Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/20789

TitleQuando elas (não) são notícia: mudanças, persistências e reconfigurações na cobertura jornalística sobre o Dia Internacional da Mulher em Portugal (1975-2007)
Other titlesWhen women are (not) in the news: Changes, persistences and reconfigurations of the news coverage of the International Women‘s Day in Portugal (1975-2007)
Author(s)Cerqueira, Carla Preciosa Braga
Advisor(s)Cabecinhas, Rosa
KeywordsMulheres
Feminismos
Pseudoacontecimentos
Dia Internacional da Mulher
Representações jornalísticas
Imprensa
Women
Feminisms
Pseudo-events
International Women‘s Day
Journalistic representations
Press
Issue date6-Jul-2012
Abstract(s)O jornalismo, enquanto campo legitimado da esfera pública e local de debate de várias temáticas, assume um papel preponderante na (re)construção das representações simbólicas de género. Sendo os discursos veiculados o resultado de uma seleção de acontecimentos, vozes e enquadramentos, incorporar uma perspetiva feminista na análise dos media significa, por um lado, questionar as estruturas de poder hegemónicas, que sedimentam representações assimétricas e que têm repercussões sociais e, por outro, enfatizar o potencial emancipatório que pode advir das narrativas jornalísticas. No entrosamento dos estudos feministas dos media, uma grande parte da investigação tem estado mais atenta ao quotidiano da informação jornalística. Portanto, existe uma lacuna de estudos que se centrem nos pseudoacontecimentos enquanto propiciadores de matéria noticiável, questionando de que forma é que se verifica o agendamento e enquadramento dos mesmos nas páginas dos jornais. Neste sentido, e colocando a tónica num conhecimento temporal e geograficamente localizado, partimos para a investigação com o objetivo de analisar a evolução da cobertura jornalística do Dia Internacional da Mulher na imprensa portuguesa (1975-2007). Focámo-nos num período que se prolonga por mais de três décadas, as quais ficaram marcadas por profundas transformações na sociedade em geral, nos movimentos de mulheres e/ou feministas e nos media em particular. O corpus de análise é composto pelos artigos publicados de 1 a 10 de março sobre a efeméride, em dois jornais diários generalistas nacionais de grande tiragem – Jornal de Notícias e Diário de Notícias. Escolhemos dois meios impressos com posicionamentos editoriais diferentes, que existissem em 1975 e que se mantivessem até à atualidade no topo das publicações mais lidas e vendidas a nível nacional. Debruçámo-nos sobre os artigos informativos e de opinião e dentro destes olhámos para as mensagens textuais e visuais, uma vez que as peças noticiosas são compostas por linguagens multimodais que concorrem para dotar as mensagens de significados. Em termos analíticos, recorremos a uma triangulação metodológica, uma vez que cruzámos a análise de conteúdo dos artigos; a análise crítica discursiva de alguns textos e imagens, bem como entrevistas às/aos jornalistas e colunistas, diretores dos dois jornais e representantes das organizações da sociedade civil e governamental que operam na área dos direitos das mulheres/género/feminismos. Em termos de conclusões gerais, a análise dos jornais revela que ao longo das três décadas a cobertura jornalística apresenta alguma intensidade, embora se oriente mais para os pseudoacontecimentos do que para a(s) problemática(s) associadas ao Dia Internacional da Mulher, revelando um tratamento das questões menos substantivo e mais episódico. Porém, parece existir uma evolução em termos da estruturação dos discursos jornalísticos sobre as questões de (des)igualdade entre mulheres e homens na sociedade, embora não se possa referir a existência de um debate e entendimento amplos das complexas questões que giram em torno das assimetrias de género. Considerando que as fontes político-institucionais são frequentemente tidas em conta na elaboração das notícias, o espaço e voz das organizações da sociedade civil é em diversos casos reduzido, embora estes atores sociais sejam (re)conhecidos como fontes de informação na área. Além disso, desde o primeiro ano de análise que se constata uma moldagem ao campo jornalístico dos pseudoacontecimentos organizados no âmbito da efeméride por várias organizações da sociedade civil, no sentido de colocar temas e posições no espaço público através dos media. Nestes jornais a efeméride passa da reivindicação por melhores condições de vida e por uma sociedade mais justa – com marcas das lutas cruzadas de vários movimentos no pós-25 de Abril – para uma convenção simbólica que se assinala anualmente. Relativamente à (re)apresentação das mulheres no âmbito da efeméride, coexistem representações que continuam a cristalizar as ‗velhas‘ dicotomias existentes com representações que invertem os papéis tradicionais de género, suscitando, sobretudo nos anos mais recentes, uma ambivalência entre discursos dominantes e discursos de resistência. Contudo, quando as mulheres aparecem como protagonistas, esta mudança acontece, fundamentalmente, segundo moldes associados ao referente ‗masculino‘, continuando-se a excluir a maior parte das mulheres dos espaços de representação social e política. Se a linguagem jornalística assume uma nova ‗roupagem‘, metamorfoseando-se através do tom aparentemente mais igualitário e emancipatório, em termos de substância os discursos permanecem praticamente inalterados.
Journalism, as a legitimized field of the public sphere, and place for the debate of several themes, takes on a paramount role in the (re)construction of symbolic gender representations. The discourses conveyed are the result of a selection of events, voices and frameworks. To incorporate a feminist perspective in the media analysis is, on the one hand, to question the hegemonic power structures which sediment asymmetrical representations that have social repercussions, and on the other hand, to emphasize the emancipating potential that can come from journalistic narratives. In the mesh of feminist media studies, a large part of the research has paid more attention to the everyday journalistic information. Thus, there is a gap in the field of studies that focus on pseudo-events as source for newsworthy material, and that question how they are set and framed in newspaper pages. In this sense, and placing the emphasis on a temporal and geographically localized knowledge, we started this research intending to analyse the evolution of the news cover in the International Women‘s Day in Portuguese press (1975- 2007). We focused on a period that expands over three decades, which were marked by profound transformations in society in general, in the women‘s and/or feminist movements and in the media in particular. The analysis corpus is comprised of the news articles published from the fist to the tenth of March about the ephemeris, in two daily generalist national newspapers with great circulation – Jornal de Notícias e Diário de Notícias. We chose two print media with different editorial positioning, which existed in 1975 and that stayed in the top of the most read and sold publications nationwide. We looked at informative and opinion articles, and within those we looked at the textual and visual messages, since news pieces are composed of multimodal languages that contribute to provide the massages with meanings. For our analysis we resorted to a methodological triangulation, crossing the content analysis of the articles; the critical discourse analysis of some texts and images; and interviews to journalists/columnists, newspapers directors and representatives of the civil society and government that operate in the women‘s rights/gender/feminisms area. In terms of general conclusions, the newspaper analysis reveals that over the three decades the journalistic coverage displays some intensity, although it is more oriented to the pseudo-events than to the problems associated with the International Women‘s Day, revealing a less substantial and more episodic treatment of issues. However, there seems to be an evolution in terms of the structuring of journalistic discourses about issues of (in)equality between men and women in society, although we can‘t speak of an ample debate and understanding of the complex issues that surround gender asymmetries. Although politicalinstitutional sources are often taken into account when writing news, the space and voice of civil society organizations is often restricted, even if these social actors are recognized as information sources in their field. Besides, we could see that since the first year of our analysis, there has been a casting to the news field of the pseudo-events organized by several civil society organizations within the scope of the ephemeris, in an attempt to place issues and standpoints in the public sphere though the media. In these newspapers the ephemeris goes from a demand for better living conditions and a more equal society – with scars from the cross fights of several post 25th April movements – to a symbolic convention that is marked annually. Regarding the (re)presentation of women within the ephemeris, there are coexisting representations that continue to crystallize the ‗old‘ dichotomies, at the same time that they reverse traditional gender roles, creating ambivalence, especially in more recent years, between dominant and resistance discourses. However, when women appear as protagonists, this change happens mostly according to patterns still associated with the ‗masculine‘ referent, excluding most women from the social and political representation spaces. If the journalistic language ‗puts on new clothes‘, transforming itself through an apparently more equalitarian and emancipating tone, in terms of substance, the discourses remain practically unchanged.
TypeDoctoral thesis
DescriptionTese de doutoramento em Ciências da Comunicação (especialidade de Psicologia da Comunicação)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/20789
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CECS - Teses de doutoramento / PhD theses

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