Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/40330

TitleEscritas da utopia na literatura contemporânea – da utopia à distopia
Author(s)Silva, Sandra Raquel Soares da
Advisor(s)Keating, Maria Eduarda
Issue date7-Oct-2015
Abstract(s)Esta tese tem como primeiro objetivo cotejar três obras que correspondem, grosso modo, à definição de distopia na literatura contemporânea. As transformações que se verificam no seio das sociedades contemporâneas, marcadas pela globalização e pelo capitalismo, conduziram a várias modificações que dizem respeito ao lugar que ocupa a utopia no seio da sociedade e ao estatuto literário que ela adquire. Assim, verifica-se que a utopia, em termos histórico-semânticos, evoluiu ao longo dos séculos, reconfigurando-se desde o momento em que Thomas More cunhou o termo e escreveu Utopia. Em termos exclusivamente terminológicos, o vocábulo alargou os seus significados e novos termos foram criados, desde então: eutopia, alotopia, entopia, cacotopia, anti-utopia, distopia, heterotopia, ecotopia e hiperutopia. Para além disso, a utopia abandonou o campo exclusivo da literatura e passou a integrar outras disciplinas (Cinema, Política, História, Religião, Arquitetura, Sociologia, Economia, Ciência). Esta tese problematiza, num primeiro momento, o contexto dessa evolução diacrónica, de modo a justificar a prevalência de distopias na literatura de finais do século XX, inícios do século XXI (assim como na cultura popular contemporânea), o que justifica, num segundo momento, o confronto de três romances acentuadamente distópicos, Ensaio sobre a Cegueira, Never Let Me Go e The Road, exemplos paradigmáticos, na nossa opinião, das diferentes abordagens da distopia pelos escritores contemporâneos. José Saramago, Kazuo Ishiguro e Cormac McCarthy prefiguram, em Ensaio sobre a Cegueira, Never Let Me Go e The Road, mundos possíveis cuja verosimilhança entrevemos. Através dos seus protocolos de leitura, estes autores suscitam no leitor uma reflexão acerca da sociedade sua contemporânea. Enquanto Ishiguro delineia um mundo perfeito, cujas fissuras são paulatinamente disseminadas ao longo da narrativa, Saramago e McCarthy submergem os leitores, de imediato, num universo em fragmentação. Distopias extremadas, estas obras podem ser lidas como histórias de mundos alternativos ou paralelos, baseados na experiência social contemporânea (Ensaio sobre a cegueira e a impotência do homem perante a Globalização e a massificação presente nas sociedades desenvolvidas), ou como futuros possíveis que podemos antecipar (Never Let Me Go e as possibilidades abertas pela sequenciação do genoma humano; The Road e a vulnerabilidade dos recursos do planeta) – interrogando as opções e atividades humanas e constituindo reflexões críticas muito pertinentes sobre o mundo contemporâneo.
The present thesis primarily aimes to collate three works which roughly correspond to the definition of dystopia in contemporary literature. The transformations that operate within contemporary societies, marked by globalization and capitalism, led to several changes in what concerns the place that utopia occupies within our society and the literary status it acquires. Thus, it appears that the utopia, in historical-semantic terms, has evolved over the centuries, reconfiguring itself from the moment Thomas More coined the term and wrote Utopia. Concerning exclusively the terminology, the term expanded its meaning and new terms have been created since then: eutopia, alotopia, entopia, cacotopia, anti-utopia, dystopia, heterotopia, ecotopia and hiperutopia. In addition, the utopia abandoned the exclusivity of the literature field and joined other disciplines (Cinema, Politics, History, Religion, Architecture, Sociology, Economics, Science). This thesis first discusses the context of this diachronic evolution, in order to justify the prevalence of dystopias in the literature of the late twentieth century and beginning of the twenty first century, which explains in a second moment, the confrontation of three significantly dystopian novels, Blindness, Never Let Me Go and The Road. These three novels are, in our opinion, paradigmatic examples of the different approaches of dystopia in contemporary literature. José Saramago, Kazuo Ishiguro and Cormac McCarthy prefigure in Blindness, Never Let Me Go and The Road, possible worlds whose likelihood we can easily glimpse. Through their reading protocols, these authors lead the reader into a reflection on his (our) contemporary society. While Ishiguro outlines a perfect world, whose fissures are gradually spread throughout the narrative, Saramago and McCarthy immediately submerge the reader in a fragmenting universe. As extreme dystopias, these works can be read as stories of alternative or parallel worlds based on contemporary social experience scenarios that present themselves (Blindness and the helplessness of man when facing Globalisation and massification in developed societies), or as possible futures that we can antecipate (Never Let Me Go and the possibilities created by the sequencing of the human genome; The Road and the vulnerability of the planet's resources) - thus questioning human activities and choices and constituting very relevant critical reflections on contemporary world.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de Doutoramento em Ciências da Literatura (Especialidade em Literatura Comparada)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/40330
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CEHUM - Teses de Doutoramento

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