessoais, para lá dos constrangimentos do real e no apagamento de fronteiras entre o interior e o exterior, a realidade e o imaginário, o visível e o invisível, o individual e o social...
As Balandier (1990) says, in everyday life individuals try to fight against the social dependency creating fee spaces of resistance. By imaginary, they can be more spontaneous and escape from their daily obligations. Precisely, we can discuss the role of advertising images outdoors in this process of individual creativity. Are they just a dimension of the public space for the affirmation of the dominant system and culture? Or, are they also a kind of open window to our completely free and intimate universe? And in doing so, by inviting individuals to (re)visit their intimate sphere (emotions, memories…), aren’t they a dissimulating way of occupying one’s inner landscape? If we agree with this last hypotheses (that’s our personal point of view) we must then discuss our contemporary conditions of the individuals daily existence in what concerns its freedom in public space and its right to freely negotiate his relation to landscape. As part of the landscape, advertising outdoors plays an important role in our relation with outside world. It contributes to a general aestheticization of the real. In advertising images, different conceptions of time and space are figured. Some subjects of the private life become visible throw publicity. Themes like sex, family, emotions, memories are signified in advertising as desirable imaginary places. It challenges us to accept the blurring of frontiers between intimate sphere and public sphere. As we can’t use public sphere to participate and discuss our common and political life, images became places of «intimacy», in Sennetts’s (1979) terms. Free from real social relations and rituals, we project ourselves in an imaginary universe. We enjoy the possibility of the «socialité» (Maffesoli), i.e., a kind of a passive attitude that turns us like “an object between other objects” or “a thing between other things”, in a fluid and transitive phenomenological process. It is a new aesthetic experience that brings us closer to the inanimate/inhuman. Advertising images invite us to accept the two time dimensions that characterize our everyday life experience: the linear and progressive notion of time, on one hand; and the circular and repetitive notion of time, on the other hand. In doing so, advertising images gave us the feeling of security, by evoking an archetypal and mythical relation with universe: it doesn’t matter what happens, because things will stay as the same. But also, images try to offer us the imaginary possibility of living in a non-conventional and intense way by breaking the tedious feeling of our daily routines.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Ciências da Comunicação - Ramo do Conhecimento de Semiótica da Comunicação.
URIhttp://hdl.handle.net/1822/7100
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CECS - Teses de doutoramento / PhD theses
DCC - Teses de doutoramento / PhD theses

Files in This Item:
File Description SizeFormat 
TESE.pdf10,1 MBAdobe PDFView/Open

Partilhe no FacebookPartilhe no TwitterPartilhe no DeliciousPartilhe no LinkedInPartilhe no DiggAdicionar ao Google BookmarksPartilhe no MySpacePartilhe no Orkut
Exporte no formato BibTex mendeley Exporte no formato Endnote Adicione ao seu ORCID