Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/6976

TitleMarcel Proust et Eugénio de Andrade: poètes de la réconciliation
Author(s)Oliveira, António Joaquim da Silva
Advisor(s)Marques, Maria Salomé Gião Teixeira Carvalho
Issue date27-Apr-2006
Abstract(s)Les œuvres littéraires de Marcel Proust et Eugénio de Andrade s’entrelacent de correspondances et de divergences, à tel point qu’elles permettent de dégager, à partir d’une perspective intertextuelle et d’une méthodologie plurielle, la vision du monde, les cultures et les sensibilités qui y sont sous-jacentes. La création des deux écrivains appartient au domaine du poétique tant par l’imaginaire et la dimension mythique qu’elles renferment que par le mot (ou nom) poétique, qui est le support de toute poésie, dans la mesure où il contient un potentiel qui ouvre sa rêverie sur la lecture. Bien qu’il soit du domaine de l’invisible et de l’ineffable, le mot ouvre la porte du dicible et du visible et il permet aux deux écrivains de voyager, de rêver, de dénoncer et de s’affirmer. Eugénio de Andrade et Proust sont deux poètes dont la thématique relève de leur propre expérience et trouve son expression privilégiée dans un ensemble d’images, de symboles, de figures poétiques et de récurrences qui se rapportent à un univers mental structuré et dynamique. Structures thématiques ou métaphores obsédantes, elles se manifestent dans les œuvres des deux auteurs : la mémoire vivante de l’enfance, les fleurs et la création littéraire, la recherche du temps perdu, l’amour ruiné, le mépris du snobisme et les mythes personnels communs aux deux auteurs, en particulier le mythe du paradis perdu et retrouvé. Bien que les deux artistes se servent de motifs différents intégrés dans un monde poétique différent, tous les deux cherchent à retrouver le paradis perdu grâce à la création. Les impressions issues de la création sont, cependant, ‘traduites’ d’une manière personnelle chez l’un et l’autre écrivain. Proust choisit l’observation de l’espace social pour montrer les vi(c)es de la « fleur de la société » ; quant à Eugénio de Andrade, il dévoile la cruauté et la violence humaines d’un monde en détresse. Le style étant une question de vision, chaque auteur rend manifeste, donc, un monde façonné à sa personnalité. Eugénio de Andrade assimile le modèle proustien, tout en affirmant le sien, dans la mesure où il reprend certains thèmes chers à Proust, mais tout en les rénovant à partir de son imaginaire. C’est pourquoi le poète prend une position tout à fait personnelle à l’égard de l’écrivain français, aussi bien du point de vue esthético-thématique que du point de vue de la forme utilisée pour exprimer son idéologie et son monde créé. L’art du romancier, aussi bien que celui du poète, consiste dans la découverte de l’hypocrisie, du mensonge et des vices dissimulés derrière un luxe d’une frivolité stérile, qui conduit à la corruption, où vivent des artistes qui, eux aussi, sont stériles. Comme les hommes, les arts n’ont pas de valeur par eux-mêmes, mais par leur relation. En peinture, comme en musique et en littérature, la beauté réside dans la découverte de la vérité qui réconcilie l’homme avec lui-même et avec son monde ; c’est pourquoi le langage littéraire est autant partenaire du regard que celui de l’ouïe, dans un dialogue qui mène à l’harmonie du monde.
As obras de Marcel Proust e de Eugénio de Andrade entrelaçam-se de correspondências e de divergências, de tal forma que permitem destacar, a partir de uma perspectiva intertextual e de uma metodologia plural, a visão do mundo, as culturas e as sensibilidades nelas subjacentes. A criação dos dois escritores pertence ao domínio do poético tanto pelo seu imaginário e pela sua dimensão mítica, que as respectivas obras revelam, como pela palavra poética (suporte de toda a poesia), na medida em que ela permite uma abertura ao devaneio, no acto/momento de leitura. Apesar de pertencer ao domínio do invisível e do inefável, a palavra abre a porta ao dizível e ao visível, possibilitando aos dois escritores viajar, sonhar, denunciar e afirmar-se. Eugénio de Andrade e Proust são dois poetas cuja temática, patente nas respectivas obras, faz ressaltar a experiência de cada um através, em especial, de um conjunto de imagens, de símbolos, de figuras poéticas e de recorrências, que remetem para um universo mental estruturado e dinâmico. Estruturas temáticas ou metáforas obsessivas perpassam nas obras dos dois autores: a memória viva da infância, as flores e a criação literária, a procura do tempo perdido, o amor destruído, o desprezo pelo snobismo e os mitos pessoais (comuns aos dois estetas). Embora ambos recorram a motivos diferentes, tanto um como o outro procuram reencontrar o paraíso perdido graças ao acto criador. As impressões resultantes da criação surgem, contudo, ‘traduzidas’ de um modo particular por cada um dos artistas. Proust escolheu a observação de um espaço social para mostrar as vidas (e os vícios) da «flor da sociedade», enquanto Eugénio de Andrade revela a crueldade e a violência humanas num mundo de aflições. Tendo em conta que o estilo é uma questão de visão, cada autor torna manifesto um mundo adequado à sua personalidade. Eugénio de Andrade assimila o modelo proustiano, sem nunca deixar de afirmar o seu universo, na medida em que retoma alguns temas cruciais de Proust, renovando-os a partir do seu imaginário. Por essa razão, toma uma posição pessoal em relação ao escritor francês, tanto do ponto de vista estético-temático como do ponto de vista formal, a fim de exprimir a sua ideologia e o seu mundo. A arte do romancista, assim como a do poeta, consiste na denúncia da hipocrisia, da mentira e dos vícios dissimulados num luxo frívolo e estéril, que leva à corrupção, onde vivem artistas, também estéreis. Como acontece com os homens, as artes em si mesmas não têm valor, só o detendo nas suas relações. Na pintura, tal como na música e na literatura, a beleza reside na descoberta da verdade, capaz de reconciliar o homem com ele próprio e com o mundo; é por isso que a linguagem literária tanto está associada ao olhar como ao ouvido, num diálogo permanente que conduz à harmonia do mundo.
TypedoctoralThesis
URIhttp://hdl.handle.net/1822/6976
AccessrestrictedAccess
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento


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