Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/1822/42524

TítuloHistórias de vitimação contadas e recontadas por utentes psiquiátricos: Prevalência e análise da (in)consistência dos relatos
Outro(s) título(s)Histories of victimization told and retold by psychiatric patients: Prevalence and analysis of the (in)consistency of the reports
Autor(es)Mesquita, Cristina dos Santos
Orientador(es)Maia, Angela
Data27-Abr-2016
Resumo(s)Introdução: A literatura tem mostrado que utentes psiquiátricos adultos apresentam uma elevada prevalência de vitimação interpessoal autorrelatada, com consequências para a sua saúde mental. Contudo, são apontadas várias limitações a este campo de investigação: os estudos desenvolvidos têm-se focado em utentes com diagnósticos específicos de perturbação mental e categorias individuais de vitimação, em fases específicas do ciclo de vida, limitando a compreensão do papel da vitimação na saúde mental dos indivíduos, e não considerando experiências de vitimação múltipla e revitimação que podem ocorrer ao longo de todo o ciclo vital. Também se critica o facto de o estudo da vitimação psiquiátrica ser negligenciado, apesar das suas consequências negativas imediatas para o bem-estar e recuperação dos utentes. Além disso, vários autores têm ainda destacado a necessidade de o estudo da vitimação deslocar o seu foco de interesse de estudos correlacionais para estudos causais, através do estudo de mediadores e moderadores que clarifiquem a relação entre a ocorrência de vitimação e o desenvolvimento de perturbação mental. Finalmente, têm sido apontadas limitações metodológicas ao estudo da vitimação em utentes psiquiátricos pelo facto de a maioria dos dados sobre vitimação ser obtida com recurso a autorrelatos, levantando preocupações acrescidas com a validade e fidelidade da informação relatada na população dos utentes psiquiátricos, dado os sintomas psiquiátricos poderem influenciar a informação relatada. Objetivos: Partindo das limitações encontradas na literatura, definimos dois objetivos gerais para este projeto: 1) conhecer as experiências de vitimação interpessoal, e 2) conhecer a consistência temporal dos autorrelatos retrospetivos de experiências de vitimação interpessoal em utentes psiquiátricos adultos. Método: Os participantes são 120 adultos, com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (Média – 47.22, DP – 13.102), utentes psiquiátricos de 4 hospitais do Norte de Portugal. Sessenta e oito participantes (56.7%) são do sexo feminino, e 52 (43.3%) são do sexo masculino. Aquando da avaliação, 80 participantes (67.5%) encontravam-se em regime de internamento, e 40 (32.5%) em regime de consulta externa. A participação foi voluntária, tendo todos os participantes facultado consentimento informado. Os participantes foram avaliados relativamente ao funcionamento familiar na sua família de origem; diagnóstico de perturbação mental e sintomas psicopatológicos; vitimação simples, vitimação múltipla e revitimação na infância, adolescência, idade adulta e ao longo da vida; vitimação psiquiátrica em utentes com história de internamento psiquiátrico, e vinculação. Testámos o papel mediador da vinculação, e o papel moderador de variáveis do funcionamento familiar na relação entre vitimação e psicopatologia. Um subgrupo de 34 participantes foi ainda avaliado em dois momentos, com 9 a 12 meses de intervalo, para testar a consistência temporal dos seus autorrelatos de vitimação, e testar o papel preditivo das mudanças nos sintomas psicopatológicos nas mudanças nos autorrelatos. Resultados: Considerando a totalidade dos participantes, verificámos que 89.2% relata pelo menos uma categoria de vitimação ao longo da vida, e 80.9% relata 2 ou mais categorias. A vitimação psicológica é a categoria de vitimação mais prevalente em todas as fases do ciclo de vida, com mais revitimação ao longo da vida. Verificámos que 75.8% dos 95 participantes com história de internamento psiquiátrico relata vitimação psiquiátrica. As análises realizadas revelam ainda que a vinculação é um mediador significativo na relação entre vitimação e perturbação mental, sendo que a doença mental parental e a adversidade familiar geral moderam a relação entre vitimação e perturbação mental. Finalmente, constatámos que a consistência dos autorrelatos de vitimação é baixa a moderada, sendo mais consistente para experiências ocorridas na idade adulta. As mudanças nos sintomas psicopatológicos predizem mudanças nos autorrelatos. Conclusões: Os resultados obtidos destacam a importância de se estudar a coocorrência de vitimação em utentes psiquiátricos, considerando a sua ocorrência ao longo de todo o ciclo de vida. Os relatos de experiências de vitimação psiquiátrica sugerem a necessidade de refletir sobre alguns procedimentos, considerados rotineiros, que podem por em causa a perceção de segurança dos utentes, e comprometer o sucesso dos tratamentos e a sua recuperação. A variância explicada pelos mediadores e moderadores analisados no nosso estudo sugere a necessidade de se aprofundar o estudo de mecanismos explicativos da relação entre vitimação e perturbação mental, focando fatores que possam ser alvo de modificação através de intervenções, levando a uma prevenção da vitimação e a uma promoção do ajustamento psicossocial. No que diz respeito ao estudo da consistência temporal dos autorrelatos, são necessários estudos adicionais que permitam compreender melhor os fatores subjacentes a relatos inconsistentes. São discutidas algumas limitações do estudo, com sugestões para estudos futuros.
Introduction: The literature has shown that adult psychiatric patients present high prevalence levels of self-reported interpersonal victimization, with consequences for their mental health. However, several limitations are identified in this field of investigation: the studies developed have focused on patients with specific diagnoses of mental disorders and single categories of victimization, in specific stages of the lifecycle, limiting the understanding of the role played by victimization in the mental health of the individuals, and disregarding experiences of multiple victimization and revictimization that may occur throughout the lifecycle. The lack of studies concerning psychiatric victimization is also criticized, despite the immediate negative consequences for patients’ well-being and recovery. Also, several authors have pointed the need for the study of victimization to move its focus from correlational studies to causal studies, through the study of mediators and moderators that clarify the relationship between victimization and the development of mental disorders. Finally, some methodological limitations have been pointed to the study of victimization in psychiatric patients, due to the fact that most data of victimization are obtained through self-reports, raising increased concerns with validity and reliability of the information given by psychiatric patients, as their psychiatric symptoms might influence the information reported. Aims: Having in mind the limitations found in the literature, we define two main aims to this project: 1) to know the experiences of interpersonal victimization, and 2) to know the temporal consistency of retrospective self-reports of interpersonal victimization in adult psychiatric patients. Method: Participants are 120 adults, with ages between 20 and 79 years (Mean – 47.22, SD – 13.102), psychiatric patients from 4 hospital from the North of Portugal. Sixty-eight participants (56.7%) are female, and 52 (43.3%) are male. At the time of assessment, 80 participants (67.5%) were inpatients, and 40 (32.5%) were outpatients. Participantion was voluntary, and all participants provided informed consent. Participants were assessed for family functioning in the family of origin; diagnosis of psychiatric disorder and psychopathological symptoms; single victimization, multiple victimization and revictimization during childhood, adolescence, adulthood and lifetime victimization; psychiatric victimization in participants with a history of inpatient psychiatric hospitalization, and attachment. We tested the mediator role of attachment, and the moderator role of variables of the family of origin functioning in the relation between victimization and psychopathology. A subgroup of 34 participants was also assessed in two different moments, with a 9 to 12 month interval between assessments, to test the temporal consistency of their self-reports of victimization, and to test the predictive role of changes in psychopathological symptoms on changes on self-reports. Results: Considering the whole sample, we found that 89.2% report at least one category of lifetime victimization, and 80.9% report 2 or more categories. Psychological victimization is the most prevalent category in all stages of the lifecycle, with more lifetime revictimization. We found that 75.8% of the 95 participants with a history of inpatient psychiatric hospitalization report psychiatric victimization. Analyses carried also reveal that attachment is a significant mediator in the relationship between victimization and mental disorder, while parental mental disorder and total household adversity moderate the relationship between victimization and mental disorder. Finally, we found that the consistency of self-reports of victimization is low to moderate, with higher levels of consistency for experiences occurred during adulthood. Changes in psychopathological symptoms predict changes on self-reports. Conclusions: The results highlight the importance of studying the occurrence of victimization in psychiatric patients, considering its lifetime occurrence. The reports of experiences of psychiatric victimization suggest the need to reflect about some procedures, considered routine, that may jeopardize the patients’ perception of safety and compromise the success of treatments and patients’ recovery. The variance explained by the mediators and moderators analyzed in our study suggests the need for further study concerning the explanatory mechanisms of the relationship between victimization and mental disorder, with a focus on factors that can be modified through intervention, leading to the prevention of victimization and to the promotion of psychosocial adjstment. In what concerns the study of the temporal consistency of self-reports, additional studies are needed in order to better understand factors underlying inconsistent reports. Some limitations of the study are discussed, with suggestions for future studies.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de Doutoramento em Psicologia Aplicada
URIhttp://hdl.handle.net/1822/42524
AcessorestrictedAccess
Aparece nas coleções:CIPsi - Teses de Doutoramento
BUM - Teses de Doutoramento

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