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TitleA fase: ritmos camuflados nos usos e representações do tempo: o caso do tempo da dispensa de serviço docente para doutoramento
Author(s)Araújo, Emília Rodrigues
Advisor(s)Gonçalves, Albertino
Adam, Barbara
Issue date2005
Abstract(s)Esta dissertação versa sobre os sentidos atribuídos pelos docentes assistente à palavra “fase” que usam para classificar o tempo de dispensa e de doutoramento. Pode construir-se uma abordagem sobre a experiência da fase que parte de três assunções acerca do tempo. Uma destas consiste em assumir que há um tempo externo e objectivo onde se situam os seres vivos, os eventos e as coisas. Nessa perspectiva, o tempo é representado como uma linha tornando-se possível avaliar e comparar a posição ocupada por cada um dos seres ou coisas nessa mesma linha. Esta hipótese permite-nos afirmar que tanto a vida dos doutorandos, como o doutoramento são susceptíveis de serem localizados no tempo porque existem prazos que delimitam o seu início e fim (formais). A vida dos doutorandos e do doutoramento são, assim, intervalos de tempo definidos por barreiras externas e objectivas que permitem o estabelecimento de planos e de projectos por parte dos indivíduos no sentido de administrar e de controlar o tempo que passa dentro do intervalo. A fase adquire nesta modalidade um sentido estático porque congela o tempo, definindo-o como um entremeio. É nesse quadro, então, que se justifica atender a todas as acções objectivas que se desenvolvem no sentido de atingir determinadas metas dentro dos prazos cronológicos que se tornam, assim, pontos temporais referenciais localizáveis num tempo que adquire um sentido espacial. No seu conjunto, são acções de rentabilização do tempo que solicitam o exercício de disciplina temporal, que corresponde, por sua vez, a um controlo da totalidade de si, incluindo um regramento do corpo. A experiência da disciplina, e, no fundo, a consciência do tempo cronológico, é particularmente constitutiva da experiência porque os doutorandos, de facto, sentem o tempo passar, distanciando-se dos prazos de início e aproximando-se dos finais. A segunda assunção que nos conduz à compreensão do sentido da “fase” preconiza que tantos os seres vivos, como as próprias coisas que existem (no presente) incorporam tempo, isto é, são tempo no presente. Isto significa que as suas temporalidades não estão vedadas por fronteiras cronológicas objectivas mas por horizontes temporais. Estes são limites permanentemente transitórios e fluidos, cuja experiência conduz os actores (racionais) a experimentarem o próprio futuro como um presente extenso (que se faz presente). A terceira assunção só se compreende a partir das duas anteriores porque se situa no limbo entre a dimensão objectiva, que situa os actores e as coisas no tempo e que possibilita o julgamento sobre as formas de ajuste e de rentabilização do tempo, e a dimensão fenomenológica pela qual se compreende que os próprios seres vivos, os processos e as coisas possuem ritmos próprios que escapam ao controlo cronológico (lembremos que o doutoramento é diversas vezes comparado a “um filho”). No quadro do tempo de dispensa e de doutoramento, a experiência deste tipo de temporalidade seccionada e adiada no limite do presente extenso (isto é, sem data marcada) caracteriza as políticas temporais organizacionais que são bastante incisivas sobre os tempos biográficos dos doutorandos, ao serem impostas e ao recaírem sobre a gestão da idade destes. A fase adquire o sentido de intervalo e de compasso de espera sendo estes passíveis de controlo e de gestão, duas acções facilitadas devido ao uso de tecnologias de informação e de comunicação. Nesta linha, a palavra “fase” joga a capacidade de as instituições, na pessoa dos seus participantes com mais poder, justificarem a celeridade dos ritmos da investigação e a redução das quantidades de tempo investidos naquela, sugerindo a necessidade de incidir na gestão das idades.
The experience of the dispensation time as a phase emphasises the idea that PhD candidates leave in a time ahead of itself, in the sense that future is deeply constitutive of their present, leading them to postpone and suspend (possible) actions in the present. This text starts from the idea that PhD candidates locate the period of dispensation to prepare the doctoral thesis “in” a temporal line which progresses along a series of multiple other phases. Time is a “fact of life” (Adam, 1990) and individuals do not only exist in time but they are time, in the sense they are embodied processes and rhythms being simultaneously aware of their life finitude. Therefore, despite its linear connotation, the phase “is” inherently a time experience, insofar it reveals time in its emergence, as a present, which is lived according to memories retained from the past and expectations based on the future. Under the phenomenological theoretical framework, the phase encloses a typical experience of time because, as stated by Alfred Schutz (1962), humans are rational beings, whose conduct (action) is determined by time boundaries, which are not externally imposed but subjectively defined as time horizons. In fact, the whole life of PhD candidates, being practically suspended during the interval of time, which is defined within chronological dates of beginning and ending, seems to be managed in a permanent state of transition as if there were not time boundaries at all but only subjective fences imposed and directed by individuals themselves. Because PhD implies a time without external constrains framing everyday life, the period of dispensation is often measured by PhD candidates in terms of the height of a known child, a colleague’s white hair or the wrinkles of a friend who they have not seen for a period of time. Regarding this, it could be concluded that the term “phase” signals three major hypotheses. First, it locates candidates’ lives in a temporal line because it defines an interval of time. In this sense, the “phase” is a designation that “freezes” time, insofar it respects to a linear representation of time in which time itself may be controlled, managed and allocated according to a personal attitude that tends to postpone everything which is regarded as possibly disturbing. Second, the use of the term “phase” and its internalisation helps in itself PhD candidates to keep going with their life, despite the conscience and awareness about the extent to which the external time boundaries are accomplished due to the inevitable appearance of several events that affects the development of PhD work. In this second hypothesis, the word “phase” signals the permanent experience of transition experienced by PhD candidates, in a moment when whole their self is in a process of changing and becoming. Thus, both time representation and experience are structured on the basis of reflexibility towards past and future. In this sense, this last one becomes an “extended present” (Nowotny, 1989). Thirdly, it can be stated that the experience of future, as an extended present, is not, however, exclusively a characteristic of the personal and phenomenological experience of time. It is also a sign of modern capitalism system which brings about the need for speed and innovation. These, in turn, accelerate the rhythm of organisational times, forcing future to be continuously “in” the present as anticipation. Therefore, this need for anticipation affects drastically the relation with organisational members, whose time perspectives (regarding future) are inevitably constricted.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Sociologia
URIhttp://hdl.handle.net/1822/2718
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CECS - Teses de doutoramento / PhD theses
DS - Teses de doutoramento
DS/CICS - Teses de Doutoramento / PhD Theses

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