Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/1822/10153

TítuloA história no 1º ciclo do Ensino Básico : a concepção do tempo e a compreensão histórica das crianças e os contextos para o seu desenvolvimento
Autor(es)Solé, Maria Glória Parra Santos
Orientador(es)Freitas, Maria Luísa Amaral Varela de
Data30-Dez-2009
Resumo(s)O desenvolvimento de conceitos de tempo e da compreensão histórica pelos alunos dos primeiros anos de escolaridade foi um domínio de investigação controverso ao longo das últimas décadas. Neste estudo começa por se fazer um ponto da situação desses estudos que serviram de base ao desenvolvimento do estudo empírico que se relata. Esta investigação desenvolveu-se ao longo de três anos e constou de duas partes relativamente autónomas mas com objectivos comuns, a realização de entrevistas a alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico (CEB) e intervenções realizadas pela investigadora nas salas de aula desses mesmos alunos. A finalidade das entrevistas e das intervenções em sala de aula foi: permitir analisar o desenvolvimento de conceitos de tempo, a compreensão temporal e histórica nas crianças do 1.º CEB e fundamentar a utilização de algumas estratégias pedagógicas para esse desenvolvimento. Os objectivos do estudo foram: 1. Identificar as concepções dos alunos sobre passado e História e a finalidade que atribuem à História e a eventual mudança ou não dessas concepções ao longo dos dois anos de intervenção. 2. Analisar o que sabem sobre História e como aprenderam antes de uma aprendizagem formal. 3. Compreender como entendem a mudança ao longo dos tempos. 4. Analisar como os alunos do 1.º ao 4.º ano de escolaridade desenvolvem conceitos de tempo e de compreensão histórica mediante a implementação de actividades que incluam estratégias diversificadas. 4.1. Avaliar o conhecimento, compreensão e aplicação do sistema convencional de datação. 4.2. Avaliar a evolução da compreensão histórica em relação à capacidade de realizar inferências e interpretações a partir de fontes, de justificar sequencializações de acontecimentos históricos ou não, de estabelecer relações causais e de explicar mudanças e continuidades através dos tempos. 4.3. Analisar a evolução da compreensão histórica em relação a conceitos de segunda ordem como: evidência, explicação e empatia histórica. É um estudo de caso descritivo, predominantemente qualitativo, de natureza interpretativa e longitudinal. Decorreu entre 2003 e 2006, tendo-se realizado um estudo exploratório e um estudo final. No estudo final, nos anos de 2004-2006 acompanhámos duas turmas uma no 1/2º ano e outra no 3º/4ºano de uma escola urbana de Braga. As entrevistas focaram-se sobre sequencialização temporal a partir da ordenação de imagens e sobre a concepção de passado, História, sua finalidade e aprendizagem de História. Seguiu-se um modelo adaptado das investigações de Levstik e Barton (1996) e nas intervenções em sala de aula foram utilizadas diversas estratégias de ensino de Estudos Sociais/História, sobretudo a exploração de fontes icónicas, genealogias, linhas de tempo e calendário, objectos e museus e diversos tipos de narrativas. Procedemos à análise dos dados das entrevistas e das intervenções em sala de aula separadamente e a partir da triangulação dos dados procurámos retirar conclusões atendendo aos objectivos do estudo. Os principais resultados tendem a revelar que: a) Os alunos do 1º ano, sobretudo no início do ano os alunos dificilmente verbalizam qualquer concepção de história, mas o mesmo não acontece em relação ao passado. O conjunto dos alunos associa o passado ao passado pessoal, cronológico e histórico. Expressam uma maior diversidade de concepções em relação à História, associando-a sobretudo ao passado e passado humano ou significativo, às mudanças ao longo dos tempos e à preservação da memória e identidade nacional. Quanto à finalidade da História, evoluem desde o desconhecimento a ideias ambíguas, a ter como finalidade a aquisição de conhecimento com vários objectivos entre eles conhecer o passado familiar. Apareceu também a ideia de que servia para compreender o presente e preparar o futuro, de alguma modo revelador de uma consciência histórica emergente. b) Os alunos têm mais conhecimentos históricos do que geralmente se pensa, adquiridos principalmente na família, na catequese e através de livros, dos media e visitas a museus, cidades e monumentos. c) As concepções destes alunos sobre a mudança ao longo dos tempos alteram-se ao longo do estudo, predominando no entanto uma concepção de mudança como progresso linear, gradualmente substituída por uma de mudança como diversidade. d) Ao nível da compreensão temporal, os alunos utilizam vocabulário de tempo qualitativo, gradualmente substituído pelo do sistema convencional de datação, à medida que foram aprendendo e posteriormente articulando os vários subsistemas relacionados com o tempo do relógio, do calendário e histórico. O conceito de duração revelou ser mais difícil de compreender por implicar cálculo e medição, associado ao raciocínio matemático. Revelam capacidade em sequencializar acontecimentos e gradualmente as justificações vão sendo mais elaboradas, estabelecendo relações de causalidade, reconhecendo mudanças e continuidades ao longo dos tempos, inicialmente numa perspectiva de progresso linear passando gradualmente a um reconhecimento de que nem sempre a mudança é contínua e com o mesmo ritmo, e que há mesmo coisas que permanecem ao longo de vários períodos. e) Ao nível da compreensão histórica, quando estimulados são capazes de realizar inferências e deduções a partir de diversas fontes, procurar evidências e a partir delas construir interpretações e explicações, assim como compreender o passado, apresentando mesmo alguns alunos ideias de empatia histórica razoáveis. Concluímos que a aquisição de conceitos de tempo e a compreensão temporal e histórica desenvolve-se gradualmente podendo ser promovida e acelerada através de actividades e estratégias específicas de ensino de Estudos Sociais/História, sendo possível e desejável o ensino de História a alunos do 1.º CEB pois os ajuda a desenvolver estruturas para uma melhor aprendizagem de História no futuro.
The development of time concepts and historical understanding in students in the early years of education has been a controversial area of research for the last few decades. In this study, we begin with a look at the current state of play of these studies, which formed the basis of the empirical study that is described. The research took place over three years and consisted of two parts which were relatively autonomous, but had common goals: interviews with Elementary School (ES) students and the researcher’s interventions in these students’ classrooms. The aim of the interviews and the classroom interventions was to enable analysis of how children at ES develop time concepts and historical understanding and to provide justification for the use of certain teaching strategies which would develop this area. The aims of the study were: 1. To identify student’s understanding of the past and History and what they conceive the purpose of History to be, as well as to note any change or otherwise in these notions during the two years of intervention. 2. To analyse what they know about History and how they learnt before any formal teaching. 3. To understand how they perceive change over time. 4. To analyse how students from the 1st to 4th year of education develop time concepts and historical understanding with the help of activities that include various strategies. 4.1. To assess the knowledge, understanding and application of the conventional time system. 4.2. To assess the evolution of historical understanding in relation to the capacity to make inferences and interpretations from sources, to justify sequences of historical events or not, to establish causal relationships and to explain changes and continuities over time. 4.3. To assess the evolution of historical understanding in relation to secondorder concepts such as evidence, explanation and historical empathy. It is a descriptive case study, which is predominantly qualitative and interpretative and longitudinal in nature. It took place between 2003 and 2006 and consisted of an exploratory study and a final study. In the final study, in the years from 2004-2006, we followed two classes - one in the 1st/2nd year and the other in the 3rd/4th year from an urban school in Braga. The interviews focused on time sequencing by putting pictures into order and on the concept of past, History, its purpose and learning of History. We used a model adapted from the research undertaken by Levstik and Barton (1996) and various Social Studies/History teaching strategies were used in the classroom interventions, particularly iconic and genealogical sources, timelines and calendars, objects and museums and various kinds of narrative. We analyzed separately the data of the interviews and the classroom interventions and through the triangulation of dta we looked for drawing conclusions bearing in mind the objectif of the study. The main results of the study tend to show that: a) 1st-year students: particularly at the beginning of the year, the students barely verbalise any conception of history, but the same does not occur in relation to the past. The group of students associate the past with personal, chronological and historical past. They express greater diversity of conceptions in relation to History, associating it above all with the past and human or significant past, with the change over time and with the preservation of memory and national identity. As for the purpose of History, they evolve from having no notion to ambiguous ideas and to seeing its purpose as one of acquisition of knowledge whose aims include understanding the familiar past. The idea that it served to understand the present and prepare for the future was also apparent, which to a certain extent shows an emerging historical counsciousness. b) Students have more historical knowledge than is generally thought, acquired mainly from the family, at catechism classes and through books, the media and visits to museums, cities and monuments. c) The students’ grasp of the change over time alters during the course of the study, though an idea of linear change predominates, gradually replaced by one of change as diversity. d) At the level of time understanding, the students use qualitative time vocabulary, gradually replaced by the conventional time systems as it is learnt and then linking the various subsystems related to time using a clock, the calendar and historic time. The concept of duration proved to be more difficult to understand since it implied calculation and measurement, associated with mathematical reasoning. They show the capacity to sequence events and their justifications become gradually more elaborate, establishing causal relationships, recognising changes and continuities over time, initially from a perspective of linear progress and gradually moving to recognition that change is not always continuous and steady and that there are things that last over various periods. e) At the level of historical understanding, when prompted, they are capable of making inferences and deductions from various sources, looking for evidence and using it to interpret and explain, as well as understanding the past, with some students even showing a reasonable grasp of historical empathy. We concluded that the acquisition of time concepts and historical understanding is developed gradually and can be encouraged and accelerated by means of specific Social Studies/History strategies. It is therefore possible and indeed expedient to teach History to Elementary students since it helps them to develop structures for a better understanding of History in the future.
TipodoctoralThesis
DescriçãoTese de doutoramento em Ramo de Estudos da Criança (área em Estudo do Meio Social)
URIhttp://hdl.handle.net/1822/10153
AcessoopenAccess
Aparece nas coleções:BUM - Teses de Doutoramento

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