Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/25423

TitleAqui é o mundo : teatro e técnicas de expressão
Author(s)Sousa, José Miguel Braga Figueira de
Advisor(s)Martins, Moisés de Lemos
Pinto, Manuel
Issue date29-Jul-2013
Abstract(s)A primeira parte do nosso exercício escrito é uma viagem na sala de aula. A experiência como matéria, a observação conduzindo a acção e a teoria como iluminação; a reflexão sobre a cadeira de “Técnicas de Expressão” começou em fins da década de noventa e prosseguiu até hoje. No espaço universitário discutimos o Teatro sob dois aspectos: A aula como espaço de representação e a teoria teatral como síntese operada a partir da experiência do actor. As questões relativas a dramaturgia e história ou cultura teatral aparecem no nosso programa, como inerência do contexto. Estuda-se nesta primeira parte o anfiteatro, o coro e depois o actor. A aprendizagem das regras mínimas de elocução e de movimentação em palco obriga os actores a discutir o sujeito. A representação suporta a aparição de múltiplos desvios normativos, cisões e fragmentação do eu. O actor tem um comportamento contrário à história e por isso as suas acções são uma carga ou potência de futuro. O actor é projectivo e apresenta-se por momentos em face do devir. As aporias permitirão duvidar da possibilidade da tese. Como se pode provar aquilo que não se pode explicar completamente? A arte do actor realiza-se em movimento e produz assombrações de linguagem. O actor dissimula-se pelo exercício e deixa ficar restos da simulação, uma curta memória, gratuita e efémera, aquela que desaparece naturalmente entre os elementos. O actor como matemática invisível, a projecção de cosmos na representação. A arte do teatro não pode ser totalmente compreensível, mas podemos confirmar que é um poderoso meio de investigação das coisas humanas. O teatro é uma potência explosiva do ser mundo e da intensidade da existência. Nesse sentido o teatro é a vida. A terceira parte do nosso trabalho é dedicada ao processo de orquestração que conduz à fabricação do objecto teatral. Antes de mais pretendemos distinguir, naquilo que é distinguível, teatro e performance. Depois consideramos a arte do teatro para comprovar a sua vitalidade de arte viva e do directo, arte partilhada e oferecida. Nesse sentido, concluímos não haver qualquer possibilidade de decretar o pós-teatro, porquanto o teatro existe no homem como resultado de uma herança que se projecta no espaço-tempo através das linguagens e que só pode fazê-lo em directo. O actor é um especialista das linguagens e demonstra, pela sua vida de criador, que para haver teatro lhe basta o seu corpo pensativo para se instalar num sítio subitamente transformado – o espaço vazio. A iminência do público actifica o actor. Por outro lado, observamos também o modo como hoje se vive e resolvemos interrogar-nos sobre a tragédia. Não nos parece certo que a tragédia se tenha extinguido, de modo a poder ser considerada um género defunto. Aconselha-nos a prudência que demos algum espaço e atenção a estas dúvidas. A tragédia será ainda a esperança de um grande acontecimento redentor e provavelmente o signo de superação de uma pós-modernidade que tem vindo a comprometer a sobrevivência do homo sapiens sapiens por decreto de fundação de um novo paradigma para a civilização? A nova coroa de glória é agora o nume financeiro e a tutela burocrática, suportados pelo absolutismo electrónico e digital. O teatro contraria esta ordem porque é de sua natureza não poder existir sem liberdade. Na tragédia grega, a polis faz parte do projecto artístico. O teatro só existe como arte e, nesse sentido, o Teatro do Aborrecimento Mortal discutido por Peter Brook é um conceito intemporal que revela uma constante do comportamento universal dos criadores que ameaça a arte e a sua vocação comunitária. A criação da obra de arte teatral é resultado de uma vitória difícil contra uma série de adversidades. Algumas são naturais (a entropia, a indisciplina, o alheamento); outras aparecem e desaparecem de acordo com as épocas (as variações na relação com o estado, a crise económica, o lugar do teatro no sistema de ensino). Quisemos escrever esta tese com liberdade e por isso nos responsabilizamos pela escrita. No teatro andamos sempre perto do nascimento de coisas que desaparecem. O intervalo de tempo entre uma coisa e outra permite o acesso à coisa viva, o espectáculo. O literário instalado no reino da ciência dissemina-se e essa é porventura a breve glória de uma escrita que se destina a inscrever-se no jogo teatral. Nesse sentido, o literário aproxima nas suas divagações os instantes de celebração da ciência. As descobertas do teatro coincidem com experiências que desapareceram e que só podem ser repetidas ou enunciadas se para tal houver “engenho e arte”. Será esse o papel do poético, uma potência de perscrutação, como um abrir de espaços sobre a realidade. Deste modo a palavra poética se dispõe a acompanhar a movimentação geral dos actores.
The first part of our dissertation is a journey inside the classroom. Experience as subject matter, theory as a beacon, and observation leading to action; a ongoing process of reflection centered on „Técnicas de Expressão‟ which lasted from the late 1990‟s until the present. In an academic environment we discussed Theatre from two distinct angles: the classroom as an acting space and theatrical theory as a synthesis of the actor‟s experiences. Questions pertaining to dramaturgy and theatrical history and/or culture are presented as contextual pieces of this program. In this first part we study the amphitheater, the chorus, and then the actor. Learning the basic rules of speech and movement on stage requires the actors to discuss the subject. Acting promotes the appearance of multiple normative biases, divisions, and fragmentation of the Self. The actor behaves in opposition to the story and his actions carry the future. The actor is projective and sometimes faces what is yet to come. Hesitations will promote questionings on the possibility of a thesis itself. How is it possible to prove what cannot be sufficiently explained? The actor‟s art takes place in this flux and produces language hauntings. The actor disguises himself through the exercise yet he leaves remnants of such a simulation in the form of gratuitous, ephemeral, short memory bursts, which will naturally vanish among the elements. The actor as invisible mathematics, as a projection of the cosmos in acting. The art of the Theatre may not be comprehended in its totality but still we can present it as a powerful research method to cast an eye into human things. Theatre is an explosive power of being and of existence. The third part of our work focuses on the orchestration process, which leads to the fabrication of the theatrical object. First and foremost we intend to distinguish, whenever possible, between theater and performance. We then consider the art of theater as a vibrant living art, to be both offered and shared. As such, we espouse the notion that post-theatre cannot be decreed given that theatre exists in men as a result of a language based inheritance which comes into being as a live performance. The actor is a specialist of languages, a self- contained creative vessel able to set its body in a suddenly transformed location – the empty space. The public‟s imminence actifies the actor. On a different dimension we have observed present day living and we have reflected on the notion of tragedy. We do not believe tragedy to be a defunct genre and we cautiously discuss the subject. Can tragedy be observed as the expression of hope in a redemptive event and as the sign of overcoming a post-modernity, which compromises the survival of Homo sapiens sapiens via the promotion of a new civilizational paradigm? The new crowning glory now being financial prowess and bureaucratic tutelage built on a foundation of electronic and digital absolutism. Theatre runs against this order of things because its existence depends on liberty alone. In Greek tragedies the polis is an integral part of the artistic project. Theatre only exists as art and as such the Mortal Boredom Theatre as presented by Peter Brook remains ever present as a warning sign to creators on the permanent threat to itself and its communitarian vocation. The creation of a theatrical work of art is the result of a struggle against a series of adversities. Some of them are natural (entropy, lack of discipline, aloofness) whilst others come and go according to the seasons (variations in the relations with the State, the economic crisis, theatre‟s place in the Education system). This thesis was written as a deliberate exercise in freedom and for that we take responsibility. In theatre we are always close to the birth of things that disappear. That elusive interval grants us unique access to the performance as a living creature. The academically formatted literary disseminates and that becomes the brief glory of a writing exercise never afar from the theatrical play. In its wanderings the literary approaches science‟s celebration moments. Theatre‟s discoveries coincide with vanished experiences to be repeated or enunciated only if in the presence of sufficient „art and craft‟. That is the territory of the poetic, which opens up observation spaces in reality. The poetic word hence accompanies the general movement of actors.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Ciências da Comunicação (área de especialização de Teoria da Cultura)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/25423
AccessOpen access
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CECS - Teses de doutoramento / PhD theses

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