Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/24835

TitleStalking pós-rutura : das características aos significados das mulheres vítimas
Author(s)Ferreira, Célia Isabel Lima
Advisor(s)Matos, Marlene
Issue date9-May-2013
Abstract(s)No final da década de 90 do século XX uma nova forma de violência interpessoal adquiriu visibilidade na sociedade ocidental: o stalking. Apesar da novidade do termo, esta conduta descreve um comportamento antigo, podendo ser definido como um “padrão de comportamentos de assédio persistente, que se traduz em formas diversas de comunicação, contacto, vigilância e monitorização de uma pessoa” (Grangeia & Matos, 2010, p. 124). Na presente dissertação debruçamo-nos especificamente sobre o stalking após a rutura relacional, reconhecido como um dos cenários de stalking mais expressivo e idiossincrático. Apesar do conhecimento científico acumulado, a investigação nesta área enfrenta ainda muitos desafios, quer no plano internacional, quer no plano nacional. Esta constatação confere relevância teórica e prática a este trabalho. No primeiro capítulo desta dissertação (Capítulo 1) apresentamos o estado da arte sobre o stalking pós-rutura relacional, refletindo sobre as múltiplas dinâmicas associadas a esta modalidade de vitimação. Especificamente, discutimos as principais idiossincrasias deste cenário de stalking, caracterizadas por estratégias altamente intrusivas e ameaçadoras; elevado risco de violência física; elevado risco de persistência e reincidência dos comportamentos e, ainda, elevado risco de dano psicossocial para a vítima. Merecem igualmente a nossa atenção os modelos teóricos que procuram explicar este fenómeno, assim como os desafios que a investigação nacional e internacional sobre o tema ainda enfrenta. O primeiro estudo empírico desta dissertação (Capítulo II) teve como objetivo conhecer as dinâmicas associadas ao stalking pós-rutura, as respostas das vítimas face ao mesmo e os preditores de desajustamento psicossocial na vítima. A amostra constitui-se por mulheres vítimas sinalizadas em instituições de apoio, alvo cumulativamente de abuso físico e/ou emocional na relação e de stalking após o seu término. Os resultados ilustraram a natureza prolongada do stalking e documentaram um continuum de ações que englobava atos com uma gravidade distinta. A maioria das inquiridas relatou medo face ao stalking e admitiu que este influiu negativamente na sua vida. A frequência média dos comportamentos de stalking sofridos e o coping de evitamento surgiram como preditores de desajustamento psicossocial na vítima. O segundo estudo empírico (Capítulo III) debruçou-se sobre uma dimensão do problema que tem sido negligenciada pela literatura da especialidade: a experiência de mulheres vítimas de stalking por parte de ex-parceiros sem história de vitimação durante a relação prévia com aquele. Para o efeito, optou-se por recolher uma amostra online e comparou-se a experiência de stalking pós-rutura vivenciada por mulheres vítimas com e sem historial de violência íntima. Os resultados demonstraram que o primeiro grupo foi alvo de uma campanha de stalking pós-rutura mais gravosa (quer ao nível da duração da experiência, quer ao nível da diversidade e frequência dos comportamentos sofridos), muito embora ambos os grupos tenham evidenciado elevados níveis de medo face aos comportamentos de stalking sofridos. Com base na amostra do segundo estudo, conduzimos um terceiro estudo (Capítulo IV) com vista a identificar os fatores preditores da procura de apoio formal por parte deste tipo de vítimas. Desde logo, concluímos que apenas uma reduzida percentagem de vítimas adotou este tipo de estratégia. Posteriormente, e com base numa análise de regressão logística, percebemos que apenas uma variável contribuía para essa opção: a frequência média dos comportamentos de stalking, sendo que as vítimas alvo desses atos num registo mais reiterado apresentaram uma probabilidade significativa superior de adotar estratégias de coping formal. Finalmente, o último estudo empírico desta dissertação (Capítulo V) procurou “dar voz” e aprofundar o conhecimento sobre os significados decorrentes da experiência de vitimação por stalking pós-rutura. Com este propósito, elegeu-se um design qualitativo e procurou-se, especificamente, compreender o modo como as vítimas vivenciam, interpretam e significam esta experiência. Foram realizadas entrevistas com 12 participantes, peritas experienciais deste fenómeno. Através da Grounded Analysis, emergiram três categorias centrais das narrativas das participantes: (1) stalker (reação inicial do ex-parceiro à rutura, leitura do ex-parceiro como um stalker e respetivas motivações); (2) stalking (desenvolvimento da campanha, facilitadores e efeitos pessoais); (3) a vítima (expectativas em relação à rutura e em relação à campanha de stalking); e (4) gestão do coping (arqueologia e cronologia, agência pessoal e autoavaliação face ao coping empreendido). Com base numa análise integrativa destes dados, desenvolvemos um modelo teórico com vista a aprofundar o conhecimento acerca desta experiência. Concluímos este trabalho tecendo conclusões gerais integradoras, discutindo as implicações dos resultados obtidos para a prática.
By the end of the 90’s decade of the XX century, a new type of interpersonal violence has acquired recognition in the occidental society: stalking. Although the term is new, such kind of conduct describes an old behaviour that can be defined as “a pattern of persistent harassment behaviours that can be materialised in several types of communicating to, contacting, chasing and monitoring a person” (Grangeia e Matos, 2010, p. 124). In the present dissertation, we have specifically focused our attention on post breakup stalking, known as one of the most significant and idiosyncratic stalking scenarios. Such conclusion gives theoretical and pragmatic relevance to this survey. In the first chapter of this dissertation (Chapter I) we present the state of the art on what concerns post breakup stalking, making a reflexion on the multiple dynamics associated to this type of victimisation. Being more specific, we debate the main idiosyncrasies of this stalking scenario, characterised by highly intrusive and threatening strategies; high risk of physical violence; high risk of persistence and relapse of the behaviours and high risk of psychological and social damages to the victim. In this chapter, we also focus our attention on the theoretical models that aim to explain the phenomenon, as well as on the challenges that national and international research on the subject are still facing. The first empirical study of this dissertation (Chapter II) aimed to know the dynamics related to this type of victimisation, the answers given by the victims when facing that and the victims’ psychological and social maladjustment predictors. The sample was constituted by women we were being helped by support agencies and who were victims of physical and/or emotional violence during their relationships and also of post breakup stalking. The results illustrated the prolonged nature of stalking and documented a continuum of actions extremely different on what concerns their seriousness. The large majority of the victims mentioned fear when facing stalking and stated that such had a negative influence on their lives. The mean frequency of the stalking behaviours and the avoiding coping arisen as predictors of the victims’ psychological and social maladjustment. The second empirical study (Chapter III) debated a dimension of the problem that has been neglected by the literature on the subject: the experience of women who were victims of stalking from their ex-partners without suffering any kind of victimisation while in the relationship. In order to do so, we gathered our sample online and we compared the post breakup stalking experience of victims with and without a history of prior intimate violence. The results clarified that the first group was target of a more serious post-breakup stalking campaign (on what concerns its duration, its diversity and the frequency of the behaviours), even though both groups have mentioned high fear levels towards stalking behaviours. Using the same sample from the second study, we have engaged a third study (Chapter IV) which intended to identify the predictors of seeking for formal support by such victims. Soon we concluded that only a few of them adopted that type of strategy. On a later stage, and based on a logistic regression analysis, we were able to understand that there was only one variable contributing to that option: the mean frequency of the stalking behaviours, as the victims who repeatedly had to deal with them were significantly more predisposed to adopt formal coping. Finally, the last empirical study of this survey (Chapter V) aimed to “give voice” and deepen the knowledge on the meanings related to the experience of post-breakup stalking victimisation. In order to do so, we elected a qualitative design and specifically tried to understand the way victims live through, interpret and give meaning to such an experience. We conducted interviews with 12 participants, experimental experts of the phenomenon. Through Grounded Analysis, four types of main categories emerged from the participants’ narratives: (1) the stalker (ex-partner initial reaction to the breakup, reading the ex-partner as a stalker and perceived stalker’s motivations); (2) stalking (campaign development, facilitators and personal effects); (3) the victim (expectations towards the breakup and towards stalking campaign; and (4) coping management (archaeology and chronology, personal agency and coping’s self-assessment. Based on an integrative analysis of such data, we developed a theoretical model which aims to deepen the knowledge on this experience. We concluded this work mentioning general and integrative conclusions, debating the pragmatic relevance of the results gathered.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Psicologia (ramo de conhecimento em Psicologia da Justiça)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/24835
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIPsi - Teses de Doutoramento

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