Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/1822/19719

TitleHistória do desenvolvimento, adaptação física e psicológica, significados e crenças de obesos mórbidos : um estudo longitudinal
Author(s)Silva, Susana Sofia P.
Advisor(s)Maia, Ângela
Issue date9-Dec-2011
Abstract(s)A obesidade e o seu tratamento constituem o principal tema desta dissertação, organizando os diversos estudos que a compõem. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) (2010), a obesidade é uma doença crónica responsável pela elevada morbilidade e mortalidade, sendo reconhecida como uma epidemia e um problema de saúde pública, principalmente nos países industrializados. Apesar deste reconhecimento, a literatura é pouco consistente sobre as caraterísticas dos obesos e a forma como lidam com o tratamento. Este projeto visa descrever algumas caraterísticas psicológicas dos obesos, a forma como estes compreendem a sua obesidade e como lidam com o processo de tratamento, especificamente a cirurgia bariátrica, através de um estudo longitudinal. A caraterização dos sujeitos obesos, bem como as principais diferenças em relação aos não obesos, tem sido alvo de interesse por diversos investigadores (Fairbun & Brownell, 2002). No mesmo sentido, vários autores têm referido que as experiências adversas na infância podem estar associadas ao desenvolvimento da obesidade na idade adulta (e.g. Felitti, Anda, Nordenberg, & Williamson, 1998; Silva & Maia, 2007). Atendendo a estes dados, no primeiro estudo comparamos sujeitos obesos com não obesos no que se refere às experiências de adversidade vividas na infância e a diversas caraterísticas psicológicas, verificando que a psicopatologia, o coping e os problemas de saúde têm uma função discriminante, sendo que os problemas de saúde física são a variável que mais contribui para a pertença ao grupo dos obesos. Atendendo à elevada prevalência das experiências de adversidade na infância e às questões metodológicas relacionadas com a estabilidade dos relatos de adversidade (e.g Hardt & Rutter, 2004), procuramos averiguar a estabilidade temporal do relato de experiências de adversidade na infância num grupo de obesos. Os resultados deste estudo, de cariz claramente metodológico, sugerem que o Questionário de História de Adversidade na Infância apresenta boa estabilidade temporal para o auto-relato das experiências de abuso. O terceiro artigo que compõe esta tese refere-se a um estudo longitudinal quantitativo, que pretendeu caracterizar 30 candidatos a cirurgia bariátrica e analisar as mudanças observadas no que se refere ao peso, personalidade, estratégias de coping, bem como os problemas e queixas de saúde relatadas antes da cirurgia, e seis e 12 meses depois da cirurgia. Verificou-se que a cirurgia bariátrica está associada a melhorias ao nível da saúde física que tendem a esbater-se ao longo do tempo mas não se observaram mudanças no que se refere à saúde mental. Nesta sequência procuramos compreender, numa perspetiva qualitativa e utilizando os procedimentos da Grounded Theory, de que forma é que os obesos concetualizam e significam a obesidade e o seu tratamento, nomeadamente no que se refere às expetativas e crenças que os indivíduos possuem antes da cirurgia bariátrica, acerca das exigências e do impato deste procedimento. Esta tese inclui três estudos que recorrem a esta metodologia: o quarto, o quinto e o sexto. O quarto estudo, que descreve e analisa dois casos protótipo: um caso de sucesso e um caso de insucesso, ilustra uma potencialidade da metodologia que escolhemos e corresponde ao trabalho inicialmente realizado com vista à exploração dos dados do ponto de vista qualitativo. No quinto estudo, “Obesidade”, “Comportamento alimentar” e “Tratamento” emergem como principais categorias no discurso dos pacientes, sendo que a cirurgia assume um papel central e com significado de milagre que irá resolver todos os problemas, em indivíduos que adotam um papel passivo. A partir destes resultados, o objetivo do nosso sexto estudo foi compreender, 12 meses após a cirurgia bariátrica, a forma como estes mesmos sujeitos experienciam o tratamento da obesidade. Curiosamente, os sujeitos descrevem-se como sucessos ou insucessos, numa classificação que não corresponde aos critérios que consideram a perda de peso após a cirurgia (alguns insucessos descrevem-se como sucessos). Nos casos que se descrevem como sucesso, emerge o papel pró-ativo, o comprometimento e responsabilidade individual para com um longo processo de tratamento; enquanto os insucessos continuam à procura de uma cirurgia milagre. No último estudo recorreu-se à triangulação de dados qualitativos e quantitativos para compreender se os casos de sucesso e os insucessos definidos um ano depois da cirurgia se distinguem antes da cirurgia, seis e 12 meses depois, e em que sentido vai esta distinção. No momento da cirurgia não se verificam diferenças nas variáveis quantitativas, mas os sujeitos compreendem e concetualizam esta problemática de forma distinta. As diferenças nas variáveis quantitativas surgem aos seis meses, sendo que os sucessos perdem mais peso, relatam menos estratégias de coping e apresentam menos problemas de saúde do que os insucessos. Aos 12 meses, o padrão repete-se e os insucessos continuam à espera de um milagre que resolva todos os seus problemas. A discussão dos principais resultados e conclusões enfatizam a necessidade de promover processos de mudança de forma a incrementar o sucesso do tratamento da obesidade.
Obesity and obesity treatment are the main theme of this dissertation, organizing all the studies that compose it. World Health Organization (WHO) (2011) describe obesity as a chronic disease related with high morbidity and mortality recognizing it as a public health problem and an epidemic, mainly in industrialized countries. This project aims to describe psychological obese characteristics, their understandings of obesity and the way they deal with obesity treatment, especially bariatric surgery through a longitudinal study. Obese characterization and distinctions among non-obese has been subject of interest for several authors (Fairbun & Brownell, 2002).Similarly, different authors (Felitti, Anda, Nordenberg, & Williamson, 1998; Grilo, White, Masheb, Rothschild, & Burke-Martindale, 2006; Silva & Maia, 2007) argued that adverse childhood experiences may be related with obesity in adulthood. Therefore, the first study aimed to characterize adverse childhood experiences, psychological functioning and health problems in obese and compare them with non-obese. Data showed that psychopathology, coping and health problems have a discriminant function whereas health problems are the variable that contributes more to the obese group. Regarding to the prevalence of adverse childhood experiences and to the metodological problems related to the stability of retrospective studies presented in some studies (Fergusson, Horwood, & Woodward, 2000; Hardt & Rutter, 2004), our study aimed to analyze temporal stability of self-reported adverse childhood experiences. Data from this methodological study suggested that Childhood History Questionnaire has acceptable temporal stability for the dimensions of individual abuse and neglect. In the third study, we present a qualitative longitudinal study that sought to characterize bariatric surgery candidates and to analyze the changes regarding to weight, personality traits, coping strategies, health problems and complaints, before surgery, at 6- and 12-months follow-up. Our results suggested that bariatric surgery is related to physical health improvements that tend to blur over time and appeared to have no impact in mental health. Following these findings, we tried to understand, from a qualitative approach, according to Grounded Theory procedures, how obese people conceptualize obesity and obesity treatment, namely their expectations and beliefs about treatment demands and its impact on bariatric surgery, before this procedure. The fourth study is exploratory and focuses on the analysis of two prototype cases. In the fifth study, “Obesity”, “eating behavior” and “treatment” emerged as core categories and organize their discourses whereas surgery plays a central role and it is perceived as a miracle that will solve all life problems. In this case, the subject has a passive role. In the following study, we tried to understand the patient’ experience in the postsurgery adaptation related to bariatric surgery, 12 months after this procedure. Curiously, the patients describe themselves as success or failure cases regarding to the weight loss achieved whereas the classification do not attend to the weight loss (some failure cases describe themselves as successes). Successes emerged the proactive role of the subject, the personal responsibility and the commitment to a long treatment process in order to achieve their objectives. On the other hand, failures are still looking for a miracle, a surgery that will solve all life problems. This led us to the last study, with methodological triangulation, in which we explore the personal expectancies and perceptions, as well as the health and psychological changes during obesity treatment, and to comprehend if subjects differ before surgery, at 6- and 12-months follow-up and to what extent they are distinguishable. Before surgery, there were no differences among quantitative variables. At 6-months follow-up, there are group distinctions whereas successes lose more weight, used fewer coping strategies and reported less health problems than failures. At 12-months, there are the same distinctions and failures are still looking for a miracle surgery that will solve their problems.
TypeDoctoral thesis
DescriptionPrograma doutoral em Psicologia (especialidade de Psicologia Clínica)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/19719
AccessRestricted access (UMinho)
Appears in Collections:BUM - Teses de Doutoramento
CIPsi - Teses de Doutoramento

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