Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/45267

TitleContributo para o conhecimento da metalogénese do campo pegmatítico do Licungo, Zambézia, Moçambique
Author(s)Moiana, Marcelino
Advisor(s)Gomes, C. Leal
Issue date22-Dec-2016
Abstract(s)Na margem oriental do Rio Licungo, no Distrito de Mocuba, Província da Zambézia, ocorrem pegmatitos da classe de elementos raros, da família NYF e, raramente, da família LCT (Černý, 1991), cuja distribuição encontra-se estruturalmente condicionada. As estruturas regionais precoces, NNE-SSW e NNW-SSE acolhem pegmatitos lenticulares a tabulares de grandes dimensões, no N e as estruturas tardias, WNW-ESE, são hospedeiras de corpos lenticulares de pequenas dimensões, no S. Em ambos os casos, os corpos pegmatíticos apresentam estrutura interna zonada, marcada por bordadura com textura gráfica quartzo-feldspática, por vezes com mica e magnetite, zona intermédia constituída por blocos de pertite, inclusos em quartzo e zona nuclear essencialmente quartzosa. Entre as mineralizações acessórias predominam os berilos azuis que podem assumir qualidade gemológica (como águas marinhas). Columbitetantalite, monazite, ixiolite, granada e thorite ocorrem particularmente na zona intermédia e nas frentes de transição entre a zona intermédia e o núcleo. As texturas de agregados e a mineroquímica destas fases essenciais e acessórias foram estudadas com recurso ao microscópio electrónico e à microssonda electrónica. Constatou-se, desse estudo, que os pegmatitos são essencialmente potássicos e apresentam mineralizações com concentrações consideráveis de Nb>Ta, Ti, TR, Th, U, Y, Zr e Fe>Mn. Conceptualmente, consideram-se resultantes da fraccionação residual de granitos de tipo A, ou, localmente, do tipo I, metaluminosos a subaluminosos. Salienta-se que, localmente, alguns pegmatitos têm na sua vizinhança níveis de rochas calcossilicatadas com sheelite, diópsido, epídoto e grossulária, os quais são atribuídos a metassomatismo de contacto dos diferenciados pegmatíticos sobre níveis de rochas metacarbonatadas intercalados em alguns paragnaisses encaixantes. Em grande parte, a rocha encaixante do campo pegmatítico é constituída por anfibolitos maciços e rochas do complexo migmatítico, incluindo fácies granitóides autóctones, leucossomas venulares, gnaisses regionais e rochas de composição intermédia, por vezes com estrutura schlierenítica. Da análise química de rocha total, por XRF e ICP-MS, constatou-se que nos protólitos das fácies migmatíticas félsicas que poderiam relacionar-se com os pegmatitos, se define o carácter geoquímico metaluminoso a peraluminoso e calcoalcalino, que se identifica com granitos de tipo I, formados em ambiente de arco vulcânico. Os leucossomas venulares, porém, individualizam-se, mostrando elevado grau de alcalinidade, sugerindo a tipologia A e assinaturas de ambiente intraplaca. A tendência mais alcalina registada em leucossomas pode ter sido alcançada por mistura e terá afectado não só os leucogranitos, mas também os próprios pegmatitos. A assinatura alcalina adquirida é transferida para os pegmatitos e encontra-se materializada por mineralizações tardias de fergusonite, F-apatite e Ca-U-microlite alojadas em unidades precoces com Nbtantalatos primitivos e granadas. Apesar desta aproximação geoquímica, as datações por monazite sugerem um grande lapso temporal a separar a intrusão pegmatítica (468±4 Ma, no presente trabalho) dos protólitos das rochas encaixantes (1148 - 1114 Ma, Bingen et al., 2007). Entretanto, no pegmatito Vieira, observam-se sinais de envolvimento directo de leucossoma na formação do pegmatito – coalescência de vénulas de leucossoma. A outra linhagem evolutiva possível implica a cristalização fraccionada de magmas graníticos parentais com assinatura alcalina típica, eventualmente da sequência de Murrupula. Alguns pegmatitos, em especial os que apresentam amazonite, sugerem esta relação genética. Os pegmatitos de elementos raros mais volumosos evoluíram in situ por fraccionação centrípeta adquirindo uma zonalidade mais complexa e um maior enriquecimento em elementos incompatíveis. Este comportamento os diferencia dos pegmatitos estéreis.
In the eastern margin of Licungo River, Mocuba District, Zambezia Province, there are rare element class pegmatites of the NYF family (Černý, 1991) and also, but rare, LCT family . These pegmatites are formed along early regional structures, trending NNESSW and NNW-SSE, hosting major lenses and tabular bodies, in the northern side of the area. In the south, the late WNW-ESE structural lineaments accommodate small lenses of pegmatites. In both cases, these pegmatites show zoned internal structure, where quartz-feldspar graphic texture, sometimes associated with mica and magnetite, occur in marginal zones; perthite sometimes associated with quartz occur in intermediate zone and quartz occur in the core zone. Blue beryl that attain gem quality constitute the main accessory phase. Also, columbite-tantalite, monazite, ixiolite, garnet and thorite occur, particularly in intermediate and intermediate - core zone transition. These essential and accessory phases were submitted to chemical analysis and textural observations through electronic microscope and electronic microprobe. It was observed that the pegmatites are potassic and the assemblage of accessory phases show high contents of Nb>Ta, Ti, REE, Th, U, Y, Zr and Fe>Mn, which is in agreement to the result of residual melt fractionation of A-type granites, generated in anorogenic setting, or, locally, I-type granites, with metaluminous to subaluminous geochemical character. There are also mineralizations of scheelite, diopside, epidote and grossular, resulting from contact metassomatism, where the emplacement of pegmatites took place in paragnaisses with meta-carbonate layers. The majority of pegmatites are hosted in massive amphibolites and migmatite complexe, represented by autoctone granitoids, leucosome veins, regional gneisses and schlierenitic intermediate rocks. From bulkrock geochemistry ( XRF and ICP-MS analysis), protolithic felsic rocks, supposed to be parental of Licungo Pegmatite Field (LPF), were classified as I-type granites, metaluminous to peraluminous and calc-alcaline, attributed to volcanic arc setting. Vein leucosomes, instead, show high alkalinity, A-type tipology and a geochemical signature of within-plate setting. This high alkalinity observed in leucosomes could result from mixing affecting not only the leucosomes, but also, the pegmatites.The transferred metallogenic specialization to pegmatites is represented by the crystallization of the late minerals, fergusonite, F-apatite and Ca-U-microlite intergrown with Nb-tantalates and garnets. Nevertheless, EPMA monazite dating suggests a large time span between the pegmatite intrusion (468±4 Ma, this work) and the early consolidation of host-protoliths of granitic composition, inside de migmatite complex (1148 - 1114 Ma; Bingen et al., 2007). However, the Vieira pegmatite shows signs of direct genetic link between the leucosome generation and this pegmatite (leucosome veins coalescence). Another possibility for LPF differentiation is the fractional crystallization of granitic melt with typical alkaline character, represented, eventually, by Murrupula granite suite. Some pegmatites, especially where amazonite occur, suggest this (Murrupula-LPF) genetic link. Rare elements pegmatites, occurring as voluminous bodies, are more distinctively inner-zoned as a result of “in situ” and inward fractional crystallization, culminating with the strongest enrichment in incompatible elements. This behavior marks de core difference between these rare earth pegmatites and the barren pegmaties.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Ciências (Especialidade em Geologia)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/45267
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIG-R - Teses de Doutoramento

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