Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/62179

TitleEnvelhecer e viver na prisão: As vivências prisionais de reclusos/as idosos/as
Other titlesAgeing and living in prison: Prison experiences of older prisoners
Author(s)Silva, Adriana
Advisor(s)Machado, Helena
Issue date23-Jul-2019
Abstract(s)Esta investigação tem como objetivo analisar, descrever e compreender os processos de atribuição de sentido ao envelhecimento na prisão, através das narrativas construídas por reclusos — homens e mulheres com mais de cinquenta anos — em torno das vivências prisionais e das expectativas de reintegração futura na sociedade. Com o intuito de compreender os discursos institucionais acerca desta população do sistema prisional, procura-se captar também as representações sociais de membros da direção, de técnicos superiores de reeducação e de guardas prisionais relativamente às vivências prisionais dos reclusos mais velhos. Foram delineados os seguintes objetivos específicos de investigação: (i) Captar e compreender as atribuições de sentido às biografias dos reclusos no que concerne às suas trajetórias criminais; (ii) Analisar modos pelos quais se processa a adaptação prisional, aferindo se há diferenças entre os reclusos que envelheceram na prisão e os que ingressaram no contexto prisional em idade avançada; (iii) Investigar as relações dos reclusos com os seus pares, verificando se estas são caraterizadas pela solidariedade ou pela violência, aferindo paralelismos com padrões sociais externos à prisão, admitindo que muitos dos reclusos registam quadros de violência, como vítimas ou agressores no mundo exterior; (iv) Avaliar o impacto do envelhecimento no contexto de reclusão e perscrutar as estratégias adotadas para lidar com a perda de capacidades e consequente adaptação e reintegração às rotinas prisionais; (v) Descrever expectativas sociais, familiares e laborais futuras e verificar de que modo os contextos societais e organizacionais, assim como as trajetórias individuais, influenciam as representações em relação à futura reintegração na sociedade. A metodologia adotada foi de índole qualitativa e interpretativa, tendo como técnica principal a realização de entrevistas. No total foram realizadas vinte e seis entrevistas a mulheres reclusas e vinte entrevistas a homens reclusos. Foram ainda realizadas 26 entrevistas a pessoal técnico e guardas prisionais. A recolha de dados para a investigação decorreu em dois Estabelecimentos Prisionais: no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo feminino entre setembro de 2012 e dezembro de 2013 e no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira entre fevereiro e setembro de 2014. Os dados vieram a demonstrar que, independentemente de os reclusos/as serem primários/as ou reincidentes, a sua idade molda a forma como estes/as encaram o momento de entrada na prisão, mas também a forma como encaram o passar dos anos na prisão. A população idosa na prisão assume uma atitude de conformismo perante a reclusão, vivendo um dia de cada vez, sem projetar expectativas no futuro uma vez que a forma como representam a idade não o permite. Perante as limitações que vão aparecendo com resultado do processo de envelhecimento, os reclusos idosos desenvolvem estratégias para fazer face à reclusão. Destacase como principal, a ocupação na prisão para passar o tempo, uma vez que, lidar com a prisão é muitas vezes associado com a capacidade de «fazer tempo». Um dos dados mais significativos encontrado maioritariamente nos discursos dos homens reclusos é o facto dos reclusos idosos funcionarem como elemento de consenso e mediador de conflitos junto da restante população prisional, principalmente dentro da população mais jovem. Com base nas entrevistas que realizei junto da direção, técnicos e guardas prisionais nos estabelecimentos prisionais, os dados mostram que os/as reclusos/as idosos/as ainda não são vistos como uma população especial que mereça atenção por parte do sistema prisional, daí a inexistência de atividades específicas para esta população. As atribuições de sentido ao «envelhecer na prisão» projetadas pelos atores institucionais foram semelhantes às dos/as reclusos/as idosos/as, pois percecionam a vivência da sua reclusão com conformidade, sem grandes expectativas face ao futuro devido à idade dos/as reclusos/as. Para além das vivências da reclusão por reclusos idosos, a reinserção social deverá apresentar-se, a longo prazo, como uma das questões mais prementes e de maior preocupação pelo sistema prisional. As estatísticas demográficas e prisionais mostram que a população está a envelhecer e que a reclusão de pessoas mais velhas continuará a aumentar. Isto colocará desafios ao sistema prisional na reinserção social destes indivíduos, pois carregam no corpo o estigma de ex-recluso e de idoso. Também, muitos deles, têm necessidades especiais relacionadas com problemas de saúde e limitações físicas, precisando de cuidados associados à velhice, podendo não ter, fora da prisão, os cuidadores. Aliás, alguns relatos manifestam o desejo de não saírem da prisão devido à possibilidade de não possuírem cuidadores familiares.
The purpose of this research is to analyze, describe and understand the processes of ascription of meaning to ageing in prison, through the narratives set by prisoners - men and women over 50 years of age - around their experiences in prison and their expectations of a future reintegration in society. With the goal of comprehending institutional discourses about this population within the prison system, we seek to collect also the social representations of board members, qualified reeducation technicians and guards in relation to prison experiences of older detainees. The following specific objectives were outlined: (i) to seize and comprehend the ascription of meaning to prisoners biographies concerning their criminal trajectories; (ii) to analyze the ways through which prisional adjustment occurs, looking for differences between the detainees who got old in prison and the ones who were imprisoned in an advanced age; (iii) to explore the relationships of older detainees with their pairs, observing if they are characterized by solidarity or by violence, establishing parallelisms with social patterns outside prison, considering that many of the detainees display contexts of violence, whether as victims or offenders, outside prison; (iv) to assess the impact of ageing in the context of detention and look into the strategies adopted to cope with loss of capacities and consequent adaptation and reintegration to prison routines; (v) to describe future expectations at the social, family and work levels, checking the way in which societal and organizational contexts, as well as individual trajectories, influence representations towards a future reintegration in society. Qualitative and interpretative methodology was adopted, being the main technique the conduction of interviews. Altogether, twenty-six interviews to female prisoners and twenty interviews to male prisoners were conducted. There were also twenty-six interviews to technical staff and prison guards. The collection of data for the research took place in two prison establishments: Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo (female) between September 2012 and December 2013 and Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira between February and September 2014. The data came to show that, independently of detainees being primary or recurrent, their age shapes the way they face both the moment of imprisonment as well as the years gone by in prison. The elder population takes an attitude of conformity towards detention, living one day at a time, without growing expectancies of the future, since the way they conceive of their age doesn't allow them to. Faced with the limitations imposed by the process of ageing, older detainees develop strategies to overcome detention, among which stands out the occupation in prison to spend time, since coping with prison is frequently associated with the ability to make time. One of the most significant data, found, mainly in the discourses of male detainees is the fact that older prisoners operate as elements of consent and as mediators of conflicts among the rest of the prison population, particularly with younger population. Based on the interviews conducted with the board, technicians and guards in the prison establishments, data shows that older detainees are not yet regarded as a special population deserving the prison system attention, therefore the inexistence of specific activities directed to this population. The ascriptions of meaning to "ageing in prison" projected by institutional actors were similar to those of older detainees, perceiving the detention experience with conformity, without great expectations towards the future, given the detainees advanced age. Aside from detention experiences of older prisoners, social reintegration shall present itself, in the long term, as one of the most worrying and compelling issues for the prison system. Demographic and penitentiary statistics indicate that the population is getting old and that detention of older people will continue to rise. This will set big challenges to the prison system concerning social reintegration of these individuals, who bear the stigmas of ex-prisoner and old. In addition, many of them have special needs related to health problems and physical limitations, requiring an assistance which they might not have outside prison. Indeed, some records account for the wish of not leaving prison due to the inexistence of careers in their families.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Sociologia
URIhttp://hdl.handle.net/1822/62179
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
DS - Teses de doutoramento

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