CECS - Comunicação e Sociedade - Vol. 18 (2010): Modernidade e Pós-Modernidade : [1] Estatísticas

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Comunicação e Sociedade 18: Modernidade e Pós-Modernidade

Diretor: Moisés de Lemos Martins

Coordenação do volume: Albertino Gonçalves e Jean-Martin Rabot

CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade Húmus, Ribeirão, 2010, 267 págs. ISSN 1645-2089

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Opostos e complementares, os conceitos de modernidade e de pós-modernidade sobressaem na caracterização dos últimos séculos. O conceito de pós-modernidade dado, por sinal, azo a interpretações plurais, contraditórias e, por vezes, esfíngicas das sociedades contemporâneas. Para muitos autores, a pós-modernidade rompe com os desígnios e os símbolos da modernidade, mormente com o seu princípio de acção, a racionalidade instrumental, tomada como motor de um progresso ilimitado. Alguns dos traços típicos da pós-modernidade remetem, assim, para uma contestação dos princípios fundadores da modernidade: a fé na razão, nas virtudes do trabalho e no aperfeiçoamento ilimitado da humanidade. O declínio das metanarrativas, dos discursos filosóficos, religiosos, políticos e económicos que pautaram a modernidade, acompanha a erosão do princípio de emancipação (Lyotard). Dilui-se a perspectiva de uma história linear e redentora. O mesmo sucede com a crença na possibilidade de uma fundamentação da verdade (Vattimo) e com a tendência para delinear o projecto colectivo em termos de transformação social (Jameson, Sloterdijk). Assiste-se ao declínio da visão do indivíduo como ser autónomo, voluntário e consciente, capaz de se dominar a si próprio e ao mundo. Para outros autores, a pós-modernidade não se desprende, efectivamente, da modernidade. Para Habermas, a noção de pós-modernidade constitui uma Gegenaufklärung que não consegue libertar-se dos ideais iluministas. Os projectos críticos da razão, de Nietzsche a Derrida, passando por Adorno, Horkheimer, Heidegger, Bataille, Foucault e Luhmann, perdem alcance e efeito, por não conseguirem sair do espaço da filosofia da subjectividade, cuja desconstrução, no entanto, reclamam. Para A. Giddens, a pós-modernidade é um engodo que mascara a emergência de uma modernidade levada ao paroxismo através da radicalização das suas principais orientações e formas de organização social e cultural. Para Bauman, a pós-modernidade representa uma mudança de estatuto e de rumo: perante a insustentabilidade de uma concepção progressista da evolução da humanidade, o intelectual deve entregar-se à interpretação do mundo em que vive, da comunidade em que se inscreve. A pós-modernidade consagra o fim do intelectual enquanto legislador e porta-voz do bem comum. Os pensadores da pós-modernidade confrontam-se com a liquefacção de tudo o que era sólido e consistente, das instituições às relações interpessoais, passando pelos princípios de regulação da vida. Nesta óptica, a “pós-modernidade” é, na realidade, o último estado da modernidade, a absorção, de um forma unidimensional, pela sociedade de consumo. Organizado por Albertino Gonçalves e Jean-Martin Rabot, este número temático da revista Comunicação e Sociedade, intitulado “Modernidade e pós-modernidade”, incide sobre as práticas sociais e discursivas contemporâneas, apostando na sua abordagem aberta e diversificada. Será que os conceitos de modernidade e de pós-modernidade ganham em ser equacionados de uma forma antinómica? Os princípios que presidiram à modernidade perderam força e efeito? A nossa condição e a nossa experiência são radicalmente novas? Qual é o papel assumido pelas novas tecnologias e pelos novos meios de comunicação? Em suma, o que há de original no nosso tempo? E o que há de original nos autores que tanto o têm pensado? As respostas podem, naturalmente, revestir, os mais diversos formatos: ensaios, investigações empíricas, estudos de casos, locais, globais.

Opposite and complementary, concepts of modernity and postmodernity emerge in the characterization of recent centuries. The concept of post-modernity has, incidentally, led to plural interpretations, contradictory and sometimes sphinxes of contemporary societies. For many authors, postmodernity breaks with the intents and symbols of modernity, specially with its principle of action, instrumental rationality, taken as an unlimited progress engine. Some of the typical traits of postmodernity refer thus, to a defense of the founding principles of modernity: faith in reason, in the work virtues and unlimited improvement of mankind. The decline of metanarratives, of philosophical discourse, religious, political and economic that marked modernity, accompanies the erosion of the principle of emancipation (Lyotard). It dilutes the prospect of a linear and redemption story. The same applies to the belief in the possibility of the truth foundation (Vattimo) and with the tendency to draw out the collective project in terms of social transformation (Jameson, Sloterdijk). We are witnessing the decline of the view of the individual an autonomous, voluntary, conscious, able to conquer himself and the world. For other authors, post-modernity is not loose, indeed, of modernity. For Habermas, the notion of postmodernity is a Gegenaufklärung which cannot get rid of the Enlightenment ideals. The critics of reason projects, from Nietzsche to Derrida, through Adorno, Horkheimer, Heidegger, Bataille, Foucault and Luhmann, lose power and effect, for failing to leave the area of philosophy of subjectivity, whose deconstruction, however, they claim. For A. Giddens, post-modernity is a sham that masks the emergence of a modernity brought to a climax through the radicalization of its main directions and forms of social and cultural organization. For Bauman, postmodernity represents a change of status and direction: towards the unsustainability of a conception of progressive evolution of humanity, the intellectual must deliver to the interpretation of the world he lives in, the community in which he is pursued. Postmodernity enshrines the end of the intellectual as legislator and spokesman for the common good. The postmodernity thinkers are faced with the disintegration of everything that was solid and consistent, from institutions to interpersonal relationships, through the regulatory principles of life. Accordingly, the "postmodernity" is actually the last state of modernity, the absorption of one-dimensional form, by the consumer society. Organized by Albertino Gonçalves and Jean-Martin Rabot, this special issue of the “Communication and Society” journal, entitled "Modernity and postmodernity", focuses on contemporary a social and discursive practice that is open to diversified approaches. Are we doomed to think concepts of modernity and postmodernity in an antinomic way? Have the principles that governed modernity lost their strength and effect? Are our condition and our experience radically new? What is the role played by new technologies and new media? In short, what is unique in our time? And what is unique in what authors have thought about this issue? The answers may, of course, take the most diverse forms: essays, empirical research, case studies, local, global...

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Dez-2010Comunicação e sociedade : modernidade e pós-modernidade [18, 2010]Universidade do Minho. Instituto de Ciências Sociais. Centro de Estudos de Comunicação e SociedadeotheropenAccess
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