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TítuloJoão dos Santos: aliança entre saúde mental e educação: um paradigma de conectividade centrado na criança
Autor(es)Branco, Maria Eugénia Bandeira de Carvalho e
Orientador(es)Magalhães, Justino
Antunes, Maria da Conceição Pinto
Data4-Jan-2007
Resumo(s)No centro do pensamento, da doutrina e da prática clínica e psicopedagógica de João dos Santos encontra-se a chamada de atenção para a urgência inadiável de, em qualquer época e contexto, se velar pela qualidade da relação precoce mãe-bebé, porque dessa relação depende o futuro da criança e, portanto, o futuro do Homem. Esta chamada de atenção é consubstanciada numa obra fundacional em prol da protecção à criança, através da criação de instituições e de serviços para a prevenção precocíssima das perturbações do seu desenvolvimento. Orientando-se pelo lema tão caro à sabedoria popular quanto à psicanálise de que «a educação começa no berço», João dos Santos sublinha que na relação precoce mãe-filho reside o ponto de ancoragem seminal da organização psíquica da criança: a sequência desenvolvimental das etapas pulsionais; a estruturação do Eu individual e autónomo; a formação da personalidade ética, criativa e solidária. Aliando indissociavelmente teoria e prática, João dos Santos empreende, desde a sua diversificada formação profissional até ao fim da sua vida, uma luta tenaz que visa: formação científica rigorosa de técnicos de saúde mental e de educação; integração da Saúde Mental na Saúde Pública; aliança entre Saúde, geral e mental, Educação e Escola; implementação de políticas de protecção materno-infantil que a todos convoque para a obrigação prioritária de se empenharem na defesa da criança; prevenção precocíssima de toda e qualquer perturbação — orgânica, emocional, mental — que possa conduzir à deficiência; reeducação atempada da deficiência, com vista a reabilitação e integração; protecção às famílias com crianças deficientes. João dos Santos foi o criador da Saúde Mental Infantil moderna em Portugal, cujo marco fundamental pode ser situado em 1952, com a criação, pioneira em todo o mundo, da Secção de Saúde Mental no Centro Materno-Infantil de Campo de Ourique. A partir de então, nunca mais deixou de ensinar que o que se não fez pela criança até à entrada para a escola dificilmente se recupera. Na melhor das hipóteses, o jardim-escola e a escola primária podem ainda oferecer uma ocasião para ajudar a criança «a voltar a trás e a retomar o fio à meada», para reparar falhas precoces do seu desenvolvimento, mas sob condição de os educadores possuírem rigorosa formação técnica e, sobretudo humana. É necessário que possuam qualidades relacionais, porque — afirma João dos Santos — a escola infantil é (deve ser) maternal, ainda que o educador seja homem. Defendendo a ideia de que qualquer técnico que tenha por profissão cuidar da criança, seja educador, professor ou médico, deve possuir conhecimentos de psicologia e ter atenção à própria saúde mental, propõe como ideal o que ele próprio fez: que haja psicanalistas dispostos a integrar grupos de trabalho constituídos por estes profissionais. Não só porque grande parte das dificuldades ou até insucessos nestes grupos derivam de conflitos gerados entre os seus membros, como da tendência inconsciente que temos a projectar sobre «a criança que agora o é», os problemas não resolvidos «da criança que fomos e que continuamos a trazer às costas». Nesta linha de pensamento, teve de alertar para o perigo de o ensino teórico da psicanálise se tornar inconsistente e mesmo perigoso quando desligado da experiência de uma análise pessoal. Por isso esforçou-se ele próprio, nos seus escritos e magistério, por fornecer noções psicanalíticas úteis para os que educam ou cuidam da criança, investindo o seu saber de psicanalista na Escola. A obra de João dos Santos permanecerá sempre em aberto. Como cientista, teve consciência da actualidade, sempre renovada, do que expressa nesta frase: «O que num determinado momento se sabe é para se ultrapassar». No entanto, como acontece com os autores clássicos, o seu Pensamento e Obra, que inaugurou em Portugal a Psiquiatria Infantil moderna, é alicerce para novas construções deste edifício do conhecimento. Por isso, e parafraseamos Wilfred Bion, as suas ideias estão à procura de pensadores.
At the centre of the clinical and psycopedagogical doctrine and practice of João dos Santos, we find a word of warning regarding the absolute necessity of focusing on the quality of the early mother-child relationship upon which the child’s future depends. This call to attention is based on a seminal work on protecting the child through the creation of institutions and services with a view to preventing early childhood disorders. Using as a basis the well-known saying, “education begins in the cradle”, popular both in everyday and psychoanalytic circles, João dos Santos states that it is the early mother-child bond that provides the decisive point of anchorage for the child’s psychic organization: the developmental sequence of regular stages; the structuring of the individual and autonomous I; the formation of the ethical, creative and humanitarian personality. Allying the inseparable notions of theory and practice, João dos Santos took on a personal quest from the time of his professional training until the end of his life; a fight that was directed toward the creation and constant perfecting of action plans: rigorous scientific training of mental health and educational specialists; research and interdisciplinary team work; the integration of mental health into the public health sector; allying health, family education and the school; implementation of measures to protect the mother-child relationship, for which he encourages everyone to get involved in the complexities of childhood; early prevention of any and all disorders – physical, emotional, mental – which can lead to deficiencies; early re-education on these deficiencies with a view to rehabilitation and integration; protection of families with deficient children. João dos Santos was the founder of the modern childhood mental health movement in Portugal. His greatest achievements occurred in 1951 when he created a Mental Health Department in the Maternity-Child Center in Campo de Ourique, a pioneering accomplishment of worldwide significance. From this time on, he never stopped teaching that anything that is not done for the child up to the time s/he starts primary school can rarely be recuperated. The best one can hope for is that kindergarten and primary school can provide a context for helping the child “turn around and find the lost thread” to repair early flaws in his development, but on the condition that educators and other well-trained technicians can be enlisted. Some educators must have psychotherapeutic training, in order to take a mothering role. They especially must possess affective relational qualities because – claims João dos Santos – school during childhood is (should be) maternal, even if the educator is a man. Emphasizing the fact that the theoretical teaching of psychoanalysis can become inconsistent and even dangerous when divorced from personal analytic experience, João dos Santos endeavored in his writing and lecturing to provide useful psychoanalytic ideas notions for professional use by all those whose mission it is to take care of children and he invested his wisdom as a psychoanalyst in schooling. João dos Santos’ work is ongoing. As a scientist, he stated: «We must go beyond whatever is known at any given moment”. Nothing rings truer than this in his way of thinking and teaching. In fact, as is true with classical writers, the thought and work of João dos Santos are considered pillars for new additions to the building of knowledge. For this reason, his ideas are, to paraphrase Wilfred Bion, - searching for thinkers.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de Doutoramento em História da Educação
URIhttp://hdl.handle.net/1822/6267
AcessorestrictedAccess
Aparece nas coleções:BUM - Teses de Doutoramento
CIEd - Teses de Doutoramento em Educação / PhD Theses in Education

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