Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/35559

TitleA Idade do Bronze na bacia do Rio Ave (Noroeste de Portugal)
Other titlesThe Bronze Age in the River Ave’s basin (Northwest of Portugal)
Author(s)Sampaio, Hugo Aluai
Advisor(s)Bettencourt, Ana M. S.
KeywordsIdade do Bronze
Noroeste português
Bacia do Ave
Povoamento
Contextos e práticas funerárias
Metalurgia e depósitos
Espaços naturais
Paisagem pontuada por diferentes lugares significantes interligados em rede
Bronze Age
Portuguese northwest
Rriver Ave’s basin
Settlement
Funerary contexts and practices
Metallurgy and deposits
Natural places
Landscape punctuated by a network of interrelated significant places
Issue date19-Sep-2014
Abstract(s)Esta tese tem como principal objetivo aumentar o conhecimento sobre a Idade do Bronze da bacia do rio Ave, no Noroeste de Portugal. Através da articulação sincrónica e diacrónica dos dados nos seus contextos físico e cultural e à luz de novas premissas teóricas estudou-se este período de uma forma holística. Tal visa interpretar o modo como as comunidades se estruturaram no meio onde estavam imersas ou incorporadas e como interagiram com ele. Privilegiando a contextualização dos dados, nomeadamente os diferentes lugares construídos e frequentados pelas populações da Idade do Bronze, o estudo foi direcionado segundo três eixos temáticas, a saber: o povoamento, os contextos e as práticas funerárias e a metalurgia e as deposições metálicas. Foram, também, interpretados certos lugares “naturais”, cujas materialidades arqueológicas denunciavam ampla diacronia de frequência, traduzindo a sua importância na estruturação e na perceção do espaço por parte das populações da Idade do Bronze. No que respeita ao povoamento, apesar da ausência de dados para o Bronze Inicial, o Bronze Médio pauta-se pela ocupação multivariada do espaço. Prevalecem os sítios abrigados, de baixa altitude, com acesso a vales de eventual potencialidade agrícola e a corredores naturais de circulação, alguns deles relativos a ocupações frustres, enquanto outros são de maior dimensão, correspondendo, talvez, a ocupações mais duradouras. Nas regiões montanhosas os povoados sobre áreas abrigadas de planaltos estão perto de cursos de água e em locais de fácil circulação, sendo rara a ocupação do topo de montes. Para o Bronze Final, a par da variada ocupação do terreno, acentua-se o povoamento em altitude, com boas condições de visualização sobre zonas agro-pastoris de montanha mais próximas, sobre terras férteis no fundo dos vales e sobre as principais vias naturais de circulação, quer de cumeada quer de vale – pontos estratégicos de encruzilhada entre diferentes bacias ou rios. Embora a ocupação dos vales facilitasse a circulação, o povoamento em altura materializaria o domínio real e simbólico do território e dos seus recursos e permitiria consolidar e estabelecer fronteiras simbólicas entre diferentes territórios, nos quais atuariam diferentes influências. Nota-se que alguns destes povoados ocuparam montes já simbolicamente ativos desde o Neo-Calcolítico e materializados por gravuras rupestres, o que poderá ter sido importante na escolha do lugar de residência. Em termos de lógica de povoamento também se crê que certos povoados ocuparam intencionalmente locais com visibilidade para determinadas orografias de grande significação coletiva. No conjunto, as múltiplas opções de povoamento transparecem desempenhos e sentidos distintos, no âmbito de uma rede de lugares e de significados interconectados em regime de complementaridade. Em relação aos contextos e práticas funerárias desconhecem-se dados para o Bronze Final. Durante o Bronze Inicial, a presença de objetos metálicos e de alguns túmulos de grande investimento construtivo, nas áreas de vale, permite pensar que existiram personagens extremamente significantes para as comunidades, os quais seriam recordados e celebrados. Nas áreas montanhosas o facto de os monumentos sob tumuli serem, neste período, de maior envergadura do que nos seguintes, indicia, ainda, a importância do papel social da morte visível e da preservação da memória dos antepassados. No Bronze Médio os diferentes tipos de arquiteturas funerárias conectadas, respetivamente, com áreas de montanha ou de vale, parecem corresponder a populações com modos de vida e conceções distintas da morte. Para as comunidades serranas a morte, como marco no espaço, e o culto aos antepassados, ainda parece importante. Nos vales predomina a morte invisível e a perda da importância do cadáver como referência coletiva e referência espacial. Há variedade no tratamento dos cadáveres, com indícios de inumação e de cremação em urna ou in situ. As oferendas tornam-se mais simples e à base de determinadas formas cerâmicas, quando não estão ausentes de todo, tendo desaparecido os objetos metálicos, os quais parecem ser agora canalizados para outros cenários. Não raramente, as práticas funerárias implementaram-se em lugares liminares ou de passagem, entre o vale e o topo do monte ou nas imediações ou nas linhas de cumeada, entre a terra e o céu, o que se pensa ser propositado e relacionar-se com a morte percecionada como um momento de passagem entre dois estádios. Em relação a algumas estruturas funerárias, como as sepulturas planas, observam-se hipotéticas relações com a orientação das águas ou os ciclos solares ou lunares, como que associando a morte a um ciclo ou a uma viajem. Há, ainda, lugares onde a convergência de práticas mortuárias e de outras ações de difícil interpretação, denunciando larga diacronia de frequência cíclica, pelo menos desde o Bronze Inicial ao Final, revelam biografias sem paralelo. Parecem ser lugares de memória e de grande significado coletivo associados a ancestrais ciclicamente celebrados, quer através de outros enterramentos quer de deposições várias. Na bacia do Ave os indícios irrefutáveis de metalurgia. A par dos objetos associados à produção, os parcos objetos metálicos encontrados nos locais de produção, nos denominados povoados, apontam para a sua manipulação noutros contextos. A significativa quantidade destes objetos, avulsos, ou em depósitos, associada a informações contextuais, deixam transparecer a sua amortização em associação com certas caraterísticas “naturais” (como montes, vales e bacias de receção, além de poderem associar-se a afloramentos, a nascentes e ao subsolo). Tais factos, pela frequência de ocorrência, não terão sido aleatórios, notando-se padrões normativas de foro cultural. É neste cenário que ganham especial destaque, enquanto elementos estruturantes da paisagem da Idade do Bronze, o Monte da Saia (em Barcelos) e o Monte da Penha (em Guimarães). A sua excecionalidade manifesta-se pela frequência cíclica que denotam, conforme atestado pela concentração anómala de diferentes materialidades metálicas, no primeiro caso, e cerâmicas e metálicas no segundo. Essas materialidades corroboram a ampla diacronia biográfica destes lugares que, entre diversas manifestações, a partir do Bronze Médio mas, em especial, do Bronze Final, é reforçada pela deposição de objetos metálicos. Perceber o Monta da Saia e o Monte da Penha como sítios habitacionais da Idade do Bronze é redutor e, até à data, facto não comprovado. Em contrapartida, ambos integrariam uma rede de lugares da Idade do Bronze na qual as populações viveram e se movimentaram, materializando uma paisagem eivada de diferentes sentidos, significados e memórias. Saliente-se, contudo, que durante o Bronze Final há outras orografias que parecem ter sido significantes, como o Monte do Sino, o Monte de S. Romão, o Alto do Livramento ou o Monte S. Miguel o Anjo, com os quais se associam objetos metálicos. O mesmo se pode dizer dos vales do rio Este e do ribeiro da Abelheira, ótimos corredores de circulação onde depósitos de “utensílios” monotipológicos, sempre no subsolo, todos diferentes e efetuados em diversos moldes, levam a equacionar a hipótese de terem sido amortizados como atos celebrativos comunais visando a concretização de pactos ou acordos entre membros de diferentes comunidades, que usufruíam de pontos de confluência e de passagem comuns conhecidos, muito provavelmente, desde longa data.
This thesis aims to increase the knowledge about the Bronze Age of the river Ave’s basin, in the Portuguese Northwest. Through the data’s synchronic and diachronic articulation with its physical and cultural contexts, and using new theoretical approaches, that chronological period was studied in a holistic manner. This seeks to interpret the way how communities were structured in the environment where they were immersed or incorporated, and how they interacted with it. Emphasizing the data’s contextualization, namely the different places constructed and used by the Bronze Age populations, this study was carried out according to three main topics: settlement, funerary contexts and practices and metallurgy and metallic depositions. It also were interpreted certain “natural places”, whose archaeological materialities denounce large frequency diachronies, revealing its importance to space’s structuration and perception for the Bronze Age societies. In regard to settlement there is no data to the Early Bronze Age. The Middle Bronze Age shows a multivariate space occupation. The most common are sheltered sites, in lower altitudes, with easy accesses to eventual agricultural valleys and natural circulation corridors. Some of this sites are sparing occupations, although other show larger dimensions, probably corresponding to long lasting dwellings. In mountainous regions the settlements occupy well irrigated plateaus, near water courses easily accessed. The top of mountains occupation is rare. During the Late Bronze Age the varied occupation continued, but the settlement in higher altitude becomes more usual. These places have good visual contact over the surrounding nearest shepherding zones, the fertile soils in the valleys and the main circulation pathways from the valley or the ridge, strategic intersection points between different rivers or basins. Although the valleys’ occupation favored the circulation, the high altitude settlement materialized the real and symbolic domination over the territory, where different influences acted. Note that some of these settlements occupied Neo-Chalcolithic symbolic mounts, activated from previous times by rock art engravings. This probably was important to the choice of those loci. With respect to settlement’s logic we also believe that some settlements were intentionally located in sites with good visibility to some kind of hills, probably with collective significance. As a hole, the multiple options may show distinct significances and assignments, in the scope of a network of places and meanings interconnected by complementary relations. Concerning to the funerary contexts and practices there is no data to the Late Bronze Age. During the Early Bronze Age the metallic objects are common in graves, some of which showing great constructive investment. These structures, connected with the valley, allow us to thing that extremely important characters to the communities existed, which would be remembered and celebrated. During this period in the mountainous areas some monuments under tumuli are larger than the subsequent, presumably indicating that the social role of death still remained visible, so as the ancestors’ memory preservation. In the Middle Bronze Age the different types of funerary architectures are connected with higher altitudes and valley, and may correspond to populations with distinct lifestyles and conceptions of death. To the mountainous communities death is a way to mark the space, where still remains the ancestors’ worship. In the valleys proliferates an invisible death and the loss of the body as spatial collective reference. There are varieties on the corpse’s treatment, showing uses of inhumation and cremation in urn or in situ. The offerings are simpler and restricted to some kind of ceramic pots. Sometimes there are no offerings at all and metallic objects are absent, probably channeled to other scenarios. More often, funerary practices were implemented in laminar or passage places, between the valley and the top of the mountains or near the ridges, between the sky and the earth, which we think that has to do with the manner how death was seen, probably percept and conceived as a passage moment between two stages. In relation to some funerary structures, like flat graves, we observe hypothetic links with the water courses and the solar or lunar cycles, as associating death to a cycle or a journey. There are also places where mortuary practices and other actions converged. Although difficult to interpret, they denounce large cyclical frequencies, at least since between the Early and Late Bronze Age. Revealing uncommon biographies and probably working as memorial places of great collective significance, the associations with the ancestors and their cyclical celebration, either by burials or by some kind of depositions, seems to be practiced. Irrefutable evidences of metallurgy are also known in the Ave’s basin, as the presence of objects associated with the production show. However, the scarce objects found in the production sites, in the so called settlements, points out to their manipulation in other contexts. The significant quantity of those objects, discovered either alone or in deposition sets, show high links with some “natural” features (such as mounts, valleys and water basins, beyond their usual connection with outcrops, water sources and the subsoil). These facts, often registered, cannot be seen as random, since some cultural and normative patterns are noticed. In this scenario some structurating elements on the Bronze Age’s landscape stand out, such as Mount Saia (Barcelos) and Mount Penha (Guimarães). Their exceptionality is manifested by the cyclical frequency exhibited, as one can see by the anomalous concentration of different metallic materialites in the first case, and ceramic and metallic in the latter. Those materialities corroborate the unique and wide diachony of both places which by the mean of various manifestations, from the Middle Bronze Age but specially during the Late Bronze Age, was reinforced by the amortization of metallic objects. To understand Mount Saia and Mount Penha as simple sites for Bronze Age settlements is quite reducer, besides the lack of confirmation that exists. By the contrary, both were part of the Bronze Age network of places where people lived, acted and moved, materializing a landscape crowded with different senses, meanings and memories. However, let us stress that during the Bronze Age there are other orographies that show some significance, like Mount Sino, Mount S. Romão or Mount S. Miguel-o-Anjo, where metallic objects were also recovered. The same can be said in relation to the valleys of rivers Este and Abelheira, good circulation corridors where the deposition of monotypological sets of tools took place under the subsoil. As a working hypothesis, the amortization of these sets could be the result of communal celebration acts to concretize pacts or agreements established between members of different communities, which benefit from the same confluence points of passage known, very likely, since ancient times.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Arqueologia (área de especialização em Arqueologia da Paisagem e do Povoamento)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/35559
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
UAUM - Teses de Doutoramento

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